Não é segredo para ninguém que atingir o milésimo gol é um dos grandes objetivos de Cristiano Ronaldo para o novo ano. O feito, que beira o imaginário do futebol, ganhou ainda mais força com a proximidade da Copa do Mundo de 2026. Entre torcedores mais otimistas, o roteiro ideal já está escrito: o camisa 7 alcançando a marca histórica justamente durante o maior torneio do planeta, com holofotes globais voltados para ele.
A frieza dos números, no entanto, pede cautela. Faltando 43 gols para chegar aos mil em partidas oficiais, o desafio é matematicamente possível, mas exige regularidade quase perfeita. Para que o marco seja alcançado ainda durante o Mundial, disputado entre 11 de junho e 19 de julho, Cristiano Ronaldo precisaria manter uma média superior a um gol por jogo ao longo de todo o primeiro semestre. A corrida, oficialmente, recomeça nesta sexta-feira, quando o Al-Nassr enfrenta o Al-Ahli, pelo Campeonato Saudita, no primeiro compromisso do clube em 2026.
Um calendário apertado e decisivo
Cristiano Ronaldo completará 41 anos no dia 5 de fevereiro e terá, no melhor dos cenários, entre 30 e 40 partidas até uma eventual final da Copa do Mundo. Esse número depende diretamente do desempenho do Al-Nassr nas competições continentais e do avanço da seleção portuguesa nos confrontos eliminatórios do Mundial.
Cristiano Ronaldo marcou gol de bicicleta no Campeonato Saudita (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Abdullah Ahmed)
Pelo clube saudita, o atacante tem 25 jogos garantidos até o fim da temporada nacional. Caso o Al-Nassr chegue à final da Liga dos Campeões 2 da AFC — torneio equivalente à Copa Sul-Americana no continente asiático —, esse total pode subir para 30 compromissos. Já pela seleção de Portugal, são cinco partidas asseguradas: dois amistosos em março, contra México e Estados Unidos, além dos três jogos da fase de grupos da Copa. Se avançar, Cristiano poderá disputar mais cinco confrontos eliminatórios até uma eventual decisão.
Diante desse cenário, a conta é direta: para marcar os 43 gols restantes, o português precisaria de uma média que varia entre 1,43 gol por jogo, caso atue em apenas 30 partidas, e 1,07, se estiver presente em 40 jogos. São números elevados, especialmente considerando idade, intensidade das competições e o controle físico necessário para evitar lesões.
Entre a estatística e o imaginário
Em novembro do ano passado, durante entrevista coletiva com a seleção portuguesa, Cristiano Ronaldo foi questionado se conseguia imaginar não apenas alcançar os mil gols na Copa do Mundo, mas fazê-lo justamente na final do torneio. A resposta veio em tom bem-humorado, mas carregada de simbolismo.
”Você anda a ver muitos filmes. Seria demasiado perfeito — disse, rindo. — Mas se esse filme que você disse se realizasse, eu encerrava a carreira.”
A declaração resume bem o momento do craque: consciente das dificuldades, mas sem abrir mão do sonho. Historicamente, Cristiano já provou ser capaz de desafiar projeções. Em seu ano mais artilheiro, em 2013, quando defendia o Real Madrid, marcou impressionantes 69 gols em 59 partidas, alcançando média de 1,16 por jogo. Mantendo aquele ritmo, seriam necessários 37 jogos para chegar aos 43 gols que hoje o separam do milésimo.
Aos 40, números ainda impressionam
Mesmo distante do auge físico dos 28 anos, o Cristiano Ronaldo de 40 mostrou, em 2025, que segue sendo decisivo. Ao longo da última temporada, balançou as redes 41 vezes em 46 partidas oficiais, média de 0,89 gol por jogo. Pelo Al-Nassr, foram 33 gols em 37 compromissos, enquanto com a seleção portuguesa anotou oito tentos em nove jogos.
Com o gol marcado no empate por 2 a 2 contra o Al-Ettifaq, na última terça-feira, o atacante chegou a 957 gols oficiais na carreira. Um número que, por si só, já o coloca em uma prateleira praticamente inalcançável. Se o milésimo virá na Copa do Mundo ou antes disso, ainda é uma incógnita. O que é certo é que, mais uma vez, Cristiano Ronaldo inicia um ano disposto a transformar estatísticas em história.
