Zema propõe ajuste fiscal, promete juros de 6% e defende anistia pelo 8 de janeiro

Candidato do Novo posiciona-se contra vacinação obrigatória e critica atuação do STF em entrevista à Globo

24 ago, 2026
Romeu Zema, candidato à Presidência da República pelo Novo I  Foto: Globo/ Manoella Mello
Romeu Zema, candidato à Presidência da República pelo Novo I Foto: Globo/ Manoella Mello

O candidato do Novo à Presidência Romeu Zema concedeu entrevista à Globo nesta segunda-feira (24) nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. Exibida ao vivo pela GloboNews e transmitida no G1, a conversa abordou economia, segurança pública e temas sensíveis. Zema afirmou que, com medidas de ajuste fiscal, conseguirá reduzir a Selic de 14% para 6% ao ano, o que geraria economia anual de R$ 800 bilhões.

O caminho para juros menores

“Com um governo sério, com credibilidade, combatendo corrupção e fraudes, essa taxa cai para 6%. Só aí nós vamos ter uma economia de R$ 800 bilhões por ano”, declarou Zema. O ex-governador de Minas Gerais não especificou quais seriam as medidas concretas que compõem esse ajuste fiscal. Segundo ele, o combate à corrupção e uma gestão eficiente permitiriam a queda na taxa de juros.

Sobre remuneração mínima, Zema garantiu reposição integral da inflação. “Se tiver inflação, nós daremos toda a inflação. É um absurdo um aposentado não ter a reposição inflacionária ou, pior, ficar sem receber a aposentadoria”, afirmou. Ganhos reais, porém, dependeriam do desempenho econômico. “Garanto que ninguém vai ter perda”, disse sobre o reajuste.

Entrevistas dos seis principais candidatos

A Globo convocou os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest de 14 de agosto para uma série de entrevistas transmitidas após o Jornal Nacional. Um sorteio com presença de representantes dos partidos definiu a ordem.

O calendário é:

  • 24 de agosto: Romeu Zema (Novo)
  • 25 de agosto: Ronaldo Caiado (PSD)
  • 26 de agosto: Renan Santos (Missão)
  • 27 de agosto: Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • 28 de agosto: Flávio Bolsonaro (PL)
  • 29 de agosto: Augusto Cury (Avante)

Gestão fiscal mineira como vitrine

Zema citou sua passagem como governador de Minas Gerais para comprovar capacidade de gestão. Afirmou que assumiu o estado com déficit de R$ 11 bilhões em 2018 e deixou com superávit de R$ 5 bilhões, sem contrair empréstimos ou financiamentos durante quase 8 anos à frente. A dívida anterior, herdada dos anos 90, cresceu por juros do governo federal, segundo sua avaliação.

Durante sua administração, o estado pagou R$ 23 bilhões para aposentados inadimplentes e R$ 13 bilhões em obrigações com a União e servidores públicos. Zema argumenta que o peso da dívida sobre a economia mineira diminuiu em relação ao período anterior.

Vacinação e liberdade individual

Questionado sobre sua posição contrária à vacinação obrigatória de crianças, num contexto de surto de sarampo em São Paulo, Zema reafirmou que se vacinara contra a Covid e acredita na ciência. Recomendou que menores em Minas fossem imunizados.

Sobre obrigatoriedade, o candidato defendeu que o governo não pode perseguir famílias ou crianças por recusa. A função do Estado seria conscientizar e expandir cobertura vacinal voluntária. “Obrigatoriedade não pode ser imposta em um país democrático”, sustentou.


Zema propõe ajuste fiscal, promete juros de 6% e defende anistia pelo 8 de janeiro

Romeu Zema, César Tralli e Renata Vasconcellos nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro (Foto: Globo/ Manoella Mello)


Anistia aos condenados de 8 de janeiro

Zema defendeu anistia para os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. “Eu darei anistia ou, pelo menos, no mínimo, um tribunal que não seja político, um tribunal que seja judicial”, declarou. Classificou os julgamentos feitos pelo STF como nitidamente políticos.

O candidato fez ressalva sobre responsáveis por vandalismo e depredação, que segundo ele devem ser punidos. Afirmou ainda que vários tribunais no país priorizam política a justiça. Sobre urnas eletrônicas, disse que poderiam melhorar, mas que confia nelas. “Vale lembrar: eu sou totalmente democrata, fui eleito pela urna eletrônica, confio na urna eletrônica”, ressaltou.

Inspiração em El Salvador para segurança

Zema citou o modelo de segurança pública do presidente salvadorenho Nayib Bukele como referência. Visitou El Salvador em maio de 2025 para estudar suas políticas, conforme relatou o G1. O candidato valoriza a experiência por ter colocado criminosos em prisões.

Zema discorda da suspensão de direitos implementada por Bukele. Acredita que o Brasil pode ampliar encarceramento dentro do marco legal. Aponta a redução de homicídios em El Salvador como modelo inspirador para suas propostas de segurança.

Na questão de violência contra mulheres, mencionou expansão de delegacias especializadas e casas de acolhimento para vítimas. Também falou em tornozeleiras eletrônicas com perímetro mínimo de 200 metros da vítima, acionáveis automaticamente para alertar a polícia. Enfatizou, porém, que conscientização escolar é o aspecto fundamental.

Ao ser indagado sobre aumento de feminicídios em Minas em 2020, 2021, 2022, 2023 e 2025, Zema rebateu comparando o início com o fim de sua gestão, afirmando redução. Ressaltou que o estado tem taxa inferior à média nacional.

Patrimônio mineiro: privatizações e perspectivas

Quando perguntado sobre promessa de privatizar empresas federais apesar de não ter vendido a Cemig, Zema respondeu que comercializou 118 empresas e participações do governo mineiro. Citou negociações envolvendo participações na Light e na Companhia Brasileira de Lítio.

Privatizou a Copasa, empresa de saneamento mineira. Uma emenda à Constituição estadual exigiu apoio de três quintos da Assembleia Legislativa para alienações de estatais, votação alcançada na Copasa. A Cemig permaneceu fora do processo. Zema afirmou que Copasa e Cemig valorizaram 300% durante sua administração, atribuindo isso à ausência de corrupção e gestão profissional. Disse pretender replicar essa experiência no nível federal.

Previdência: mudanças graduais

Zema afirmou que não pretende, num primeiro momento, elevar a idade mínima para aposentadoria. Futuras alterações no sistema previdenciário ficariam condicionadas ao aumento na expectativa de vida e maior formalização do mercado de trabalho. Mudanças para rurais e militares dependeriam do ajuste fiscal, segundo ele.

O candidato reiterou prioridade em reduzir gastos, combater fraudes e corrupção. Disse querer elevar a renda do brasileiro, não aumentar sua jornada.

Educação em tempo integral

Zema prometeu multiplicar por dez o número de escolas em período integral no país. A meta de longo prazo é universalizar esse modelo. Em Minas, o número de escolas com ensino médio em tempo integral cresceu de cerca de 70 para mais de 800 durante sua gestão. Se eleito, comprometeu-se com aumento de dez vezes em quatro anos.

Citou que nações desenvolvidas mantêm crianças o dia inteiro na escola como modelo a ser perseguido.

Investimento em segurança: esclarecimento

Zema foi questionado sobre redução de investimento em inteligência de R$ 533 milhões para R$ 200 milhões em Minas, conforme reportagem do G1. Respondeu que o estado vivenciou quedas contínuas na criminalidade e considerou a rubrica relevante.

Explicou que despesas em segurança pública podem migrar para outras linhas orçamentárias e não aparecerem naquela classificação. Exemplificou com diferença entre compra de viaturas e serviços de inteligência. Afirmou que investimentos totais em segurança pública mineira cresceram ao longo de seu governo.

Operação Rejeito e responsabilidade administrativa

Zema foi indagado sobre a Operação Rejeito, ação da Polícia Federal durante sua administração. A operação identificou organização criminosa que atuava para ganhos econômicos por meio de crimes ambientais, lavagem de dinheiro e corrupção, segundo o G1. Zema manifestou repúdio aos envolvidos que recebiam recursos e destruíam o meio ambiente.

Ao encerrar, afirmou que um estado com mais de 300 mil servidores está sujeito a algumas situações indevidas. Seu governo, conforme disse, adotou todas as medidas de investigação, persecução penal, prisão e punição. Zema aparecia com 2% das intenções de voto na pesquisa Quaest de 14 de agosto.

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