Câncer de estômago cresce entre adultos com menos de 50 anos aponta estudo

Estudo revela aumento dos casos de câncer de estômago em adultos com menos de 50 anos e reforça a importância do diagnóstico precoce

05 ago, 2026
Reprodução/Agência Brasil
Reprodução/Agência Brasil
Estudo aponta crescimento dos casos de câncer de estômago entre adultos com menos de 50 anos.

O câncer de estômago, tradicionalmente associado ao envelhecimento, tem apresentado uma mudança importante no perfil dos pacientes. Um estudo internacional publicado na revista científica Cancer Biology & Medicine aponta que a incidência da doença tem aumentado entre adultos com menos de 50 anos, enquanto os casos diminuem entre pessoas mais velhas em diversos países.

Atualmente, o câncer de estômago é o quinto tipo de tumor mais frequente no mundo, com cerca de 1 milhão de novos casos registrados anualmente. Apesar dos avanços nos métodos de diagnóstico e nas opções de tratamento, a doença ainda costuma ser descoberta em estágios avançados, reduzindo as chances de cura e contribuindo para elevados índices de mortalidade.

Os dados analisados pelos pesquisadores mostram que o Leste Asiático concentra mais da metade dos casos registrados mundialmente e quase metade das mortes relacionadas ao tumor. O estudo também destaca que o crescimento da incidência entre pessoas mais jovens tem chamado a atenção da comunidade científica e reforça a necessidade de ampliar as estratégias de prevenção e diagnóstico precoce para essa faixa etária.

Mudança no perfil dos pacientes preocupa especialistas

A pesquisa avaliou informações reunidas pelo GLOBOCAN 2022, banco de dados que reúne estatísticas sobre câncer em 185 países. Entre 2003 e 2017, foi observada uma queda geral na incidência da doença. No entanto, alguns países, como Nova Zelândia e África do Sul, além de regiões da Europa e das Américas, registraram aumento no número de diagnósticos. Os pesquisadores também identificaram uma tendência de crescimento entre mulheres.

Segundo especialistas, pessoas nascidas nas décadas de 1980 e 1990 apresentam taxas significativamente maiores da doença quando comparadas às gerações anteriores. Embora síndromes hereditárias, como o câncer gástrico difuso hereditário e a síndrome de Lynch, estejam relacionadas ao desenvolvimento do tumor, esses casos representam apenas uma pequena parcela dos diagnósticos.

A maior parte das ocorrências é considerada esporádica e pode estar associada a mudanças no estilo de vida, na alimentação, no ambiente e em fatores metabólicos. Entre os principais fatores de risco está a infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori), responsável por aproximadamente 90% dos casos de câncer gástrico não cárdia. Estudos indicam que o tratamento da infecção pode reduzir entre 40% e 50% a incidência desse tipo de tumor.

Prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais

Nas últimas décadas, melhorias nas condições de higiene, no saneamento básico e na conservação dos alimentos contribuíram para reduzir os casos da doença entre pessoas mais velhas, especialmente em países asiáticos. A diminuição do consumo de sal e o maior acesso ao diagnóstico também foram apontados como fatores importantes para essa redução.

Por outro lado, o aumento dos casos em adultos com menos de 50 anos pode estar relacionado ao crescimento da obesidade, ao refluxo gastroesofágico, às mudanças nos hábitos alimentares e às alterações no microbioma gástrico. Além disso, especialistas alertam que os tumores diagnosticados precocemente nessa faixa etária costumam apresentar características biológicas diferentes e comportamento mais agressivo.


Pessoa se pesando na balança
Reprodução/ Instagram

Outro desafio é que o câncer de estômago ainda não costuma ser uma suspeita inicial em pacientes jovens, o que faz com que muitos casos sejam descobertos apenas em fases avançadas da doença.

Além da infecção por H. pylori, fatores como tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, obesidade, dietas ricas em alimentos ultraprocessados, histórico familiar, infecção pelo vírus Epstein-Barr e algumas síndromes genéticas hereditárias aumentam o risco de desenvolvimento do tumor.

Especialistas reforçam que a principal estratégia de prevenção continua sendo a identificação e o tratamento da infecção por H. pylori. Também são recomendadas medidas como evitar o cigarro, reduzir o consumo de álcool e  manter uma alimentação equilibrada.

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