Trump mira novos países após Venezuela

Após a operação na Venezuela, Donald Trump intensifica ameaças e amplia seu foco global, incluindo Colômbia, Groenlândia, México, Irã e Cuba, aumentando tensões diplomáticas.

07 jan, 2026
Trump ameaça novos países | Reprodução/ Jim Lo Scalzo /Agência Brasil
Trump ameaça novos países | Reprodução/ Jim Lo Scalzo /Agência Brasil

Após a controversa operação militar que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom de sua política externa e passou a apontar potenciais novos “alvos” em diferentes regiões do mundo. O movimento — criticado por aliados e condenado por adversários — indica um reposicionamento agressivo da estratégia americana, com implicações geopolíticas profundas e riscos de escalada de conflitos.

A expansão da retórica de Trump e os possíveis próximos passos

Poucas horas depois de comandar uma ofensiva na Venezuela que chocou a comunidade internacional, Trump começou a mencionar uma série de outros países que poderiam, segundo ele, estar sob maior escrutínio ou até sob ameaça de ação — seja diplomática, econômica ou militar. Entre os nomes mais citados nas últimas declarações presidenciais e reportagens estão Colômbia, Groenlândia, México, Irã e Cuba.



Colômbia: tensão com governo de Petro

O presidente americano não poupou críticas ao líder colombiano Gustavo Petro, chamando-o de “doente” e afirmando que um eventual ataque contra o país “soaria bem” — palavras que acenderam alerta de escalada na região. A Colômbia, tradicional aliada dos EUA no combate ao narcotráfico, tem uma relação complexa com Washington, marcada por cooperação mas também por desconfianças mútuas.

A retórica de Trump inclui ainda acusações a Petro de permitir a prosperidade de cartéis de drogas, o que intensificou a tensão bilateral. Embora não exista até o momento um plano militar formal, a simples sugestão de ação já elevou o clima de incerteza na América Latina.

Groenlândia: interesse estratégico e reação internacional

Mais ao norte, Trump voltou a mencionar a necessidade estratégica de os EUA “controlarem” a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca rico em recursos naturais e posicionado no Ártico — uma região cada vez mais disputada por potências globais.

Embora agora o discurso oficial seja mais focado na importância de um acordo ou compra, e não numa invasão, líderes dinamarqueses e groenlandeses rejeitam veementemente qualquer ameaça de anexação. A primeira-ministra da Dinamarca alertou que um ataque a um território da OTAN poderia significar o fim da própria aliança militar.

México: relações comerciais e combate ao crime

No caso do México, Trump voltou a criticar o governo de Claudia Sheinbaum por não “fazer o suficiente” para lidar com os cartéis de drogas e a violência nas fronteiras. Ele chegou a oferecer apoio militar ao país, proposta que foi rejeitada e vista por autoridades mexicanas como um desrespeito à soberania nacional.

O México, parceiro crucial em comércio e segurança regional, agora enfrenta uma interlocução mais ríspida com Washington, que pode afetar desde acordos econômicos até cooperação em imigração e combate ao crime organizado.

Irã: alerta e retórica militar

Em um contexto mais distante geograficamente, Trump renovou advertências ao Irã, afirmando que o país enfrentaria uma resposta “muito forte” caso sua liderança reprimisse violentamente protestos internos ou desafiasse interesses americanos.

Essa postura reforça um padrão de confrontos anteriores, incluindo ataques dos EUA a instalações iranianas que já ocorreram no ano anterior. A persistente retórica de Trump mantém as tensões altas no Oriente Médio, região crítica para a estabilidade global.

Cuba: colapso econômico e pressão

Embora Trump tenha declarado que Cuba poderia “cair por si só” devido à perda de apoio petrolífero da Venezuela, ele também insinuou que a ilha estaria sob maior pressão diplomática e econômica. A política americana em relação a Havana historicamente variou entre isolamento e tentativas de mudança de regime, e agora voltou a ganhar destaque na agenda de Washington.

A menção a Cuba, um país com profundas ligações políticas e históricas na América Latina, reacende temores de novos embates na região caribenha e engrossa o coro de líderes que veem a retórica dos EUA como uma ameaça direta à soberania nacional.

Repercussões e riscos geopolíticos

A ampliação das ameaças de Trump logo após a operação na Venezuela gerou críticas internacionais e levantou questões sobre a legalidade e legitimidade da política externa dos EUA. Governos europeus, latino-americanos e organizações multilaterais expressaram preocupação com o que consideram uma postura unilateralista e agressiva, capaz de desestabilizar alianças e relações diplomáticas estabelecidas.

Especialistas alertam que a escalada verbal pode não se traduzir imediatamente em ações militares, mas já altera profundamente o ambiente geopolítico, com potenciais impactos em comércio, segurança regional e cooperação internacional.

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