Empresa portuguesa nega relação entre apagão e fenômeno atmosférico raro

Nesta segunda-feira (28), a REN, responsável pelo setor elétrico de Portugal, negou ter atribuído a causa do apagão a um fenômeno atmosférico raro. A manifestação acontece após a agência Reuters divulgar uma matéria afirmando que a REN teria relacionado o apagão a um fenômeno atmosférico raro.

Inicialmente, a “Reuters” mencionou em uma nota que uma falha na rede elétrica espanhola, associada a um fenômeno atmosférico raro, causava o blecaute elétrico em Portugal. Contudo, a empresa portuguesa desmentiu a agência e apagou o conteúdo.

Causa do apagão é “inconclusiva”

Mais cedo, Espanha e Portugal enfrentaram um apagão que durou entre seis e dez horas. O transporte público ficou parado, gerou quilômetros de engarrafamentos e atrasos em voos. Além disso, hospitais ficaram sem energia e várias pessoas acabaram presas em elevadores e no metrô.

Até o momento, as autoridades do setor elétrico da Espanha ainda não podem apontar uma causa para o apagão. Conforme declarações do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, membros do governo espanhol trabalham com a possibilidade de um ataque cibernético, entretanto, sem confirmação oficial.


Com o apagão que atingiu Portugal e Espanha, o serviço de metrô ficou interrompido por 8 horas (Foto: Reprodução/X/@metsul)

Até uma semana para normalizar

As autoridades da Espanha e Portugal estão trabalhando para restabelecer o fornecimento, mas, segundo a empresa do setor elétrico português, a REN, a normalização completa pode levar até uma semana.

Essa demora acontece devido à complexidade do problema. Entretanto, medidas emergenciais estão sendo tomadas para minimizar os impactos, como o uso de geradores em hospitais e a suspensão de serviços ferroviários. Em Madri e Barcelona, a operação de metrô foi interrompida por 8 horas, e em Lisboa, até o momento, não havia nenhuma linha metroviária em funcionamento.

Histórico de apagões em Portugal

Apesar de possuir uma rede elétrica moderna, Portugal registra um grande apagão há 20 anos. Em maio de 2000, um dos episódios mais marcantes ocorreu depois que uma cegonha atingiu uma linha de alta tensão na subestação de Rio Maior, causando um blecaute que deixou metade do país às escuras por cerca de duas horas. Segundo funcionários da companhia elétrica, o sistema de proteção da EDP falhou em isolar o problema, e o incidente ficou conhecido como o “apagão da cegonha”.

Enquanto isso, em julho de 2021, outro apagão foi provocado por um hidroavião. A aeronave atingiu uma linha de alta tensão na França, desconectando temporariamente a Península Ibérica do restante da Europa. Esse evento afetou Portugal, Espanha e França, interrompendo serviços essenciais — muito parecido com o de hoje (28), e deixando cerca de 406 mil pessoas sem energia.

Governo venezuelano diminui jornada de trabalho devido à seca

O governo da Venezuela diminuiu a jornada de trabalho do serviço público. O expediente, que antes era de 40 horas semanais, agora passa para somente 13,5 horas. Isso significa que os funcionários trabalharão três vezes na semana, das 8h às 12h30. A medida foi tomada, conforme as autoridades, devido à emergência climática que causa a redução dos reservatórios andinos, essenciais para a produção de eletricidade. A ideia da norma está em fazer a população trabalhar menos para economizar água, já que há uma escassez de recursos hídricos na Venezuela.

A medida entrou em vigor nesta segunda-feira (24), e o Ministério da Energia Elétrica da Venezuela informou que se estenderá pelas próximas seis semanas, com possibilidade de renovação. As instituições governamentais venezuelanas reduziram o seu horário de expediente. Isso engloba funcionários das instituições públicas, incluindo os gabinetes dos presidentes de câmara, gabinetes dos governadores, ministérios e os ramos do governo. Também foi implementado um regime de trabalho “1×1”, que se baseia em um dia de trabalho seguido por um dia de folga.


População venezuela terá que reduzir consumo de energia elétrica (Foto: reprodução/AFP)

Especialistas

De acordo com apuração do g1, especialistas relacionam a crise no setor à negligência, corrupção e falta de investimentos. “O governo sempre usa desculpas grosseiras como causas meteorológicas e zoológicas e sabotagens sem sabotadores”, afirmou o especialista em setor de energia José Aguilar.

Problema antigo

O governo venezuelano incentivou a população a apoiar as medidas. Ajustar a temperatura do ar-condicionado para 23 °C, aproveitar a luz natural e desligar equipamentos eletrônicos quando não estiverem em uso são algumas das recomendações do país.


Durante manifestação em março de 2019, mulher pede água e eletricidade (Foto: reprodução/Federico Parra/UOL)

Os problemas relacionados à escassez de eletricidade não são novidades na Venezuela. Em agosto de 2024, o país teve seu apagão mais longo desde 2019, quando passou por vários dias sem energia graças a um defeito no sistema elétrico que afetou todo o país.