Trump afirma que ataque iraniano é como ‘tapinha do amor’
Presidente americano precisa recorrer à analogia que minimiza a situação para diminuir a pressão interna enquanto aguarda resposta do Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descreveu a série de embates entre o Irã e o país americano como “um tapinha de amor”; a analogia seria para suavizar a situação enquanto aguarda pela resposta da proposta de paz. Trump ainda assegurou que a trégua entre os países, acordada há cerca de um mês, segue mantida e não teria riscos de ser infligida.
A situação atual dos países
Apesar de mísseis e drones iranianos terem sido lançados contra navios americanos no Estreito de Ormuz nesta quinta-feira (7), não houve retaliações ao fato. O presidente americano se posicionou a respeito do pequeno ataque, afirmando que as tecnologias interceptadas “caíram graciosamente no oceano como uma borboleta caindo em seu túmulo”. Situações como essas, embora fiquem à margem do cessar-fogo, não quebraram a trégua do conflito. Trump ainda afirma que necessita urgentemente fechar o acordo com os iranianos para se retirar em definitivo da guerra.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira (8) na Casa Branca (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Aaron Schwartz)
A expressão “tapinha do amor” foi utilizada por Trump ao descrever o impacto dos ataques retaliatórios do Irã, durante uma conversa por telefone com a jornalista Rachel Scott, da ABC News. O eufemismo do presidente americano foi ironizado nas redes, como dito pelo jornalista e consultor Adam Cochram, que afirmou não ouvir utilizarem essa expressão a menos que fosse de um homem que agride a esposa.
As expressões do presidente dos Estados Unidos abrandando a situação atual do conflito e reafirmando o estado do cessar-fogo ainda mantido demonstram uma certa peculiaridade de Trump, indicando o desconforto com a pressão gerada em seu governo após o início da guerra, pressão essa movida por detalhes como os altos gastos militares, o aumento do preço da gasolina e a queda da popularidade da Operação Fúria Épica entre o povo americano.
A que ponto estamos do fim do conflito
Com o país americano aguardando a resposta dos iranianos e já traçando um plano para acabar com a insegurança e resgatar os navios presos no Estreito de Ormuz, o chamado “Projeto Liberdade”, era de se esperar que o embate estivesse próximo do fim, mas ainda não é possível afirmar com tanta certeza. Pequenos ataques voltaram a acontecer e cresceu o temor de uma nova escalada no conflito.
Donald Trump e seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, utilizam o cessar-fogo para manter a legalidade do conflito, já que o prazo de 60 dias estipulado por lei para o governo americano prosseguir a guerra sem a autorização do Congresso expirou na semana passada. Em sequência, Trump anunciou já a suspensão temporária do Projeto Liberdade, como pedido pelo Paquistão, que é o mediador do acordo entre o país americano e o Irã.
A proposta de paz segue sendo analisada pelo regime iraniano; no entanto, o otimismo com o acordo começa a cair com a possibilidade de novos ataques e ainda com a afirmação do Chanceler do Irã, Abbas Araghchi, quando disse que o regime não irá ceder à pressão. “Sempre que uma solução diplomática é possível, os EUA optam por uma aventura militar imprudente. Seria uma tática de pressão grosseira? Ou o resultado de um sabotador enganando mais uma vez e levando-o a outro atoleiro?” — afirmou, demonstrando irritação.
