Vitória Democrata pode refletir em relações internacionais

Com a maioria no Congresso, Democratas podem dificultar a criação de novas tarifas e fazer acordos comerciais antes impossibilitados por Trump

04 nov, 2026
O Capitólio dos Estados Unidos | Reprodução/Wikimedia Commons/Martin Falbisoner
O Capitólio dos Estados Unidos | Reprodução/Wikimedia Commons/Martin Falbisoner

Donald Trump e seu partido sofreram uma derrota ainda maior do que o esperado nas eleições de meio de mandato, que ocorreram na última terça-feira, 3. Em uma eleição surpreendente, com candidatos Democratas vencendo até em estados mais conservadores como Kansas e Texas, o partido Republicano perdeu a maioria no Senado e na Câmara. Essa mudança em quem dita as regras no Congresso pode ter consequências na política externa dos Estados Unidos.

Resultado das eleições

A perda da maioria no Congresso já era esperada por Trump. É o que aconteceu com quase todos os presidentes na história do país. Além disso, o mandatário americano passa pela pior crise de desaprovação na história de seu governo, por problemas causados principalmente pela guerra que iniciou em fevereiro de 2026.


 

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Democratas comemoram vitória no Senado (Foto: Reprodução/Instagram/@senatedems)


O que não era esperado era o tamanho da vantagem que os Democratas teriam nas eleições. Na nova composição do Senado, os Democratas, que antes perdiam por 8 cadeiras, terão 10 senadores a mais que os Republicanos. Na Câmara, a oposição também terá a maioria, apesar do número exato de deputados depender do fim da apuração. Também foi uma eleição de vitórias em redutos Republicanos como o Texas, que elegeu um senador e uma governadora Democratas, e no Kansas, onde um senador “azul” não era eleito desde 1932.

Reflexos na política internacional

Com a maioria no Congresso, os Democratas agora ditam as “regras do jogo”. Trump pode, no máximo, vetar leis, mas perderá o poder que tinha quando controlava executivo e legislativo. Isso significa que a comunidade internacional ganhará espaço para negociar novos acordos comerciais e até fim de tarifas impostas ao longo dos últimos dois anos pelo mandatário.


Ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, comemora a vitória Democrata (Foto: Reprodução/X/@joseguimaraesce)


Entre os países que mais podem se beneficiar disso está o Brasil. Quem fazia o contraponto às tarifas que Trump impunha ao Brasil era a Suprema Corte dos EUA, mas assim como o STF brasileiro, os processos podiam não correr na rapidez que o comércio demanda. Sendo assim, um Congresso Democrata pode dificultar a criação de novas tarifas que dificultem negociações entre Brasil e os Estados Unidos. Índia, Japão e Coreia do Sul também devem tentar renegociar taxas de importação e compromissos bilionários fechados com Trump.

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