Tarifaço de Donald Trump passa por mudanças

Suprema Corte decide invalidar a IEEPA e Donald Trump, em resposta aos juízes, decide impor uma tarifa de 10% global, mas que vale apenas por 150 dias

21 fev, 2026
Donald Trump | Reprodução/Getty Images Embed/ 	Anna Moneymaker
Donald Trump | Reprodução/Getty Images Embed/ Anna Moneymaker

Nesta sexta-feira (20), a maioria dos juízes concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), lei que Trump utilizava para impor o tarifaço, não pode mais ser utilizada pelo presidente por conta própria, sendo assim, fica autorizada a decadência do tarifaço de Donald Trump, vindo com uma nova tarifa global de 10%. Essa nova tarifa deixou algumas dúvidas sobre como ficariam as cobranças dos produtos brasileiros exportados do país.

Trump decidiu impor essa tarifa como uma forma de resposta aos juízes, e ela passa a valer a partir da próxima terça-feira (24), com um prazo de validade de 150 dias.

Tarifas para o Brasil

Na prática, a decisão da Suprema Corte anulou todas as tarifas aplicadas com base na IEEPA. Isso inclui as chamadas tarifas recíprocas de 10%, anunciadas em abril do ano passado, e também a sobretaxa de 40% sobre diversos itens brasileiros, anunciada por Trump em carta enviada ao presidente Lula, em julho de 2025.

Jackson Campos, especialista em comércio exterior, explica que, após a decisão do tribunal e como consequência a nova tarifa de 10% de Trump, o resultado final é essa taxa de 10% nos produtos brasileiros.

“Para a maioria dos produtos, permanece a tarifa normal do item [ou seja, as taxas já em vigor antes do tarifaço], acrescida do novo adicional temporário global de 10%”, afirma. Ele lembra ainda que aço e alumínio continuam com alíquotas de 50%, que se somam aos 10% recém-anunciados


 

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Donald Trump sobre tarifaço (Vídeo: reprodução/Instagram/@portalg1)


Para se entender melhor, acompanhe a cronologia dessas tarifas:

  • Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA.
  • Em junho, o Trump elevou as taxas sobre o aço e alumínio para 50%, com base na Seção 232 – instrumento separado do IEEPA
  • Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total de diversos itens para 50%. Porém, a lista veio cheia de exceções.
  • Em novembro, após Trump e Lula já terem iniciado algumas negociações diretas, os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas.
  • Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas, derrubando as taxas que Trump havia aplicado sobre o Brasil. Nesse mesmo dia, Trump anunciou uma tarifa global de 10%, mas que é temporária.

O vice-presidente Geraldo Alckmin comemorou a decisão, pois, segundo ele, coloca o Brasil em um nível equivalente de competitividade

“Os 10% globais são para todos. Nós não perdemos competitividade, se é 10% geral. O que estava acontecendo é que o Brasil estava com uma tarifa de 40% que ninguém mais tinha”, afirmou Alckmin.

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