Entenda o que é o processo de embolização feito por Faustão

No último dia 26 de fevereiro, Fausto Silva (Faustão) foi submetido a um transplante renal. Apesar do procedimento ter sido bem sucedido, na última quinta-feira (14), o apresentador passou por um processo de embolização no Hospital Albert Einstein (São Paulo).

Faustão segue internado no local e não há previsão de alta, segundo sua assessoria. A fonte contextualiza que a intervenção foi feita “para resolver questões linfáticas que estavam atrasando sua recuperação“.


Faustão em vídeo publicado pelo filho nas redes sociais (Foto: reprodução/Instagram)

O que é embolização?

O procedimento auxilia na recuperação de pacientes que passaram por transplantes ao bloquear, propositalmente, o fornecimento de sangue para uma parte do corpo. A indicação é para casos nos quais há uma dificuldade de funcionamento de algum órgão do corpo do paciente. No caso de Faustão, o rim.

O procedimento é realizado por um radiologista intervencionista e, segundo Francisco Cesar Carnevale, “Trata-se de uma técnica minimamente invasiva, guiada por imagem, que pode ser indicada para diversos tratamentos“. O chefe do serviço de Radiologia Vascular Intervencionista do Hospital Sírio-Libanês, explica também que o fluído bloqueado pelo ato cirúrgico pode ser sangue arterial, venoso ou linfático.

Funcionamento do novo rim

De acordo com uma nota oficial da família do apresentador, “[…] o paciente ainda aguarda pelo início do funcionamento do órgão transplantado“. De acordo com o nefrologista do Hospital Sírio-Libanês, Elias David Neto, o rim leva, em média, de 7 a 10 dias para começar a funcionar após ser implantado.


Faustão (Foto: reprodução/Fábio Rocha/Tv Globo)

Guilherme Santa Catharina, nefrologista do Instituto do Coração e da Clínica Sartor acrescenta ainda que, em casos como o de Fausto no qual o transplante é feito de um doador falecido, não ocorre de o paciente sair da cirurgia com o enxerto já funcionando, como quando de um doador vivo.

“Quando há um transplante de coração prévio, existem outros fatores que podem fazer o rim demorar mais para funcionar e cada caso precisa ser avaliado”.

Elias David Neto, nefrologista

Além disso, Faustão realizou, em agosto de 2023, um transplante de coração, durante o qual seus rins já estavam comprometidos. David Neto explica que quando há cirurgias prévias como esta, o paciente pode levar ainda mais tempo para se recuperar.

“Está tudo ok com o rim” afirma Faustão após passar por embolização

Nessa sexta-feira (15), o apresentador Fausto Silva falou com a imprensa após passar por uma embolização. “Fiz todos os exames, está tudo ok com o rim”, disse Faustão a Lauro Jardim, do jornal O Globo. O procedimento foi feito porque o rim transplantado no dia 26 de fevereiro ainda não está funcionando.

Funcionamento do rim

Geralmente, um rim demora de sete a dez dias após o transplante para começar a funcionar. Contudo, levando em consideração a idade do apresentador, de 73 anos, e o fato de ele ter recebido um coração em agosto de 2023, é natural ter algum tipo de complicação. O diagnóstico feito depois de uma bateria de exames foi que o rim está saudável.

Às vezes demora até um mês. Tô na espera, na arte da paciência”, disse Faustão, que segue internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. De acordo com nota da família, o processo de embolização foi feito para resolver questões linfáticas que estavam atrasando sua recuperação.


Registro de Faustão com os médicos responsáveis pelo seu novo transplante (reprodução/Instagram/@faustosilvaoficial)

Entenda o procedimento da embolização

Embolização é um procedimento cirúrgico que visa bloquear o fluxo de sangue ou linfa, de maneira total ou parcial, para determinada parte do corpo. A técnica é utilizada para diversos fins, como o combate a tumores e miomas, e é pouco invasiva.

Se não ocorrer essa desobstrução com a embolização do conteúdo linfático, esse acúmulo de linfa no local promoverá uma obstrução e compressão do rim, reduzindo o fluxo sanguíneo local e acarretando problemas para o órgão transplantado, impedindo seu funcionamento”, explica Luiza Ferrari, nefrologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo em entrevista à CNN.

No caso de Faustão, a embolização foi feita para melhorar a recuperação do rim transplantado. Ao ser recebido no novo corpo, o rim pode desenvolver uma má estrutura vascular. Isso faz com que o órgão não funcione adequadamente.