Fraudes em vistos podem gerar proibição vitalícia de entrada nos EUA

A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil anunciou novas medidas para intensificar o combate a fraudes em vistos para os EUA e à imigração ilegal. Além disso, o governo proibirá permanentemente a entrada no país de cidadãos que apresentarem informações falsas ou tentarem obter o visto de forma irregular. Ainda, quem facilitar a entrada ou abrigar estrangeiros em situação irregular poderá responder criminalmente.

Taxa para solicitação de visto será reajustada

De forma complementar, a partir de 1º de outubro, o governo aumentará a taxa para emissão de vistos de US$ 185 (cerca de R$ 1.006) para US$ 250 (aproximadamente R$ 1.360). Chamado de Visa Integrity Fee, o reajuste integra um pacote fiscal defendido pelo presidente Donald Trump e aprovado pelo Congresso. Especialistas estimam que a arrecadação pode alcançar US$ 40 bilhões nos próximos dez anos.

Entrevista presencial volta a ser obrigatória

Turistas e viajantes a negócios terão que participar de entrevistas presenciais, mesmo aqueles que antes eram isentos. Dessa forma, o governo busca reduzir pedidos inconsistentes e analisar melhor o perfil de cada candidato. Consultores de imigração afirmam que a medida amplia a triagem e fecha brechas exploradas em processos anteriores.

Fraudes em vistos dos EUA: estudantes terão redes sociais avaliadas

Solicitantes dos vistos F, M e J, destinados a estudantes e intercambistas, deverão manter seus perfis em redes sociais abertos durante o processo. Assim, as autoridades podem verificar informações e confirmar se os candidatos cumprem os requisitos legais de entrada.

Com isso, consultores explicam que a exigência responde a casos em que brasileiros solicitavam vistos sem comprovação financeira ou sem intenção legítima de permanência.


Embaixada dos EUA no Brasil incentiva autodeportação em post (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN)

Impactos das medidas contra fraudes em vistos dos EUA

Especialistas em direito internacional destacam que o governo Trump vem adotando uma linha mais rigorosa na política migratória. Dessa forma, além de reforçar a segurança, as novas regras funcionam como instrumento de pressão diplomática, em meio às tensões entre Brasil e Estados Unidos.

Além disso, há a possibilidade de criação de novas taxas, incluindo uma modalidade premium para agilizar entrevistas, estimada em cerca de US$ 1.000 (R$ 5.410). No entanto, a cobrança segue em discussão e pode ser implementada nos próximos meses.

Como solicitar o visto

O processo de solicitação inclui preencher o formulário DS-160 no site da Embaixada, enviar foto pessoal e agendar entrevista em um dos consulados do Brasil. A partir de 2 de setembro, será necessário apresentar o recibo da nova taxa de US$ 250.

Além do passaporte válido e documentos básicos, o governo poderá solicitar que o candidato comprove renda, justifique o propósito da viagem e demonstre intenção de retornar ao Brasil após o período autorizado de estadia. Assim, o processo garante maior controle e transparência na emissão dos vistos.

Trump planeja grande operação de imigração em Chicago

O governo Donald Trump se prepara para realizar uma operação de grande escala voltada à fiscalização da imigração em Chicago. A ação deve começar na sexta-feira, 5 de setembro, e marca um novo atrito entre o presidente e cidades lideradas por democratas, que adotam políticas que limitam a cooperação com autoridades federais. Além disso, a iniciativa sinaliza um reforço na atuação federal em áreas com políticas de “santuário”.

Segundo fontes, o plano inclui o aumento do efetivo de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP). Também, outras agências federais podem participar. Veículos blindados estão sendo enviados à cidade e, caso seja necessário, a Guarda Nacional poderá atuar para reforçar a segurança.

Contexto da operação em Chicago

Chicago já recebeu operações federais de imigração durante o governo Biden. Esse aumento ocorreu principalmente após a chegada de mais imigrantes pela fronteira sul, intensificada por decisões do governador do Texas, Greg Abbott, que enviou pessoas para cidades democratas.

Durante o governo Trump, a cidade enfrentou processos federais relacionados às políticas de “santuário”. No entanto, a Justiça decidiu que o governo federal não tinha legitimidade para contestar a medida. Além disso, tentativas de suspender repasses federais foram bloqueadas.


Operação contra imigrantes ilegais nos EUA (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)

Planejamento da ação federal

As autoridades da Casa Branca afirmam que o planejamento segue em andamento. Em paralelo, negociações estão em curso para utilizar uma base naval ao norte de Chicago como centro de operações. O czar da fronteira, Tom Homan, disse que mobilizará “um grande contingente”, sem detalhar números.

Gregory Bovino, responsável pelas operações de imigração em Los Angeles, deve liderar a ação em Chicago. Por sua vez, um representante da Segurança Interna destacou que o DHS tem atuado para remover criminosos de alto risco, incluindo membros de gangues e autores de crimes graves. Dessa forma, o objetivo é proteger as comunidades americanas.

Reações políticas locais

O governador de Illinois, JB Pritzker, criticou a operação. Ele acusou o governo federal de “militarizar cidades e tentar minar a democracia”. Vale destacar que afirmou que nem seu gabinete nem o prefeito de Chicago foram consultados sobre o envio de forças federais. Segundo Pritzker, faltou coordenação com as autoridades locais.

De acordo com autoridades da Casa Branca, a operação de imigração é distinta de planos do presidente para reforçar a segurança pública em Chicago. Dessa forma, esses planos visam combater a criminalidade doméstica de forma mais ampla, semelhante às ações em Washington, D.C.