Transferência para cela comum pressiona Vorcaro a ampliar delação
Ex-banqueiro foi transferido de cela após sua delação premiada ser considerada pouco eficiente para a investigação da polícia federal
A mudança de Daniel Vorcaro para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e a restrição nas visitas de advogados aumentaram a pressão sobre o ex-banqueiro para que apresente novos fatos e provas em sua proposta de delação premiada no âmbito das investigações sobre fraudes no Banco Master. Investigadores avaliam que a primeira versão do acordo foi considerada insuficiente e seletiva, frustrando expectativas da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Polícia Federal mais rígida
Preso preventivamente desde 19 de março, Vorcaro deixou a sala especial onde estava alojado e foi transferido, na noite de segunda-feira (18), para uma cela comum destinada a presos em trânsito na PF. A mudança ocorreu após o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, autorizar que o banqueiro passasse a seguir as regras ordinárias de funcionamento da superintendência da corporação no Distrito Federal.
Até então, Vorcaro permanecia em uma sala reservada, equipada com cama box, ar-condicionado, televisão e banheiro privativo. Segundo pessoas ligadas às investigações, a permanência no espaço especial era justificada pela necessidade de reuniões frequentes com seus advogados para negociar os termos da colaboração premiada.
Com a entrega formal da proposta de delação à PF e à PGR no início de maio, os investigadores entenderam que não havia mais motivo para manter o ex-banqueiro no local. Além da troca de cela, a PF também restringiu o acesso da defesa: agora, os advogados podem visitá-lo apenas duas vezes por dia, por 30 minutos cada, e sem instrumentos de trabalho.
Espera de mais provas
Nos bastidores, investigadores avaliam que Vorcaro desperdiçou a oportunidade de negociar melhores condições ao apresentar um acordo considerado “capenga” e abaixo do esperado. Fontes ligadas ao caso afirmam que os relatos apresentados pouparam personagens importantes e trouxeram poucas novidades para uma investigação que já teria avançado significativamente no mapeamento das fraudes envolvendo o Banco Master.
Sede do Banco Master em São Paulo (Foto: reprodução/ Victor Moriyama/Getty Images Embed)
A expectativa inicial da defesa era usar a delação como caminho para pedir a transferência do banqueiro para prisão domiciliar até a conclusão do julgamento. O movimento, porém, produziu efeito contrário. A flexibilização de regras e livre acesso de advogados fazia parte da estratégia para estimular a colaboração. Com a avaliação negativa da proposta apresentada, Vorcaro voltou ao regime mais rígido dentro da PF e pode acabar denunciado sem acordo de colaboração.
Ainda assim, investigadores acreditam que a piora nas condições de detenção pode levar o ex-banqueiro a complementar a delação com novas provas e informações mais robustas, condição considerada essencial para reabrir discussões sobre benefícios como o retorno a uma sala especial ou eventual prisão domiciliar.
