Trump devolve credenciais de jornalistas barrados
A decisão, afirma Trump, foi tomada por questões de segurança nacional, mas é considerada inconstitucional por violar Primeira Emenda
Na manhã desta quinta-feira, 24, o juiz federal Tim Kelly mandou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, devolva o acesso de jornalistas da CNN, MS NOW e Politico à Casa Branca. Segundo a decisão, as credenciais devem ser restituídas imediatamente e as autoridades estão proibidas de instituir qualquer proibição pelos próximos 14 dias.
Batalha de Trump contra a mídia
Com a chegada das eleições legislativas no próximo dia 3, o governo americano entrou em estado de alerta. A popularidade de Trump é a mais baixa já registrada e, historicamente, os presidentes costumam perder a maioria no Congresso nas eleições de meio de mandato. A guerra com o Irã e a inflação são temas principais que incomodam o eleitorado nos EUA.
Em meio disso, Trump revogou o acesso à Casa Branca de jornalistas de três grandes veículos, alegando se tratar de uma questão de segurança nacional. Como apontado pelo juiz Kelly, no entanto, a verdadeira motivação do mandatário era por conta da negatividade das publicações em relação ao governo. Em suas redes sociais, chegou a dizer que esses três veículos “não deveriam ter permissão para escrever ou divulgar constantemente FICÇÃO e MENTIRAS”.
A decisão
O juiz Tim Kelly, que foi nomeado pelo próprio Trump em 2017, considerou que revogar as credenciais sem o devido processo legal é inconstitucional. Os três veículos processaram o presidente por violar o que garantia a Primeira Emenda da Constituição sobre liberdade de expressão e imprensa e pediram por uma ordem temporária que devolva o acesso à Casa Branca enquanto o processo corre na justiça.
O juiz Tim Kelly (Foto: Reprodução/Getty Images Embed/Drew Angerer)
Organizações de defesa à liberdade de expressão e veículos jornalísticos se pronunciaram na última quarta-feira, 23, apoiando os jornalistas que foram barrados da Casa Branca. O parecer afirma que “retirar de jornalistas e veículos de comunicação seus direitos em razão de uma percepção sobre sua linha editorial viola décadas de jurisprudência da Suprema Corte”. Entre os que assinaram, estão o Comitê de Repórteres para a Liberdade de Imprensa, Reuters, Washington Post e Fox News.
