União Europeia suspende produtos de origem animal do Brasil

Medida entra em vigor nesta quinta-feira (3) e suspende produtos do Brasil como carne bovina e mel por falta de garantias sobre regras sanitárias

03 set, 2026
Foto destaque: Carne bovina fica mais cara nos mercados brasileiros (Reprodução/Globo)
Foto destaque: Carne bovina fica mais cara nos mercados brasileiros (Reprodução/Globo)
Vitrine refrigerada de um açougue com várias peças de carne bovina fresca penduradas em ganchos de ferro

A União Europeia decidiu suspender, nesta quinta-feira (3), a importação de carnes e outros produtos derivados de animais criados no Brasil. A decisão afeta exportações de produtos como ovos, mel e pescados e, principalmente, a de carne bovina e aves.

A medida acontece após o mercado europeu analisar que o Brasil não mostrou garantias suficientes de que cumpre as regras sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção dos alimentos. A suspensão já havia sido anunciada pela Comissão Europeia anteriormente e entrou em vigor nesta quinta-feira.

Isso não significa que o bloco europeu tenha identificado contaminação nos produtos brasileiros ou esteja passando por um surto sanitário nos países do continente. O motivo argumentado pela União é que faltam comprovações de que o Brasil seguiu todos os protocolos necessários para o cumprimento das regras europeias.

O que muda nas exportações

Diante da suspensão, exportadores de carnes e frigoríficos ficam impedidos de enviar certos produtos para os países que compõem a União Europeia enquanto valer a restrição.


Carne Vermelha é um dos produtos mais importados do Brasil
Carne vermelha é um dos produtos mais importados do Brasil (Foto: Reprodução/X/@CNNBrasil)

O mercado europeu é considerado um dos mais estratégicos para o Brasil, principalmente por pagar valores altos por cortes nobres. Nos primeiros seis meses de 2025, a Europa importou cerca de 63,7 mil toneladas de carne bovina do Brasil, movimentando um lucro de US$ 562 milhões.

Portanto, a medida que suspende as exportações pode representar uma perda considerável no setor. Líderes influentes ligados ao agronegócio estimam que a suspensão possa gerar um potencial impacto de US$ 2 bilhões por ano.

Boa parte das empresas pode optar por um redirecionamento na produção, mirando em outros mercados. Porém, isso exige novas negociações e pode provocar mudanças profundas no preço e na oferta de produtos.

Brasil busca reverter suspensão

O governo do Brasil, junto a representantes do agro brasileiro, vem buscando negociar com a União Europeia para retirar a decisão que lista o país como nação sujeita à suspensão.

Uma auditoria feita pela União que avalia setores de produção de avicultura e mel está em andamento. Dependendo do resultado, esses produtos podem ter autorização para serem comercializados antes da carne bovina.

No entanto, a situação da carne bovina pode exigir mais tempo para ser resolvida. O processo da análise exige uma comprovação de que as regras sanitárias impostas pelo país estão sendo seguidas com rigor antes de retomar as exportações.

 

 

 

 

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