Entenda o que pode acontecer caso Donald Trump seja condenado em julgamento

Na segunda-feira (15), iniciou-se o julgamento do ex-presidente Donald Trump em Manhattan, sobre as 34 acusações criminais de falsificação de registros comerciais para esconder pagamentos feitos à estrela pornô Stormy Daniels, que afirma ter tido um caso com ele. O objetivo era evitar uma depreciação da campanha eleitoral de 2016. 

O fato é considerado inédito nos Estados Unidos, e apesar da Constituição apresentar soluções para algumas questões, a situação delicada abre margem para que decisões inesperadas sejam tomadas de acordo com o desenrolar do julgamento. 


Donald Trump realizando campanha (foto: reprodução/Alex Wong/Getty Images Embed)


O que diz a Constituição 

Segundo a Constituição americana, para uma pessoa concorrer ao cargo de presidente do país, é preciso: ter 35 anos ou mais, ter nascido nos Estados Unidos e morar no país por pelo menos 14 anos. Não há qualquer informação nas leis sobre alguém condenado ou com antecedentes criminais ser impedido de assumir a posição. 

Caso condenado pelo júri, Donald Trump pode ser preso, mas essa decisão é feita pelo juiz que definirá qual é a melhor sentença. Para as leis, o americano continuaria elegível mesmo preso, sendo estabelecido que, se for eleito e não conseguir cumprir os deveres do cargo, a autoridade é passada ao vice-presidente. 

Porém, especialistas afirmam que devido à complexidade do evento, não sabem exatamente o que pode acontecer no caso de uma possível condenação e eleição. 


Protestos contra Trump em Nova York (foto: reprodução/Drew Angerer/Getty Images Embed)


Eleitores divididos 

Apesar de Trump continuar com a campanha, os impactos de uma condenação podem ser significativos nas urnas. A Bloomberg News e a Morning Consult realizaram uma pesquisa nos estados do Arizona, Geórgia, Michigan, Carolina do Norte, Pensilvânia, Nevada e Wisconsin (decisivos na eleição), sendo que metade dos eleitores não votariam em Donald numa possível sentença.

A CNN, em levantamento feito na Carolina do Norte, informou que seis a cada 10 eleitores ouvidos consideram o ex-presidente apto para a função e também acreditam que a vitória de Biden em 2020 foi ilegítima. Isso mostra que a reação dos americanos a uma possível pena de Donald Trump iria variar de acordo com o posicionamento político adotado nesta campanha eleitoral. 

Trump causa polêmica ao sugerir que judeus americanos que votam em democratas nutrem ódio por Israel

Os recentes comentários de Donald Trump, o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, provocaram uma onda de indignação não apenas na Casa Branca, mas também entre os democratas e líderes de grupos judaicos. Em uma entrevista divulgada em seu site, Trump fez declarações controversas ao lado de seu ex-conselheiro Sebastian Gorka, sugerindo que qualquer judeu que vota nos democratas odeia a própria religião e tudo sobre Israel.

Grupos como a Liga Anti-Difamação e o Comitê Judaico Americano expressaram forte reprovação aos comentários de Trump, os quais tentaram conectar a religião às inclinações eleitorais. Em contrapartida, a Casa Branca, representada pelo porta-voz Andrew Bates, emitiu um comunicado enfatizando que não há desculpas para propagar estereótipos falsos e prejudiciais que colocam em risco a segurança dos cidadãos.

Equipe de Trump sai em defesa dele


Donald Trump causou indignação ao subentender que judeus americanos que apoiam os democratas odeiam a própria religião e Israel (Reprodução: David Becker/CNN)

Karoline Leavitt, porta-voz da campanha de Trump, defendeu suas declarações ao classificar o Partido Democrata como hostil a Israel, antissemita e simpático ao terrorismo. Apesar das críticas recebidas, a Coalizão Judaica Republicana endossou os comentários de Trump, destacando suas preocupações em relação às posições democratas.

A polêmica traz à tona críticas anteriores sobre a abordagem de Trump em questões delicadas, como sua postura diante dos protestos em Charlottesville em 2017 e suas medidas em relação a Israel durante sua gestão presidencial. À medida que as eleições presidenciais de 2024 se aproximam, a retórica de Trump continua dividindo opiniões, especialmente entre os membros da comunidade judaico-americana, que tradicionalmente tendem a se alinhar com o Partido Democrata.

Respostas políticas

Chuck Schumer, líder democrata no Senado, recorreu às plataformas digitais para criticar veementemente os comentários de Trump, os quais classificou como profundamente repugnantes, reafirmando seu compromisso com a cooperação bipartidária visando à manutenção dos laços sólidos entre os Estados Unidos e Israel. Por sua vez, Alex Floyd, porta-voz do Comitê Nacional Democrata, expressou que os judeus americanos merecem mais do que os ataques ofensivos e terríveis que Trump insiste em direcionar à comunidade judaica.