EUA e Israel rejeitam nova proposta do Hamas para cessar-fogo em Gaza

O grupo Hamas apresentou uma contraproposta ao plano de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, mas tanto Israel quanto os EUA recusaram as exigências. O Hamas propôs libertar 10 reféns vivos e entregar 18 corpos de israelenses mortos em cinco etapas ao longo de dois meses em troca da soltura de mil prisioneiros palestinos e de mais ajuda humanitária.

Os Estados Unidos consideraram o plano “totalmente inaceitável”, assim como o governo israelense. A proposta original, já aceita por Israel, previa apenas duas fases, com devolução de metade dos reféns vivos e mortos durante uma trégua de 60 dias.

Exigências de Hamas complicam mediação internacional

Além do novo cronograma, Hamas exige a retirada total das tropas israelenses de Gaza e um cessar-fogo permanente até o fim do acordo temporário. Steve Witkoff, enviado especial dos EUA, disse que as novas condições favorecem o Hamas e desrespeitam o plano original. O grupo palestino rebateu, acusando o negociador de parcialidade pró-Israel.

Enquanto os impasses diplomáticos continuam, 58 reféns israelenses seguem em cativeiro, sendo que 35 estariam mortos, segundo Tel Aviv. Protestos em Israel pedem o retorno de todos e o fim da guerra.


Guerra em Gaza (Foto: reprodução/Andolu/Getty Images Embed)


Cenário humanitário se agrava em Gaza

A ONU declarou que a situação humanitária em Gaza atingiu níveis catastróficos. Apenas 30 caminhões de ajuda entraram no território neste sábado (31), muito abaixo dos 500 diários antes do conflito. O Unicef afirmou que mais de 50 mil crianças palestinas foram mortas ou feridas desde outubro.

No norte da Faixa de Gaza, o último hospital ativo fechou após ser cercado por forças israelenses. Em apenas 24 horas, 60 palestinos morreram e 284 ficaram feridos em ataques, segundo o Ministério da Saúde controlado pelo Hamas.

Trump havia sugerido que os EUA assumissem o controle da Faixa de Gaza, com reconstrução e reassentamento forçado de palestinos. A proposta causou forte reação internacional. Egito, Jordânia e Arábia Saudita rejeitaram a ideia, citando violações de direitos humanos. A ONU e a Anistia Internacional denunciaram risco de limpeza étnica e exigiram respeito ao direito de permanência do povo palestino.

Avanço do exército israelense em Rafah e ataques aéreos deixam 11 mortos em Gaza

Nesta segunda-feira (24), dois ataques aéreos israelenses mataram cerca de 11 palestinos em Gaza. Os ataques ocorreram em Rafah, no sul do enclave. Os palestinos que foram mortos esperavam por suprimentos de ajuda, segundo os médicos.

Os bombardeios atingiram locais onde a população palestina buscava itens de auxílio. Um dos ataques atingiu um ponto de distribuição de alimentos na cidade de Gaza, perto do histórico campo de refugiados de Shati, matando três pessoas. O outro ataque aconteceu perto da cidade de Bani Suhaila, no sul da Faixa de Gaza, onde oito pessoas morreram, incluindo guardas que acompanhavam os caminhões de assistência.


Palestinos deslocados buscaram refúgio seguro em Khan Younis, distrito de al-Mawasi, a oeste de Rafah, ao sul de Gaza em 22 de junho de 2024 (Foto: Reprodução/ Ahmad Salem/Getty Images Embed)


O que dizem as autoridades de Israel

Israel não comentou sobre os bombardeios e negou ataques contra iniciativas de ajuda humanitária, sugerindo que os militares causam danos aos civis ao operarem entre eles.

Quanto ao ataque aéreo em uma clínica médica na cidade de Gaza que resultou na morte do diretor do Departamento de Ambulâncias e Emergências de Gaza, o comunicado oficial afirmou que o exército israelense visava Mohammad Salah, responsável, segundo eles, pelo desenvolvimento de armamentos do Hamas.

É importante destacar que muitos profissionais de saúde foram mortos durante o conflito. O número de profissionais médicos mortos por disparos israelenses desde o início dos combates em 7 de outubro atingiu 500, incluindo o assassinato de Hani al-Jaafarawi, segundo o Ministério da Saúde.

Tanques israelenses avançam em Rafah

Em Rafah, cidade palestina situada no sul da Faixa de Gaza, o exército israelense já domina as partes leste, sul e central da cidade e continua sua incursão nas áreas oeste e norte. O relato é dos residentes que descrevem combates intensos na região.

Trégua na guerra Israel x Palestina

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, afirmou que continua comprometido com um acordo de cessar-fogo e um acordo de reféns proposto pelo presidente dos Estados Unidos em maio deste ano.

“Estamos comprometidos com a proposta israelense que o Presidente Biden acolheu. Nossa posição não mudou. Em segundo lugar, o que não contradiz o primeiro, não vamos encerrar a guerra até eliminar o Hamas”, disse Netanyahu.

A guerra entre Israel e Palestina se arrasta há oito meses sem perspectiva de acordo de paz. Apesar das mediações internacionais, um acordo de trégua ainda parece distante. Para o Hamas, o acordo de paz deve pôr fim à guerra, enquanto Israel concorda apenas com pausas no confronto até erradicar o grupo terrorista palestino.