Infecção pelo vírus Shamonda é identificada em humano
No dia 22 doença apenas identificada em bovinos transmitida pela picada de mosquito foi encontrada em uma pessoa pela primeira vez na França
Da família dos ortobunyavírus, o vírus Shamonda é transmitido através da picada de pequenos insetos hematófagos e era, até então, conhecido por ser identificado em animais de criação. Pela primeira vez, um caso de morte de um ser humano causada pela doença foi registrado e apenas divulgado nesta quinta-feira, dia 22 de outubro pelas autoridades da França, apesar de o caso do paciente imunossuprimido ter ocorrido no início do mês. O rapaz veio a falecer em Lyon em decorrência da grave doença, de acordo com as autoridades. Os ministérios da Saúde e da Agricultura da França comunicaram também que nunca havia ocorrido um caso de contaminação humana anteriormente.
Onde o vírus se encontra
A principal hipótese até o momento que possa explicar a infecção do paciente é que ele tenha sofrido com a picada do inseto do gênero Culicoides no leste Francês. A circulação do vírus já havia sido registrada naquela região durante a primavera de 2026, de acordo com as autoridades.
Ele havia sido identificado no fim de julho pela primeira vez no continente europeu, o que inclui a França. Desde então, ele tem se espalhado rapidamente. Atualmente, está circulando em 52 departamentos franceses entre bovinos e, em menor escala, entre ovinos em dois departamentos e equinos em um departamento de acordo com o site do G1.
Na Europa Ocidental, 14 países registraram a presença do vírus de acordo com o último boletim lançado pela ESA, ou Vigilância Epidemiológica em Saúde Animal. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisa para Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente (Inrae), as condições climáticas estão diretamente relacionadas à rápida disseminação do vírus e são favoráveis aos insetos transmissores.
Gado localizado na França (foto: reprodução/getty images embed/OLIVIER CHASSIGNOLE)
Principais preocupações e origem do vírus
O caso pode ter sido inédito, mas as autoridades se baseiam em seus conhecimentos científicos disponíveis e dizem que não há maiores riscos de contaminação da população pelo vírus de forma geral. Investigações clínicas que foram iniciadas continuam em andamento na França.
“As investigações clínicas, biológicas e epidemiológicas continuam em andamento dentro da abordagem ‘Uma Só Saúde’, que integra especialistas em saúde humana, animal e ambiental”, dizem os ministérios. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) já foram notificados sobre o caso, diz o portal do G1.
A infecção foi identificada pela primeira vez na Nigéria, em meados da década de 1960, com casos registrados apenas em bovinos na África Ocidental, Oriental e Austral, além do Japão, sendo transmitida apenas por pequenos mosquitos do gênero Culicoides, como mencionado anteriormente.
