O governo brasileiro está acompanhando com atenção a movimentação de navios destróieres dos Estados Unidos em direção à Venezuela. Os navios enviados pelo país norte-americano estão armados com mísseis guiados e embora o cenário de intervenção militar esteja sendo avaliado pelo mundo como uma possibilidade, é pouco provável que aconteça por ora.
De acordo com a Agência Reuters, os Estados Unidos enviaram três navios destróieres de mísseis, operados pelo sistema “U.S. Aegis” em direção a costa da Venezuela, sob discurso de que as forças estão sendo enviadas para combater cartéis de drogas na América Latina. Segundo fontes ouvidas pela CNN, apesar da crescente tensão e da escalada militar que está acontecendo no momento, o governo brasileiro entende que não há um risco significativo de uma intervenção militar norte-americana, em função de uma tentativa para retirar Nicolás Maduro do poder. A atitude é interpretada mais como uma provocação de Donald Trump a Maduro do que como uma real intenção de interferência.
Provocação de Trump a Venezuela
O início da movimentação militar chamou atenção internacional, pela surpresa e também pelo desafio de Donald Trump. Porém, o Brasil observa com cautela as ações, as classificando somente como uma provocação política de Trump a Maduro. É descartado pelo governo brasileiro que as ações tenham uma natureza de intervenção militar, com objetivo de destituir Maduro de seu poder ou até mesmo ocupar território venezuelano.
O envio dos navios armados por mísseis podem ser usados tanto para realizar operações de monitoramento, quanto como uma arma de lançamento para ataques direcionados, caso a decisão seja tomada. Entretanto, fontes diplomáticas ouvidas pela CNN consolidam a tese de que uma mobilização militar, no momento, está fora dos planos e não representa um risco direto à Venezuela. A ação dos EUA é vista por analistas como uma forma de pressionar a Venezuela por meio de demonstrações de força através dos militares, ao mesmo tempo em que exploram o discurso de combate ao tráfico de drogas como uma justificativa aceitável.
Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca (Foto: reprodução/Anna Moneymaker/Getty Images Embed)
Tensão entre os dois países
A escalada verbal também foi intensa entre a Venezuela e os Estados Unidos, representados pela Casa Branca. Nesta terça-feira (19) durante declaração a imprensa, Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, classificou Nicolás Maduro como parte de um “cartel narcoterrorista”, indicando que Maduro seria um chefe em fuga que foi indiciado pelos EUA por tráfico de drogas.
Em contrapartida, Maduro reagiu indiretamente ao discurso rígido, sem citar os navios de guerra. Ele declarou que a Venezuela irá “defender nossos mares, nossos céus e nossas terras”, fazendo referência aos EUA, ao qual os chamou de uma “estranha e bizarra ameaça de um império em declínio”. As trocas verbais entre os Estados Unidos e Venezuela reforçam a percepção de um cenário de tensão política e simbólica entre os dois países, aos quais buscam demonstrar força diplomática através de discursos e provocações, mas sem necessariamente darem início a um conflito armado de imediato.
