Brasileiros gastam R$ 20 bilhões por mês em apostas online

Nos primeiros oito meses de 2024, os brasileiros movimentaram cerca de R$ 20 bilhões por mês em apostas online, segundo dados levantados pelo Banco Central nesta terça-feira (24). A prática, que já envolve cerca de 24 milhões de pessoas físicas, passará por regulamentação a partir de janeiro de 2025, o que promete trazer mais controle e fiscalização ao setor.


Apostas online movimentam bilhões de reais no Brasil em 2024 (Foto: reprodução/Rawel/Freepik)

As apostas online têm crescido de forma acelerada no Brasil, com valores surpreendentes sendo movimentados todos os meses. De acordo com um levantamento recente do Banco Central, os brasileiros gastaram cerca de R$ 20 bilhões por mês em jogos de azar e apostas online entre janeiro e agosto de 2024. Esse valor é impulsionado por 24 milhões de pessoas físicas que realizaram, pelo menos uma vez no período, uma transferência via Pix para participar das apostas.

Perfil do apostador

O estudo mostrou que o perfil do apostador é diversificado, com destaque para os jovens entre 20 e 30 anos, embora a prática se espalhe por várias faixas etárias. Curiosamente, o valor médio das transferências aumenta com a idade. Enquanto os mais jovens gastam cerca de R$ 100 mensais em apostas, apostadores mais velhos chegam a ultrapassar R$ 3.000 por mês.

Essa participação massiva se dá, em grande parte, pela facilidade de pagamento via Pix, que eliminou barreiras para a entrada dos apostadores nos sites de jogos. No entanto, a ausência de uma regulamentação mais rígida até o momento tem gerado preocupações, principalmente em relação à lavagem de dinheiro e ao controle dos gastos dos usuários.

Regulamentação prevista para 2025


Governo promete fiscalização com a regulamentação das apostas online (Foto: reprodução/Master1305/Freepik)

Com a aprovação de uma lei no final de 2023, o governo estabeleceu novas regras para as apostas online, que entram em vigor em janeiro de 2025, as casas de apostas terão que estar hospedadas no Brasil, facilitando o monitoramento e a fiscalização, segundo o governo.

Régis Dudena, secretário de prêmios e apostas do Ministério da Fazenda, destacou em entrevista ao programa Fantástico que a regulamentação permitirá ao governo um controle mais eficaz sobre os meios de pagamento utilizados pelos apostadores e sobre os valores movimentados pelas casas de apostas. Ele ainda ressaltou que “haverá regras de proteção ao apostador, além de medidas para combater a lavagem de dinheiro no setor”.

Impactos e expectativas da regulamentação

Com as novas diretrizes, o governo espera não apenas melhorar a fiscalização das apostas online, mas também ampliar a arrecadação de impostos, uma vez que as casas de apostas estarão sujeitas a tributos. Hoje, a maioria dos sites opera de fora do país, dificultando a cobrança de taxas e impostos sobre os lucros gerados no Brasil.

O relatório do Banco Central ainda será aprofundado para trazer mais detalhes sobre o impacto econômico e social das apostas online no Brasil. O estudo foi solicitado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), que tem buscado trazer mais transparência para o setor.

Diretor do Banco Central da Colômbia critica possível alta da Selic no Brasil

O cenário de política monetária no Brasil tem gerado preocupação internacional, com críticas vindas de autoridades estrangeiras sobre a possibilidade de aumento na taxa Selic logo após um ciclo de cortes. Mauricio Villamizar, diretor do Banco Central da Colômbia, afirmou que o Brasil se tornou “um exemplo a não seguir” em termos de política econômica. Durante um evento recente, Villamizar destacou que a reversão nas taxas de juros não é uma estratégia saudável, defendendo que o aumento das taxas após reduções recentes pode prejudicar a estabilidade econômica.

Com um PhD em economia pela Universidade Georgetown, ele argumenta que mudanças abruptas na política monetária podem criar incertezas e dificuldades para manter o crescimento econômico sustentável. Ainda criticou a possível guinada na política monetária brasileira, destacando que a expectativa de um novo aumento nas taxas, após interrupções nos cortes de juros, como ocorreu também no Peru e no México, não deve ser considerada uma medida prudente.


Villamizar disse que mudanças abruptas nas políticas monetárias não são saudáveis para a economia (Foto: reprodução/Getty Images Embed/
Eleganza)


Política monetária e sustentabilidade econômica

Villamizar enfatizou a importância de adotar estratégias monetárias que promovam o crescimento sustentável a longo prazo. Ele sugere que o foco principal das autoridades monetárias deve ser a criação de condições que permitam o crescimento econômico mais estável e prolongado. Para ele, o aumento das taxas de juros logo após um ciclo de cortes não apenas impede esse crescimento, mas também gera retrocessos que poderiam ser evitados com uma política mais consistente.

A situação no Brasil serve de alerta para outros países da região. O diretor do BC colombiano, pressionado internamente pelo presidente Gustavo Petro para acelerar cortes nas taxas de juros, vê o Brasil como um exemplo do que não fazer. Petro, que recentemente defendeu a redução da taxa básica na Colômbia para liberar recursos para o orçamento do governo, citou a postura do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que indicou uma possível mudança na política de juros nos Estados Unidos, provavelmente em setembro.

Contexto Regional e a influência internacional

As declarações de Villamizar reforçam o debate sobre a condução da política monetária na América Latina, onde os desafios econômicos variam entre países, mas os efeitos das decisões de grandes economias, como o Brasil, são amplamente sentidos. A Colômbia, que também enfrenta pressões inflacionárias, está observando de perto as decisões de seus vizinhos e as repercussões que elas podem ter em seu próprio cenário econômico.

A crítica ao Brasil, no entanto, também destaca a necessidade de maior coordenação e comunicação entre os bancos centrais da região, buscando políticas que não apenas combatam a inflação, mas que também promovam o crescimento econômico de forma sustentável e coerente. O discurso dele, portanto, não é apenas uma crítica isolada, mas parte de um diálogo mais amplo sobre as melhores práticas de política econômica na América Latina.