Carla Zambelli enfrenta uma nova etapa em seu processo de extradição; Entenda

Deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) enfrenta uma nova etapa em seu processo de extradição, ao solicitar, por meio de sua defesa, a conversão da prisão preventiva na Itália em prisão domiciliar ou liberdade provisória. A audiência que tratará do pedido está marcada para esta sexta-feira (1º), com acompanhamento de seu advogado no país europeu. A principal justificativa da defesa é o estado de saúde da parlamentar, que estaria sem acesso à medicação de uso contínuo desde sua prisão.

Pedido de prisão domiciliar

Zambelli, que possui cidadania italiana, foi detida para fins de extradição após o Brasil formalizar o pedido ao Ministério do Interior da Itália em 12 de junho. A solicitação foi repassada a um tribunal local, que está encarregado de avaliar a legalidade e os fundamentos do pedido brasileiro, que se baseia na condenação da parlamentar pelo crime de invasão de dispositivo eletrônico. Esse julgamento é um passo obrigatório antes da decisão final sobre a extradição.

A defesa alega que a deputada tem diversas comorbidades e que a falta de acesso aos medicamentos pode agravar sua condição em menos de 48 horas. Além disso, afirma que Zambelli não representa risco à sociedade italiana e não tem interesse em fugir do país, já que seu nome está incluído na lista de difusão vermelha da Interpol, o que limitaria sua movimentação internacional.

Apesar da alegação de perseguição política no Brasil, a defesa descartou um pedido de asilo político, justamente por Zambelli possuir cidadania italiana. A estratégia, no entanto, será usar esse argumento durante o processo para tentar garantir sua permanência na Itália, sob a justificativa de proteção dos direitos como cidadã do país.


Carla Zambelli participa de encontro junto com Jair Bolsonaro e cantores sertanejos no Palácio da Alvorada, em Brasília (Foto: reprodução/Evaristo Sa /Getty Images Embed)


Situação permanece indefinida

Se o tribunal italiano acatar o pedido de extradição, o processo segue para a etapa logística. Caberá ao Ministério do Interior italiano comunicar a decisão à Embaixada do Brasil. A partir daí, a Polícia Federal brasileira será responsável por buscar a parlamentar, definindo se o traslado será feito em voo comercial ou em aeronave oficial.

Enquanto isso, a situação de Zambelli permanece indefinida, e a audiência desta sexta-feira pode ser determinante para o rumo de sua permanência em solo italiano ou seu retorno ao Brasil.

Zambelli busca regularizar presença na Itália perante autoridades locais

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) afirmou nesta quinta-feira (5), por meio de mensagens de texto com a jornalista Natuza Nery, da Globo News, que vai se apresentar às autoridades italianas para não ser considerada foragida. 

O objetivo da parlamentar que pediu licença de seu mandato é mostrar que não quer desrespeitar as autoridades locais, bem como a necessidade legal de informar que se encontra no país. 

Quero me regularizar primeiro, para não afrontar as autoridades italianas.

Carla Zambelli

Ao jornalista Leandro Magalhães, da CNN Brasil, a deputada federal afirmou que quer se antecipar e, por isso, vai se apresentar às autoridades daquele país. “Vou declarar os meus dados para pegar os documentos. Estou aqui de boa-fé. Estou aqui por conta de uma perseguição política. Vou provar isso. Fui condenada sem provas”, declarou Zambelli à CNN Brasil. 


Zambelli afirma que não vai se curvar diante de Alexandre de Moraes, mas respeita as autoridades italianas (Foto: reprodução/YouTube/CNN Brasil)

Zambelli fugiu para a Itália após condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por ter invadido os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com a ajuda de um hacker. 

A deputada federal licenciada também informou à Nery que a razão de ter ido para a Itália foi buscar proteção contra o que ela chama de “perseguição política”. 

Condenação e roteiro da fuga

O STF condenou Zambelli a 10 anos e 8 meses de prisão em regime inicial fechado pelo seu envolvimento na invasão dos sistemas eletrônicos do CNJ. A condenada deixou o Brasil no fim de maio sem informar as autoridades brasileiras. 

A Polícia Federal (PF) afirma que a deputada viajou por terra pela fronteira com a Argentina, pegou um voo para Buenos Aires e de lá embarcou em outro voo para os Estados Unidos. Após alguns dias em solo norte-americano, embarcou para a Itália, onde está no momento. 

De acordo com a assessoria de Carla Zambelli, a deputada ainda estava na Flórida, nos EUA, na quarta-feira (4), quando o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, decretou sua prisão preventiva. 

Segundo fontes que conversaram com Natuza Nery, Carla Zambelli chegou a Roma na manhã desta quinta-feira (5), antes da inclusão de seu nome da lista de difusão vermelha da Interpol. A lista em questão é um alerta internacional para localizar e prender criminosos fugitivos de seus países. 


Jornalistas conversam sobre situação de Carla Zambelli na Central GloboNews (Foto: reprodução/X/@GloboNews)

A estratégia utilizada pela deputada federal foi sair sem alarde por via terrestre e viajar, posteriormente, por via aérea até chegar à Itália, conforme roteiro a seguir.

  • 25 de maio: Zambelli deixa o Brasil pela fronteira com a Argentina;
  • Data indeterminada: Zambelli deixa Buenos Aires em direção aos EUA;
  • 3 de junho: Zambelli faz vídeo informando que está fora do Brasil e youtuber descobre sua localização pelas imagens;
  • 4 de junho: assessoria confirma que deputada está nos EUA;
  • 5 de junho (manhã): Zambelli chega a Roma, na Itália;
  • 5 de junho (tarde): nome de Zambelli é incluído na Lista Vermelha da Interpol. 

Na Red Notice da Interpol

A PF fez o pedido da inclusão do nome de Zambelli na Lista Vermelha baseada na decisão do ministro Alexandre de Moraes. 

Agora com o nome listado, é possível prender a parlamentar fora do Brasil, seja pelas autoridades da Itália ou de outro país. 

Além da inclusão na lista, Moraes ordenou que o banco Itaú bloqueasse todas as contas e cartões de Carla Zambelli nesta sexta-feira (6). 

Carla Zambelli pode ser incluída na Difusão Vermelha da Interpol

Nesta quarta-feira (4) o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou que a deputada Carla Zambelli deve ter o seu nome enviado para a lista de foragidos internacionais. Assim, a Polícia Federal brasileira, que é a principal sede da Interpol no Brasil, será encarregada de enviar uma solitária para a inclusão do nome de Zambelli na Difusão Vermelha.

Ademais, o pedido deverá passar pela validação do Ministério da Justiça por meio da Diretoria de Cooperação Internacional e, de acordo com a CNN Brasil, a Interpol esclareceu que a cidadania italiana da deputada do PL não impede sua inserção na listagem de procurados.

Carla Zambelli, condenada a 10 anos de prisão deixa o Brasil

Caso a introdução dela no ranking de procurados seja aceita pela Organização Internacional de Policia Criminal, a política ítalo-brasileira será considerada foragida da justiça em 196 países. Por tanto, o jurista ex-político brasileiro, Alexandre de Morais, decidiu que a proposta deve ser encaminhada para a Justiça do país onde a deputada do Partido Liberal está, para agilizar o pedido e o processo de extradição de Zambelli.

A deputada federal eleita por São Paulo, foi condenada a 10 anos de prisão por invasão de dispositivo eletrônico, segundo uma denúncia que aponta Carla, como a contratante do hacker Walter Delgatti para entrar no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para cadastrar um falso mandato de prisão em nome do Ministro Moraes. Após sua sentença apurada pela CNN Brasil, a funcionária pública anunciou em suas redes sociais nesta última terça-feira (3) que saiu do Brasil para poder continuar resistindo a uma suposta perseguição política.

Zambelli divulga canais para comunicação com apoiadores

Além disso, a figura influente do Partido Liberal utilizou seu Instagram oficial para se expressar, deixando claro que sua viagem para a Europa não é um abandono do País e que ela não desistiu da sua luta. Para Zambelli, sua ação deve ser encarada com um ato de resistência que implica sua necessidade de continuar se expressando sem as amarras da suposta ditadura brasileira.


—Em seu Instagram, Carla Zambelli divulga novo projeto de troca de mensagens (foto: reprodução/Instagram/@carla.zambelli/@auriverdebrasil)


Em suas declarações para o canal Auri Verde Brasil, Carla afirmou que seus seguidores podem contar com ela mais firme e mais forte e divulgou duas propostas de redes sociais. Sendo elas: zambellibrasil.substack.com e um canal no YouTube denominado Família Zambelli. Ademais, a condenada que buscou refugou em terras europeias recebeu uma chuva de críticas nas redes sociais pela divulgação de sua chave pix, nas exibições de sua participação na conta midiática.

Alexandre de Moraes decreta prisão preventiva de Carla Zambelli

O ministro do Supremo do Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, nesta quarta-feira (04), determinou a prisão preventiva da deputada federal Carla Zambelli. O pedido feito pela Procuradoria Geral da República (PGR) na data de ontem foi aceito por Moraes. Além de ser incluída na lista vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), Zambelli teve seus vencimentos parlamentares bloqueados e, também, a solicitação de bloqueio dos seus passaportes.

A deputada federal foi condenada em maio (2025), por unanimidade pela Primeira Turma do STF, a 10 anos de prisão com a perda do mandato parlamentar. A sentença refere-se ao caso relacionado à invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documentos falsos. 

Carla Zambelli nega as acusações e entrou com pedido de recurso contra a sentença, a qual julga ser parcial. Uma vez que, segundo a deputada, não teve direito a ampla defesa e informa que a sentença se baseou na acusação do hacker Walter Delgatti, condenado no mesmo processo a 08 anos de prisão. 

Saída do Brasil 

Na data de ontem, terça-feira (03), Carla Zambelli informou que estava fora do país para a realização de tratamento médico. A deputada declarou estar nos EUA, em Miami. Ao término do tratamento, Zambelli seguiria para a Itália, onde possui cidadania. De acordo com investigações da Polícia Federal (PF), Zambelli deixou o Brasil através da fronteira com a Argentina, pela cidade de Puerto Iguazu, seguindo para a capital argentina, Buenos Aires. De lá, pegou um voo rumo a Miami.

Em entrevista exclusiva dada à CNN, Zambelli declarou que por ser cidadã italiana buscará refúgio no país e que na Itália ela é “intocável”. Ainda, segundo a deputada, a justiça brasileira poderá expedir mandado de prisão encaminhado às autoridades italianas, a qual poderá ou não acatar o pedido de prisão e extradição.


Entrevista exclusiva da deputada federal Carla Zambelli à CNN (Vídeo: reprodução/Youtube/@CNNbrasil)


Em suas falas, Zambelli reafirma ser inocente e vítima de perseguição por parte das autoridades brasileiras e adversários políticos. Reiterou, ainda, que pretende retornar ao Brasil para se defender. Contudo, atrelou sua volta ao país, quando, segundo a parlamentar, “o Brasil for uma democracia novamente”. 

Bloqueio das redes sociais 

Além das ações decretadas contra a Deputada Carla Zambelli, o ministro do STF Alexandre de Moraes solicitou, também, o bloqueio das redes sociais da mãe da deputada, Rita Zambelli, e do filho da parlamentar, João Zambelli. Em sua decisão, Mores enviou comunicado às principais Big Techs e redes sociais, como LinkedIn, Tik Tok, Meta, X, YouTube e Telegram determinando o bloqueio dessas contas, sob pena de multa diária de R$ 100 mil reais. 


Publicação sobre o mandado de prisão expedido pelo STF, juntamente com a solicitação dos bloqueios das redes sociais utilizadas por Carla Zambelli (Foto: reprodução/X/@STF_oficial)

O jornalista Gustavo Uribe, informou com exclusividade nesta tarde de quarta-feira (04), que a Deputada Carla Zambelli condenou esses bloqueios, informando que a decisão é “monocrática” e “inconstitucional”. Ainda, segundo Zambelli, ela denunciará as ações de Alexandre de Moraes em todos os lugares e essa atitude, será só o começo.

Nas redes sociais a polarização política vivida no país fomenta reações a favor e contrárias à decisão do ministro. Muitos apoiadores da parlamentar utilizaram suas redes para demonstrar apoio à Zambelli, validando o discurso de perseguição política. Agora, fica a cargo da Interpol realizar a prisão da parlamentar que pode ser ou não acatada pelo país onde Zambelli estiver e extraditá-la ao Brasil.

Miguel Gutierrez, ex-CEO das lojas Americanas, é detido na Espanha

Nesta sexta-feira (28), ocorreu a prisão do ex-CEO das lojas Americanas, formado em engenharia mecânica pela UFRJ e em economia pela UERJ, o brasileiro Miguel Gutierrez, que também possui cidadania espanhola, de 62 anos. A detenção ocorreu no continente europeu, na capital da Espanha, em Madri.

O empresário foi admitido na liderança da Americanas uma década após ser inserido na companhia, e permaneceu no cargo até o ano de 2022, após renunciar a posição de chefia. Seu nome constava na lista de procurados da Interpol, o rol de foragidos da polícia internacional, desde a data de 27 de junho, em razão da ordem de detenção preventiva, uma ação da Polícia Federal, auxiliada juntamente pela Comissão de Valores Mobiliários. Entretanto, ele ainda não havia sido localizado até o momento de sua prisão na sexta.


Ex-CEO da Americanas é preso em Madri (Foto: reprodução/Americanas Summit 2021)

Informações sobre o momento da operação

O ex-CEO, que é um dos principais investigados da ação Disclosure, havia se mudado para o país espanhol, após o início dos processos judiciais sobre fraude contábil, e, conforme divulgado pelo jornal Folha de São Paulo, segundo as investigações da PF, antes de sair do Brasil, Gutierrez liquidou diversos bens financeiros, e enviou o valor adquirido a paraísos fiscais em outros países.

No momento, ainda não se sabe para qual centro de detenção ele será encaminhado, mas sua extradição já foi solicitada pelo Ministério Público Federal. De acordo com a PF, o engenheiro e economista foi encontrado com o auxílio do Centro de Cooperação Policial Internacional. Anna Christina Ramos Saicali, uma das ex-diretoras da Americanas, também está com o nome marcado como procurada pela Interpol, e segundo informações, provavelmente se encontra no país lusitano.

Um dos maiores crimes fiscais na história do Brasil

As investigações apontam que o prejuízo é de cerca de 25,3 bilhões de reais, o qual ocasionou um processo de recuperação judicial por volta dos 50 bilhões de reais, um marco histórico e de maior proporção já registrado no país. Foram diversas ações criminosas de teor contábil, como o uso indevido de informações privilegiadas, manipulação da bolsa de valores e corrupção fiscal. Se forem condenados, os envolvidos nos esquemas fraudulentos podem até ser presos.

Em um comunicado público, a companhia anunciou que está cooperando com as autoridades, e que se isenta de quaisquer tipos de atividades ilegais, como também espera o fim das investigações para que os devidos culpados assumam as consequências diante da justiça.

Brasil pode liderar a Interpol pela primeira vez na história

Nessa terça-feira (25), acontece a eleição que decide quem irá comandar pelos próximos cincos anos a Interpol e o Brasil está pela primeira vez na disputa pelo cargo, com o delegado da Polícia Federal, Valdecy Urquiza, que atualmente exerce a função de diretor de cooperação de internacional e vice-presidente da Interpol na Américas.

O comitê executivo da agência é composto por 13 países, e os membros têm a função de selecionar os candidatos que serão submetidos à aprovação na assembleia geral da Interpol, a partir disso, os 195 países que são membros da assembleia vão decidir o próximo diretor da organização.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inclusive, ligou para alguns chefes de estados dos países que são do comitê e negociou para tentar eleger Valdecy Urquiza.


Valdecy discursando em evento (Foto: reprodução/Interpol)

Importância da candidatura de Valdecy Urquiza

O delegado da PF já vem exercendo vários cargos de destaque, o que ajuda a dar uma relevância a sua candidatura. A candidatura de Valdecy representa um grande passado para se diversificar mais a liderança da organização. Os seus anos de experiência no cenário de cooperação internacional fazem Urquiza ser visto como um candidato ideal para enfrentar desafios de grande complexidade tanto na parte de segurança quanto no combate contra o crime internacionalmente.

Com mais de 100 anos de história, o cargo mais importante da agencia nunca foi comandado por um brasileiro, a Interpol além dos Estados Unidos e também teve quatro europeus em sua liderança.

Importância dessa eleição no cenário internacional

Essa eleição para a comunidade internacional é de grande relevância, para se observar qual é a posição que a organização nos próximos anos. A vinda de um diretor brasileiro pode trazer novos pontos de vista e estratégias para o combate internacional contra o crime.

A eleição de um candidato que não pertence aos Estados Unidos ou a Europa, pode abrir um precedente muito importante em vários sentidos para a história da Interpol. E definir novas estratégias para combater o crime a nível internacional.