Cirurgia plástica: o que avaliar antes de realizar o primeiro procedimento? Dr. Rogério Morale explica
Dr. Rogério Morale orienta sobre os principais cuidados antes de uma cirurgia, desde a escolha do profissional até a preparação para o pós-operatório
Decidir fazer uma cirurgia plástica exige mais do que escolher qual parte do corpo deseja mudar. Antes de realizar o primeiro procedimento, é importante entender as próprias expectativas, conhecer os resultados que podem ser alcançados e avaliar se existem condições de saúde adequadas para a operação. Essas etapas ajudam o paciente a tomar uma decisão consciente e a se preparar melhor para todo o processo.
Para o cirurgião plástico Dr. Rogério Morale, tudo começa com uma conversa sincera sobre o que o paciente deseja e o que realmente pode ser feito. A cirurgia plástica pode melhorar o contorno e as proporções do corpo, mas cada pessoa tem características próprias que precisam ser respeitadas.
“O objetivo não deve ser se transformar em outra pessoa, mas buscar uma melhora que respeite a própria anatomia e preserve a naturalidade”, explica o médico.
Por isso, ter expectativas realistas é fundamental. O paciente precisa entender que cada corpo responde de uma maneira e que o resultado depende de fatores como a qualidade da pele, a estrutura óssea e a distribuição de gordura. As fotos de antes e depois encontradas nas redes sociais podem servir como referência, mas não garantem que outra pessoa terá o mesmo resultado. A iluminação, a posição do corpo e o tempo de recuperação também podem mudar a aparência das imagens.
A consulta médica é o primeiro passo
Antes de indicar uma cirurgia, o médico precisa conhecer o paciente, entender o que causa incômodo e avaliar suas condições de saúde. Durante a consulta, são analisados aspectos como a qualidade da pele, a presença de flacidez, a distribuição de gordura e o histórico clínico.
Essa avaliação é importante porque nem sempre o procedimento que o paciente deseja é o mais indicado para seu caso. Uma pessoa que pretende retirar gordura, por exemplo, pode continuar apresentando flacidez após a cirurgia. Por isso, é necessário identificar o que realmente precisa ser tratado antes de definir a melhor estratégia.
Segundo o médico, também existem situações em que o mais indicado é esperar até que o paciente tenha condições adequadas para realizar a operação. Em outros casos, pode ser necessário considerar uma alternativa diferente da planejada inicialmente.
“Não existe uma cirurgia ideal para todo mundo, existe a estratégia mais adequada para cada caso. E, em algumas situações, a melhor decisão médica pode ser não operar naquele momento”, afirma.
A saúde também precisa ser avaliada com cuidado. Problemas como diabetes, pressão alta descontrolada, anemia e doenças cardiovasculares podem aumentar os riscos da cirurgia. O médico deve saber ainda se o paciente fuma, quais medicamentos utiliza e se faz uso de hormônios ou suplementos.
Essas informações ajudam a identificar possíveis riscos e a definir os cuidados necessários antes do procedimento. Dependendo da situação, pode ser preciso controlar uma doença, realizar exames adicionais ou adiar a cirurgia. A preparação inclui os exames indicados, a avaliação anestésica e o cumprimento das orientações médicas. Medicamentos não devem ser suspensos sem orientação profissional.

Dr. Rogério Morale (Foto: Reprodução/Divulgação)
Planejamento também envolve a recuperação
Outro ponto que merece atenção é a vontade de realizar mais de uma cirurgia ao mesmo tempo. Embora essa possibilidade possa parecer mais prática, a decisão depende de uma avaliação individual. O médico precisa considerar o tempo de operação, as condições de saúde, os riscos envolvidos e os cuidados necessários durante a recuperação.
Em alguns casos, realizar os procedimentos em etapas pode ser mais seguro. A escolha deve priorizar a saúde do paciente, e não apenas a possibilidade de resolver várias questões em uma única cirurgia.
O pós-operatório também precisa fazer parte do planejamento desde o início. Antes de operar, o paciente deve entender que a recuperação exige cuidados, pode envolver limitações temporárias e demanda acompanhamento médico. Seguir as orientações, comparecer às consultas e respeitar o tempo necessário para a recuperação são atitudes importantes durante essa fase.
O Dr. Rogério Morale destaca ainda que a escolha do cirurgião plástico deve ser feita com atenção. Além de pesquisar o trabalho do profissional, é importante verificar sua formação, seu registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) e sua qualificação em cirurgia plástica. Conhecer a estrutura hospitalar onde a operação será realizada também faz parte dos cuidados.
Promessas de resultados perfeitos, garantias absolutas e pressão para fechar a cirurgia rapidamente devem ser vistas com cautela. O paciente precisa ter liberdade para fazer perguntas, esclarecer dúvidas e compreender os riscos antes de tomar uma decisão.
Para quem está pensando em realizar a primeira cirurgia plástica, o conselho do médico é não ter pressa. Pesquisar, conversar com o profissional e entender as possibilidades de cada procedimento são atitudes que ajudam a evitar decisões precipitadas. “Procure um profissional que explique tanto os benefícios quanto os riscos e que esteja disposto a dizer quando um procedimento não é indicado”, explica com detalhes.
Mais do que escolher a mudança desejada, é importante saber se a cirurgia é realmente indicada, quais resultados podem ser alcançados e quais cuidados serão necessários. Uma boa decisão começa com informação, planejamento e confiança entre médico e paciente.
