OMS emite alerta sobre possível novo surto de Chikungunya

Durante a manhã desta quarta-feira (23) o OMS emitiu um alerta para o risco global de disseminação da Chikungunya. Vale ressaltar, que as diretrizes da instituição detectaram os indícios de uma epidemia precoce há duas décadas. Desse modo, a doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti se tornou pauta mundial por conta da possibilidade de retornar em mais um grande surto.

A OMS é uma agência compromissada com a tentativa de alcançar uma melhor saúde para todos. Ou seja, eles atuam combatendo doenças transmissíveis e não transmissíveis. Assim, eles direcionam e coordenam a saúde internacional dentro do sistema das Nações Unidas para se dividirem em áreas como: sistemas de saúde, cursos de vida, preparação, vigilância e resposta e serviços corporativos.

OMS traz alerta sobre possível infestação de Chikungunya

Em alguns casos a Chikungunya é transmitida pelo Aedes albopictus ou pelo famoso Aedes aegypti –o mesmo mosquito que transmite a Dengue, a Zika e a Febre Amarela. Além disso, os sintomas que acompanham a doença são compostos por febre e intensas dores articulares nas pessoas infectadas. Em alguns casos essas dores podem debilitar uma pessoa ou causar uma consequência fatal.

Segundo uma matéria da revista O Globo, uma representante da OMS, apresentada como Diana Rojas Alvarez, esclareceu que a doença transmitida por mosquitos não é uma doença amplamente conhecida. Porém, a enfermidade foi detectada em 119 países, colocando cerca de 5,6 bilhões de pessoas em risco ao redor do mundo. Além disso, Rojas fez questão de lembrar em uma coletiva de imprensa em Genebra que em um período entre 2004 e 2005 o Oceano Índico foi infestado por uma grande epidemia que atingiu territórios pequenos antes de se espalhar globalmente e infectar quase meio milhão de pessoas.

Desse modo, a representante da OMS enfatizou que a agência observa o mesmo padrão se repetir desde o início de 2025 após Reunião, Mayotte e Maurício, três ilhas do Oceano Índico, relatarem novas vítimas em grande escala infectadas pela Chikungunya.

Como diferenciar a Chikungunya das demais doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti

Nesse ritmo, a agência da OMS estima que um terço da população de Reunião apresenta sintomas da doença transmitida pelos mosquitos tropicais. Ainda de acordo com a empresa de saúde, as semelhanças entre os sintomas da Chikungunya, da Dengue e do Zika vírus, dificultam o diagnóstico do problema já que ambas são responsáveis por causar: febre alta; dores intensas nas mãos, pés, tornozelos, pulsos e nas demais articulações; dores musculares; dor de cabeça; manchas vermelhas na pele (conhecidas como exantema) e coceira.


Brasil inaugura a maior fábrica de Wolbachia do mundo em combate contra à dengue, zika e chikungunya (foto: reprodução/Instagram/@minsaude)


No entanto, segundo o Ministério Brasileiro de Saúde, a Chikungunya se destaca por causar dores nas costas, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, conjuntivite não-purulenta, náuseas, vômitos, dor de garganta, calafrios, diarreia e dor abdominal. Ademais, é importante esclarecer que no Brasil, esse arbovírus é transmitido pela fêmea do mosquito Aedes aegypti e que a doença pode evoluir em três fases conhecidas como febril ou aguda (com duração de 5 a 14 dias), pós-aguda (de 15 a 90 dias) e crônica (após 90 dias de infecção) onde a artralgia (dor nas articulações), pode permanecer.

Anvisa autoriza registro de vacina contra chikungunya

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o pedido de registro definitivo da vacina contra a chikungunya produzida pelo Instituto Butantan em São Paulo. A medida foi efetuada pelo Diário Oficial da União na última segunda-feira (14) e possibilita a aplicação do imunizante em todo o país à população maior de 18 anos. 

Problema endêmico

Países da América do Sul como Brasil, Bolívia, Argentina e Paraguai foram os países mais atingidos pela doença, que afetou mundialmente 620 mil pessoas no ano de 2024. Pela primeira vez, a vacina para a chikungunya foi autorizada, um pedido antigo, enviado à Anvisa no ano de 2023. 

O desenvolvimento da vacina foi planejado estruturalmente através de um estudo clínico na qual a proteção foi de 99,1% em indivíduos testados. Após as aplicações da vacina teste, a detecção de anticorpos neutralizantes foi observada em 100% dos voluntários que tiveram infecção e em 98,8% dos que não tiveram contato anterior com o vírus.


Anúncio oficial do Instituto Butantan (Reprodução/X/@butantanoficial)

Para o governo do estado de São Paulo, a vacina continua sofrendo alguma alteração para a maior compatibilidade e incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento ainda vai passar por uma análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) para poder ser incrementado no SUS.

Informações sobre a chikungunya

A chikungunya é uma doença causada tanto pelo Aedes aegypti quanto pelo Aedes albopictus, ambos transmissores de outras infecções. Entre seus sintomas, podem incluir febre maior que 38,5 °C, fortes dores nas articulações de mãos e pés, dores musculares, náuseas e marcas vermelhas sobre a pele. Atualmente, o tratamento receitado para o combate à doença é repouso, muita hidratação e determinados analgésicos para aliviar as dores causadas pela chikungunya, muito semelhantes e confundidos com a dengue, doença que é uma das causadas pelo Aedes aegypti.

Brasil tem mais de 250 mil casos de chikungunya

Segundo o secretário adjunto da Vigilância em Saúde, Rivaldo Venâncio, no cenário atual de arboviroses no Brasil, a chikungunya vem ganhando maior importância nacional, devido 254.095 casos prováveis, além de 161 mortes confirmadas, e mais 155 em investigação.

Apesar do número alto, Rivaldo relata que diversas semanas foram averiguadas, em torno de dez seguidamente, e houve um decréscimo no número de casos de dengue. O comentário ocorreu em Brasília, na reunião da Comissão Intergestores Tripartite.

Transmissão e grupos afetados

A transmissão da dengue, assim como da chikungunya, ocorre por meio do mosquito Aedes aegypti, também vetor da febre-amarela e da zika.

A maior parte das infecções, 60%, ocorreu entre as mulheres. Pessoas pardas representam 66,7% dos casos, os brancos 24,4%, pretos 7%, amarelos 1,5% e indígenas 0,2%. Quanto às faixas etárias atingidas, os grupos mais atingidos são, respectivamente, de 20 a 29 anos, 40 a 49 anos, 30 a 39 anos, e de 50 a 59 anos.

Os estados com maior concentração de casos são Minas Gerais, Mato Grosso, Bahia, Espírito Santo e São Paulo, respectivamente. O número de casos em Minas chegou a 159.844. E os que menos possuem são Roraima, Amazonas, Rondônia, acre e Amapá.

Conscientização e prevenção

Com o aumento de casos, é preciso manter-se atento e conscientizar-se sobre os métodos de prevenção desta infecção que até hoje é responsável por mortes no País.

Segundo o Ministério da Saúde, é preciso que os criadouros dos mosquitos sejam eliminados nas residências, trabalhos, e na vizinhança, sendo este o método mais eficaz para prevenção. A proliferação do Aedes aegypti ocorre principalmente por água armazenada, como em vasos de plantas, garrafas plásticas, piscinas inutilizadas, e até mesmo tampas de garrafas podem causar a reprodução.


Vídeo mostrando um criadouro do mosquito Aedes aegypti (Vídeo: Reprodução/X/@carlaayres)

Ademais, é sugerido que se use calças e camisas de mangas compridas como uma forma de proteger as áreas que podem ser picadas, utilizar repelentes à base de DEET (N-N-dietilmetatoluamida), IR3535 ou de Icaridina nas partes expostas, e usar mosquiteiros.

Epidemia de dengue: auge da ação do Aedes aegypti essa semana; entenda

As doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti têm um ciclo sazonal natural de aumento e redução. E de acordo com a média da última década, o Brasil está agora no meio do período mais crítico para esse aumento. Por isso, entenda mais a respeito da doença e de como se prevenir nesse período e no resto do ano.  

Piora nos casos de doenças 

Entre a 15ª e a 17ª sétima semana do ano historicamente são os dias onde normalmente mais ocorrência de zika, dengue e chikungunya são registrados. Atualmente entramos na 16ª semana então é importante redobrar os cuidados. O alerta é divulgado pelo pesquisador Wanderson Oliveira, ex-chefe da Secretaria Nacional de Vigilância em Saúde (SVS) e epidemiologista do Hospital das Forças Armadas. Na análise que o especialista publicou na última semana acendeu-se uma preocupação com a dinâmica da doença no Brasil.

Leva-se um tempo entre a detecção do caso, com o preenchimento da ficha do paciente e a digitação dessa informação no banco de dados. Então o que a gente está visualizando hoje é um retrato de algumas semanas atrás”, afirma Wanderson Oliveira. O epidemiologista comparou os anteriores com os atuais e diz que os números inspiram bastante cautela. Desde 2023, por conta de ondas de calor e distribuição de chuvas, a situação está piorando para essas arboviroses, nome dado às viroses transmitidas por artrópodes (no caso, insetos).

Casos notificados por semana neste ano comparados à média dos 10 anos anteriores

Veja a seguir a ocorrência de dengue, zika e chikungunya em 2024 nas diferentes regiões do Brasil. Nos gráficos com os dados divulgados pelo DataSUS:


*Casos dos últimos 45 dias ainda são registros muito incompletos, e devem subir (Foto: reprodução/site/O Globo/DataSUS

Cuidados para proteção contra as doenças

Wanderson Oliveira confirma que estamos em um momento que requer atenção. Alertando para os cuidados na prevenção de focos para a proliferação do mosquito da dengue. “Dediquem uns 10 minutos por dia para procurar possíveis focos de larva do mosquito da dengue”, afirmou o especialista. Nos municípios em que a vacinação está disponível é de suma importância que os responsáveis levem as crianças para vacinar. A seguir pode-se ver algumas precauções para evitar o acúmulo de água parada:


Prevenção ao mosquito da dengue (Foto: reprodução/site/Prefeitura de Marechal Floriano)

Esses são alguns dos passos a serem seguidos para evitar problemas de saúde no futuro. Além de claro, vacinação e acompanhamento médico adequado.