Lula cobra Fachin e diz que STF não atrapalha eleições

Presidente Lula defende apuração de denúncias contra ministros do STF e diz que Fachin tem responsabilidade de blindar as eleições da crise na Corte

16 set, 2026
Luiz Inácio Lula da Silva, candidato a reeleição à presidente da República | Reprodução/Instagram/@lulaoficial
Luiz Inácio Lula da Silva, candidato a reeleição à presidente da República | Reprodução/Instagram/@lulaoficial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quarta-feira (16) que o Brasil não pode continuar “assistindo ao denuncismo” no dia a dia, sem que as apurações sobre a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) cheguem a uma conclusão. A fala foi dada em entrevista ao podcast “Desce a Letra Show”, um dia depois de uma sessão tensa na Corte, na qual se discutiu a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes e que terminou interrompida por um pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Para o presidente, cabe ao presidente do STF, Edson Fachin, garantir que o desgaste institucional não interfira no calendário eleitoral, que começa daqui a 18 dias: o primeiro turno está marcado para 4 de outubro e o segundo, para 25 de outubro. “O Fachin tem a responsabilidade de não permitir que isso atrapalhe o processo eleitoral”, afirmou Lula, que também defendeu que os envolvidos tenham direito à ampla defesa e à presunção de inocência, sem que isso signifique deixar de apurar eventuais irregularidades.

Denúncias sem resposta incomodam o presidente

Lula foi direto ao classificar como problemático o clima atual de acusações sucessivas no Judiciário, sem desfechos claros. Segundo ele, a sociedade acompanha diariamente novas denúncias envolvendo ministros da Corte, mas raramente vê esses casos chegarem a um resultado definitivo, o que alimenta a sensação de instabilidade institucional às vésperas da disputa presidencial.


A imagem mostra Flávio Dino em um ambiente interno, de pé e falando ao microfone. Ele é um homem de meia-idade, com cabelos curtos e grisalhos e óculos de armação fina. Ele está sorrindo levemente enquanto olha para fora da moldura, para a esquerda, e segura um microfone de mão em sua mão direita perto de sua boca. Ele está vestindo um paletó preto sobre uma camisa branca de botões e uma gravata listrada com listras de azul, verde, branco e amarelo. Atrás dele, há um fundo desfocado. Três bandeiras nacionais estão dispostas atrás e à direita dele, em mastros. Da esquerda para a direita: uma bandeira azul e branca (bandeira do estado do Maranhão), uma bandeira verde e amarela (bandeira do Brasil) e uma bandeira branca com um círculo preto sobre ela (bandeira do município de São Luís).

Flávio Dino | Reprodução/Instagram/@flaviodino


O presidente reforçou que a regra vale para todos, sem exceções dentro da própria cúpula do Judiciário. “Ninguém está acima da lei, nem eu, nem o Fachin, nem ministro da Suprema Corte”, disse, ao defender que as investigações sigam seu curso normal. A declaração ocorre menos de uma semana depois de Lula elogiar publicamente as primeiras medidas tomadas por Fachin para conter a crise, quando afirmou estar “satisfeito” e pediu que o presidente do STF fizesse “mais coisa” para recuperar a credibilidade da instituição.

Reforma do Judiciário e defesa de Moraes

Além de cobrar uma solução rápida para o impasse, Lula aproveitou a entrevista para retomar uma bandeira que já vinha defendendo nas últimas semanas: a necessidade de uma reforma no Poder Judiciário. Segundo ele, a sequência de episódios recentes reforçou a convicção de que o tema não pode mais ser adiado, já que existem queixas recorrentes sobre o funcionamento da Justiça brasileira e a imagem da instituição atravessa um momento de desgaste público.


Vídeo publicado por Lula em suas redes sociais (Vídeo: Reprodução/Instagram/@lulaoficial)


O presidente também criticou o bate-boca exibido durante a sessão de terça-feira (15), avaliando que o confronto entre ministros não ajuda a reputação da Corte, mas fez questão de elogiar a atuação de Alexandre de Moraes, a quem atribuiu um papel decisivo na defesa da democracia após as eleições de 2022. Para Lula, parte das críticas recentes ao ministro está diretamente ligada às decisões que atingiram o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados investigados por tentativa de golpe de Estado. “Estou confiante de que nós vamos encontrar uma saída, apurar, punir quem tiver que punir”, afirmou, defendendo ainda que a reforma institucional avance também sobre o sistema político: “A política está muito apodrecida no Brasil.”.

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