Após alterações no tarifaço, dólar cai para R$ 5,16 e atinge menor nível em quase dois anos
Dólar cai ao menor nível desde 2024, focus reduz projeções de inflação e juros, e Suprema Corte dos Estados Unidos derruba tarifaço de Trump
O dólar fechou esta segunda-feira (23) em leve queda de 0,14%, cotado a R$ 5,1685, alcançando o menor nível desde 28 de maio de 2024, quando havia encerrado a R$ 5,1534, em um movimento que refletiu ajustes e expectativas do mercado diante do cenário econômico; já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 0,88% e terminou o pregão aos 188.853 pontos, indicando um dia de maior cautela entre os investidores.
Banco Central e Boletim Focus
No Brasil, o Banco Central divulgou mais uma edição do boletim Focus, relatório semanal que reúne as projeções de instituições financeiras para os principais indicadores da economia. Desta vez, os economistas reduziram pela sétima semana consecutiva a estimativa de inflação para 2026, que passou de 3,95% para 3,91%, sinalizando uma percepção de maior controle dos preços no horizonte mais longo. A projeção para a taxa básica de juros também foi revisada para baixo, de 12,25% para 12,13% ao ano, refletindo expectativas de um cenário monetário ligeiramente menos pressionado.
A agenda econômica da semana segue movimentada, com a divulgação do IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial e um dos indicadores mais acompanhados pelo mercado. Também estão previstos novos dados sobre o mercado de trabalho, que ajudam a medir o ritmo da atividade econômica. No exterior, os investidores monitoram o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos e as decisões de juros do banco central da China, eventos que podem influenciar o comportamento dos mercados globais.
Notas de dólar (Foto: reprodução/ Getty images embed/ ERNESTO BENAVIDES)
Suprema Corte dos EUA invalida tarifaço de Trump
A Suprema Corte dos Estados Unidos determinou, na sexta-feira (20), que o presidente Donald Trump excedeu sua autoridade ao implementar um amplo pacote de tarifas sobre produtos importados de diversos parceiros comerciais, medida apelidada de “tarifaço”. Por 6 votos a 3, os ministros concluíram que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977, não autoriza o chefe do Executivo a instituir tarifas sem aprovação do Congresso, contrariando o argumento de Trump de que a legislação permitiria ações desse tipo em situações extraordinárias.
O voto condutor foi do presidente da Corte, John Roberts, que formou maioria ao lado de outros cinco magistrados, enquanto Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh ficaram em posição divergente. Roberts afirmou que decisões com impacto amplo na política comercial exigem “autorização clara do Congresso”, com base em precedentes do tribunal. A decisão atinge principalmente as chamadas tarifas recíprocas, pilar da estratégia comercial do governo, mas não altera outras tarifas já em vigor, como as aplicadas sobre aço, alumínio e fentanil.
Com a queda do dólar ao menor nível em quase dois anos, a revisão das projeções de inflação e juros no Brasil e a decisão da Suprema Corte dos EUA que limita o alcance do tarifaço, o cenário econômico começa a semana marcado por ajustes relevantes tanto no ambiente doméstico quanto no internacional. As próximas divulgações de indicadores e os desdobramentos políticos devem continuar influenciando o humor dos mercados e o comportamento de investidores nos próximos dias.
