Vacina experimental contra melanoma reduz risco de retorno da doença, diz estudo

Tecnologia estimula o sistema imunológico a combater células cancerígenas, e também passará por testes para outros tipos de tumores

19 ago, 2026
Processo de vacinação. | Reprodução/Unsplash/@nappystudio
Processo de vacinação. | Reprodução/Unsplash/@nappystudio

Uma vacina experimental personalizada contra o melanoma reduziu o risco de retorno e de disseminação do câncer em pacientes que passaram por cirurgia para retirada do tumor, segundo resultados preliminares de um estudo clínico de fase 3 divulgado nesta quarta-feira (19) pelas farmacêuticas Moderna e Merck.

O tratamento

Batizada de intismeran autogene, a vacina é produzida de forma individualizada. Para isso, os pesquisadores analisam as mutações genéticas presentes no tumor de cada paciente e desenvolvem uma formulação para estimular o sistema imunológico a identificar características das células cancerígenas.

O ensaio reúne 1.137 pessoas com melanoma cutâneo que passaram por cirurgia para retirada do tumor, mas que ainda apresentavam risco de retorno da doença. Cerca de dois terços dos participantes receberam a vacina com princípio ativo do Keytruda, um imunoterápico usado no tratamento de melanoma. Os demais foram tratados apenas com o imunoterápico.

Segundo as empresas, uma análise indicou vantagem para o grupo que recebeu a combinação. Os pacientes apresentaram maior tempo sem o reaparecimento do melanoma e menor ocorrência de metástases à distância em comparação com os que foram tratados somente com o Keytruda.

A plataforma utilizada na vacina é baseada na tecnologia de RNA mensageiro, que também foi empregada pela Moderna no desenvolvimento da vacina contra a Covid-19. A pesquisa pretende expandir o uso da técnica para tratamentos que direcionam a resposta do sistema imunológico as características de diferentes tumores.


 

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Vídeo mostrando o processo da ciência de RNA mensageiro. (Vpideo: reprodução/Instagram/@moderna_tx)


Avanços e novas pesquisas

Resultados anteriores já haviam mostrado o potencial desse processo. Em um estudo de fase intermediária com pacientes de melanoma de alto risco, a combinação reduziu em 49% o risco de recorrência ou morte após cinco anos de acompanhamento, segundo dados divulgados pelas empresas.

De acordo com Moderna e Merck, o perfil de segurança observado até agora é compatível com os resultados de pesquisas anteriores, sem a identificação de novos sinais de risco. A tecnologia também está sendo investigada para outros tipos de câncer. O programa de pesquisas das empresas inclui estudos em tumores de pulmão, bexiga e rim, além de pesquisas em fases iniciais voltadas a cânceres de pâncreas e estômago.

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