MC Poze do Rodo é preso por apologia ao crime e associação ao tráfico no RJ

Agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) prenderam o cantor MC Poze do Rodo na madrugada desta quinta-feira (29). Os policiais encontraram Marlon Brandon Coelho Couto Silva na residência do MC no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. A polícia investiga Poze por apologia ao crime e associação ao tráfico de drogas.

Com mais de 15 milhões de seguidores, Poze ficou conhecido por músicas que retratam a vida nas comunidades e por ostentar riqueza online.

O cantor saiu algemado de casa e não respondeu às perguntas da imprensa. Ao chegar à Cidade da Polícia, limitou-se a reclamar do uso das algemas. Seu advogado, Fernando Henrique Cardoso Neves, afirmou que as acusações se baseiam em “uma narrativa antiga” e prometeu entrar com habeas corpus caso Poze não seja solto.

Shows em áreas dominadas e letras com conteúdo criminoso

A Polícia Civil afirma que o funkeiro só se apresenta em locais controlados pelo Comando Vermelho (CV) onde traficantes armados com fuzis fazem a segurança dos eventos. Segundo as investigações, esses shows funcionam como vitrine para a facção reforçar seu domínio e arrecadar fundos com a venda de drogas.

De acordo com a DRE, as músicas de Poze incitam confrontos armados entre facções rivais e glorificam o uso de armas ilegais, ultrapassando os limites da liberdade de expressão. Vídeos de um baile funk na Cidade de Deus, com traficantes exibindo fuzis durante a apresentação do cantor reforçaram as suspeitas.


MC Poze do Rodo é preso por apologia ao crime (Vídeo: Reprodução/Youtube/@g1)

Antecedentes e ostentação nas redes

Esta não é a primeira vez que Poze se envolve com a Justiça. Em 2023, a polícia incluiu o cantor como alvo na Operação Rifa Limpa, que investigava sorteios ilegais nas redes sociais. Na ocasião, a polícia apreendeu carros de luxo e joias, mas a Justiça determinou a devolução por falta de provas.

A operação também mirou Viviane Noronha, esposa de Poze, nas investigações de sorteios ilegais. A ação da Polícia Civil do Rio de Janeiro cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do casal.

Em abril deste ano, Poze do Rodo desabafou nas redes sociais sobre a demora na devolução de seus bens apreendidos durante a Operação Rifa Limpa, em novembro de 2024. Em entrevista concedida a um programa de televisão, disse ter deixado o crime para viver “uma vida tranquila”.

Mc Poze do Rodo desabafa e pede devolução dos bens apreendidos: “levaram tudo”

O funkeiro Marlon Brandon Coelho Couto Silva, criado na favela do Rodo, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, desabafou em suas redes sociais na manhã desta terça-feira (08) sobre a demora para devolução de seus bens apreendidos. Enfurecido, o funkeiro aguarda o retorno de seus automóveis luxuosos e joias ornadas a ouro desde novembro do ano passado, após ter sido alvo da “Operação Rifa Limpa”, da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

O esposo da também investigada pela operação, Viviane Noronha, ainda disparou que as autoridades querem levantar, por mais uma vez, sua pior versão. Mas que não irão conseguir, já que para ele a pior sensação do mundo é você estar sem suas coisas sem nem saber o motivo. “Simplesmente eles criaram um “migué” pra virem aqui em casa e simplesmente levaram tudo. Até agora eles não querem soltar, que loucura é essa?” declara o carioca, questionando qual lógica a justiça carioca está seguindo e se desejam transformá-lo em um monstro novamente.


Vivi Noronha, de 20 anos, esposa do Mc Poze do Rodo é investigada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro (Foto: reprodução/Instagram/@reservadavivinoronha)

Investigado por crimes de jogos de azar, associação criminosa e lavagem de capitais, o também conhecido como Pitbull do Funk utilizou um linguajar informal com palavras de ódio para pedir a devolução de seus bens materiais, que, na visão de Poze, são direitos dele. Segundo o MC, seus veículos parados que estão se acabando na poeira e seus metais preciosos foram conquistados à base de suor, luta e raça.

Revoltado com a justiça carioca

Ainda alegando que só quer o que é seu por direito, o cantor argumentou que vive em um país de “lixos de merda que só atrasa o povo“, portanto em sua visão, a polícia do Rio de Janeiro não ajuda, não colabora, não cuida e não protege seus cidadãos e o Mc faz questão de repudiar:”Devolve minhas coisas, seus sangue sugas do caralh*. Corre atrás do de vocês, p*rra. Pra que tirar de nós? Por que nós não estudamos? Por que nós somos favelados?”


Mc Poze do Rodo e Viviane Noronha se casam em 26 de Outubro de 2024 (Foto: reprodução/Instagram/@pozevidalouca)

Revoltado, o pai de cinco filhos declara que esse é o país mais podre que existe e quem era para nos defender é quem mais nos deixa com ódio no peito. “Minha vontade é de agarrar no pescoço de um e girar até ver babando sangue” externou o artista.

Horas depois, o carioca apagou os stories e postou uma nova foto chorando enquanto dizia ficar triste ao saber que até um desabafo seu pode ser usado para a justiça demorar mais no processo de devolução. Contudo, o cantor de rap, trap e hip hop agradeceu o apoio que vem recebendo de seus fãs e garantiu que irá se manter forte.

Operação Rifa Limpa

Segundo o portal Terra, a denominada “Operação Rifa Limpa”, é uma investigação que trabalha apurando influenciadores digitais em um suposto esquema ilegal de sorteios de rifas nas redes sociais. Enganando um número significativo de pessoas com rifas fraudulentas e lucrativas, esses influenciadores tiveram seus bens apreendidos durante novembro de 2024.


O MC de 26 anos, Poze do Rodo, e sua esposa são investigados pelas autoridades carioca (Foto: reprodução/Instagram/@pozevidalouca)

Em uma apuração feita pelo portal de notícias do G1, Viviane Noronha foi alvo da Operação Rifa Limpa, da Polícia Civil do Rio de Janeiro, por crimes de jogos de azar, associação criminosa e lavagem de capitais e todas as joias de poze foram apreendidas, incluindo cordões ornados com ouro.

Tendo em vista os resultados das investigações, o esquema é reconhecido por reproduzir parâmetros da Loteria Federal visando apresentar uma aparência de credibilidade e legibilidade. Porém, é utilizado um aplicativo customizado e não auditado com fortes indícios de manipulação, deteriorando a integridade dos resultados dos jogos de “sorte”.