O cantor Zeca Pagodinho prestou uma homenagem emocionada ao amigo e parceiro musical Arlindo Cruz, que morreu nesta quinta-feira (8) no Rio de Janeiro. A amizade entre os dois, marcada por décadas de samba, palcos compartilhados e a paixão pela Portela, deixa um legado inesquecível para a música brasileira.
Arlindo e Zeca se conheceram nos anos 1980, frequentando rodas de samba tradicionais do Rio de Janeiro, a afinidade era tão grande que se tratavam como irmãos. Mesmo após o AVC de Arlindo em 2017, Zeca manteve a presença na vida do amigo, participando de homenagens e incentivando projetos para valorizar a obra do companheiro, marcando a amizade pela lealdade e afeto genuínos.
A despedida
Em entrevistas, Zeca Pagodinho falou com pesar sobre a perda de Arlindo Cruz. “O samba chora hoje. Eu perdi um irmão de vida, de palco e de história. Arlindo foi um gênio a nossa música, um cara que carregava no peito o amor pelo samba e pela Portela. A gente dividiu rodas de samba, muito risos e também momentos difíceis,e eu só tenho a agradecer por ter tido essa amizade que vai ficar para sempre no meu coração”.
Ele relembrou ainda momentos de convivência, ressaltando a humildade e generosidade do amigo: ” Arlindo nunca deixou o sucesso subir à cabeça. Ele era daquele tipo de pessoa que sempre dava espaço para os outros brilharem, que acreditava no coletivo no samba. Vai deixar uma saudade enorme, mas sua obra é eterna.”
Histórias, sucessos e amizade
Ao longo de suas carreiras, Zeca e Arlindo se cruzaram em inúmeros momentos. Clássicos como “Meu Lugar”, “Bagaço da Laranja” e “Malandro” foram interpretados juntos em shows e rodas de samba. Arlindo participou do projeto “O Quintal do Pagodinho” e também teve composições gravadas por Zeca.
Porteleiro declarado, Arlindo compôs sambas-enredo vitoriosos para a escola e nunca escondeu o orgulho pela agremiação. Zeca, mesmo ligado a outras escolas, respeitava e admirava essa ligação, chegando a cantar ao lado do amigo em eventos especiais da Portela. Para o público, cada reencontro dos dois no palco era uma verdadeira celebração ao samba e da amizade que os unia.
