Juíza federal suspende negócio de US$ 110 bilhões entre Paramount e Warner Bros

Ação de 12 estados argumenta que fusão reduz concorrência e pode prejudicar consumidores; decisão final sairá em 3 de agosto

20 jul, 2026
Logotipo da Paramount na torre d'água dos estúdios | Reprodução/X/@Variety
Logotipo da Paramount na torre d'água dos estúdios | Reprodução/X/@Variety

Uma juíza federal de Oakland, na Califórnia, determinou nesta segunda (20) a suspensão temporária da fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery, avaliada em US$ 110 bilhões (cerca de R$ 562 bilhões). A decisão atende a ação movida por 12 estados americanos, liderados pela Califórnia, que temem concentração de poder no setor de entretenimento. Uma audiência programada para 3 de agosto decidirá se a suspensão se estenderá por toda a tramitação do processo.

O negócio foi anunciado em fevereiro, e até então o Departamento de Justiça federal havia aprovado a operação. A situação criou um conflito entre instâncias: enquanto o órgão federal deu aval, procuradores-gerais estaduais argumentam que os riscos locais não foram adequadamente considerados.

Argumentos dos estados contra a fusão

Os 12 estados sustentam que a fusão enfraqueceria a concorrência no segmento de entretenimento e permitiria o aumento de preços para filmes e programas de televisão. A preocupação é que uma concentração maior de poder prejudique consumidores e criadores de conteúdo.

Os procuradores estaduais apontam ainda riscos irreversíveis caso a compra avance antes de uma decisão judicial final. Se a transação prosseguir, a Paramount poderia dar início a demissões e compartilhar informações estratégicas com a Warner, alterações que seriam difíceis de desfazer se a fusão for considerada ilegal posteriormente.


Vista aérea do logotipo da Warner Bros. no estúdio da Warner (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Justin Sullivan)


A resposta da Paramount

A Paramount rebate as acusações, afirmando que a ação interpreta mal as leis antitruste americanas. Segundo porta-voz da empresa, apurado pela Reuters:

“Estamos confiantes de que as provas demonstrarão que os argumentos antitruste dos procuradores-gerais estaduais não têm fundamento, pois os mercados que eles alegam existir e suas alegações de efeitos anticoncorrenciais não encontram respaldo na realidade dos mercados atuais.”

A empresa também sustenta que o atraso prejudicará trabalhadores do setor, já afetados por dificuldades nos últimos anos.


Logotipo da Paramount aparece em uma caixa-d’água no complexo da Paramount Studios (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Justin Sullivan)


Impacto imediato nos mercados e críticas setoriais

As ações da Paramount caíram 4% no pregão desta segunda, chegando a despencar até 9% nas mínimas. Os investidores expressam preocupação com a conclusão do acordo.

Além da resistência regulatória nos EUA, a operação enfrenta análises na Europa e Reino Unido. Atores, roteiristas e donos de cinemas também criticam a fusão por temor a cortes de vagas de trabalho e redução na produção de filmes.

O que a fusão criaria

Se aprovada, a operação reuniria sob um mesmo comando um grupo com aproximadamente 200 milhões de assinantes de streaming, segundo o G1. O portfólio integraria marcas como HBO, CNN, DC Comics, Harry Potter, Game of Thrones, CBS, Paramount Pictures e Nickelodeon, criando um concorrente global de primeiro escalão.

A estratégia da Paramount é ganhar escala para disputar melhor com Netflix e Disney em um mercado cada vez mais concentrado no streaming. A Warner traz consigo algumas das marcas mais valiosas do setor de entretenimento.

Com a conclusão da fusão, a família Ellison passaria a comandar importantes veículos de jornalismo americano, incluindo CNN, CBS News e 60 Minutes, segundo informações do G1. A decisão de 3 de agosto será crítica para o rumo do negócio.

Mais notícias