Real Madrid encerra ciclo de Xabi Alonso e aposta em Arbeloa para reestruturar a temporada

A passagem de Xabi Alonso pelo comando do Real Madrid chegou ao fim nesta segunda-feira, em uma decisão que marca mais um capítulo turbulento na temporada do clube espanhol. Contratado no início do ciclo esportivo para substituir Carlo Ancelotti, o ex-meio-campista não resistiu à pressão após a derrota para o Barcelona na final da Supercopa da Espanha, no último domingo. O revés em um clássico de grande peso simbólico acabou sendo determinante para a diretoria merengue optar por uma mudança imediata no comando técnico.

Ídolo da torcida e figura respeitada dentro do clube, Xabi Alonso deixa o cargo depois de menos de oito meses de trabalho. Apesar do respaldo inicial e da expectativa criada por seu desempenho histórico no Bayer Leverkusen, onde conquistou um inédito título alemão, o treinador encontrou dificuldades para consolidar um projeto em meio a um período de transição no elenco e a resultados irregulares nas principais competições.

Comunicado oficial e números da passagem de Xabi Alonso

Em nota divulgada nas primeiras horas desta segunda-feira (12), o Real Madrid confirmou que a saída ocorreu em comum acordo. O clube destacou a trajetória do treinador como jogador e sua identificação com a camisa branca, reforçando que as portas seguirão abertas para o ex-comandante. O comunicado também ressaltou a gratidão pelo profissionalismo demonstrado por Xabi Alonso e por toda a sua comissão técnica durante o período à frente da equipe principal.

Do ponto de vista estatístico, o espanhol se despede com um retrospecto que, embora não seja negativo, ficou aquém das expectativas criadas. Foram 34 partidas no total, com 24 vitórias, seis derrotas e quatro empates. O ataque marcou 72 gols, enquanto a defesa sofreu 38. No Campeonato Espanhol, o Real ocupa a segunda colocação, quatro pontos atrás do Barcelona, enquanto na Champions League aparece em sétimo lugar na fase de liga, ainda dentro da zona de classificação direta para as oitavas de final.

Mesmo com esses números, o contexto pesou mais do que a frieza das estatísticas. A eliminação na semifinal da Copa do Mundo de Clubes, após uma goleada sofrida diante do Paris Saint-Germain, foi considerada um golpe duro logo no início da trajetória. Pouco depois, a derrota por 5 a 2 para o Atlético de Madrid no primeiro clássico de LaLiga aumentou a desconfiança em torno do trabalho.

Arbeloa assume e inicia novo ciclo no banco merengue

Para substituir Xabi Alonso, a diretoria optou por uma solução caseira. Álvaro Arbeloa, de 42 anos, foi confirmado como novo treinador da equipe principal após uma trajetória consistente nas categorias de base. No clube desde 2020 como técnico, ele acumulou passagens vitoriosas por equipes infantis e juvenis, até assumir o comando do Real Madrid Castilla em junho do ano passado. Desde então, vinha sendo tratado internamente como um nome promissor para, em algum momento, chegar ao time profissional.


Técnico Álvaro Arbeloa que treinava as categoria de base do Real Madrid (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Angel Martinez)


Como jogador, Arbeloa construiu uma história sólida no Santiago Bernabéu, atuando por sete temporadas e participando de conquistas importantes. Agora, terá o desafio de liderar um elenco pressionado por resultados imediatos e por um ambiente de cobrança intensa, especialmente após uma sequência recente de altos e baixos que culminou na primeira derrota da equipe em 2026, justamente depois de cinco vitórias consecutivas.

Além das oscilações dentro de campo, a gestão do grupo também se tornou um ponto sensível durante a passagem de Xabi Alonso. Decisões táticas e escolhas de escalação passaram a ser questionadas por torcedores, imprensa e até por integrantes do elenco, criando um clima de instabilidade nos bastidores. Esse cenário acelerou o processo de desgaste e tornou a mudança praticamente inevitável.

Com Arbeloa no comando, o Real Madrid inicia uma nova etapa em meio à temporada, apostando na identificação do novo treinador com a cultura do clube e em sua experiência recente na formação de atletas. A expectativa da diretoria é que a transição traga mais equilíbrio ao ambiente e permita ao time retomar a confiança para seguir competitivo tanto em LaLiga quanto na Champions League, onde ainda há objetivos relevantes em jogo.