Kamala Harris ataca Trump em seu primeiro comício de campanha

Kamala Harris realizou nesta terça-feira (23), em Wisconsin, seu primeiro comício como candidata do Partido Democrata para as eleições presidenciais de 2024. A vice-presidente de Biden conseguiu a maioria dos delegados de seu partido e foi oficialmente indicada para substituir o presidente na corrida eleitoral na noite de segunda (22). Em seu discurso, Kamala disse que escolher Trump seria uma regressão e que as eleições são “uma escolha entre a liberdade e o caos”.

Comício em Wisconsin

A vice-presidente e candidata democrata Kamala Harris discursou em Milwaukee, no Wisconsin, considerado um estado-chave para as eleições presidenciais. A candidata disse que irá vencer Trump, repetindo o feito do presidente Biden em 2020. Ela agradeceu aos delegados democratas que garantiram a sua indicação, o que ocorreu cerca de 24 horas após a desistência de Biden. Kamala Harris, recebeu o apoio de dois membros sênior do partido, os líderes Chuck Schumer e Hakeem Jeffries. Apesar de ter a maioria, Kamala ainda precisa de uma formalização por parte do comitê do partido.

Kamala voltou a atacar o candidato republicano, dizendo que durante sua época como procuradora-geral da Califórnia “lidou com muitos criminosos” e que conhecia tipos como Trump, a quem chamou de retrocesso, pois disse que o candidato está focado no passado. A frase de Kamala foi dita enquanto falava sobre o Projeto 2025, muito criticado pelos democratas e também mencionado por Biden em um evento em Las Vegas este ano. A crítica dos democratas ao Projeto atribuído à campanha de Trump é devido às mudanças no poder presidencial e às ações nele que, supostamente, prejudicariam os norte-americanos.


Kamala Harris recebeu apoio para substituir Biden na campanha presidencial (Foto: reprodução/ Loren Elliott/Getty Images embed)


A candidata lembrou ainda sobre o escândalo envolvendo a ex-atriz pornô Stormy Daniels, que recebeu pagamentos por seu silêncio como gastos de campanha de Trump em 2016. O ex-presidente foi julgado culpado por fraude e sua pena será divulgada ainda neste mês. “Prometo que coloco meu histórico à prova contra o dele em qualquer dia da semana”, comentou Kamala.
Kamala Harris também mencionou as proibições sobre o aborto, prometendo que vai voltar a colocar esse direito na Constituição americana se for eleita.“Vamos parar com as proibições contra aborto, porque acreditamos que as mulheres podem tomar decisões sobre os próprios corpos, e não ter um governo para dizer o que fazer”, disse Kamala. Atualmente, a reversão Roe versus Wade fez com que muitos estados passassem a decidir sobre o assunto.

O apoio à Kamala

Apesar de não ser considerada uma candidata muito popular, uma pesquisa da Reuters/Ipsos mostrou que a intenção de voto estava 44% para Kamala e 42% para Trump, revelando um empate técnico entre os candidatos. Um levantamento feito pela Associated Press também ouviu os delegados democratas, mostrando que Kamala alcançou a aprovação de 2.579 delegados para concorrer ao assento na Casa Branca. 

Após a desistência de Biden para a reeleição, o presidente declarou seu apoio à Kamala Harris. As lideranças democratas também falaram o mesmo. O presidente do Comitê Nacional Democrata, que coordena a estratégia para apoiar candidatos do partido em todo o país, anunciou que o nome do candidato do partido será revelado no dia 7 de agosto. Já a convenção do Partido Democrata, que oficializa quem concorrerá a eleição, está marcada para acontecer entre os dias 19 e 22 de agosto.

Joe Biden dá continuidade à sua campanha após atentado a Trump

O candidato do Partido Democrata e atual presidente norte-americano, Joe Biden, fez um discurso nesta terça-feira (15), no estado de Nevada, dando continuidade à sua campanha pela reeleição. A campanha havia sido suspensa desde que o ex-presidente Donald Trump sofreu um atentado durante um comício na Pensilvânia no último sábado (13). Biden aproveitou para condenar a violência e criticou o chamado Projeto 2025, um plano republicano para aumentar o poder presidencial e que propõe medidas controversas.

Retomada da campanha

Biden concedeu entrevista à NBC na segunda-feira (15), onde contou para o jornalista Lester Holt que se lamentava por sua escolha de palavras, quando disse que tinha que colocar Trump no alvo. Uma cruel coincidência, pois Trump quase levou um tiro fatal dias depois. O presidente americano queria dizer que Trump deveria ser o foco, pois desde o debate de junho o foco está na idade de Biden.

“A ideia de que eu sou velho. Eu sou. Eu sou velho. Mas eu sou apenas três anos mais velho do que Trump. E minha acuidade mental está muito boa”, disse o presidente Biden.

Apesar da má repercussão do debate com Trump, Biden decidiu continuar sua campanha e lembrou dos 14 milhões de votos democratas que o escolheram como candidato do partido nas eleições primárias. Porém, desde então, Biden parece não conseguir expor suas ideias de forma clara, confiando a palavra a seus assessores e chefes de comunicação. Isso fez com que o próprio partido ficasse dividido entre apoiá-lo ou sugerir outro candidato. Assim, a campanha de Biden volta seus esforços para o eleitorado negro, que sempre o apoiou.

Esforços em Nevada

Com Trump aparecendo à frente das pesquisas de opinião, Biden retomou a campanha em uma conferência em Las Vegas, na Associação de Combate ao Racismo. Biden tem um histórico com a comunidade negra. Ele trabalhou na juventude como salva-vidas em um bairro negro em Delaware, lugar onde Biden iniciou suas aspirações políticas. Biden também foi vice do presidente Barack Obama e escolheu Kamala Harris como sua vice quando foi eleito em 2021. 


Apesar dos obstáculos, Joe Biden retoma sua campanha pela reeleição (Foto: reprodução/Erin Schaff/The New York Times/Bloomberg/Getty Images embed)


De forma humorada, Biden disse que apostava todas as suas fichas na disputa e que agora entendia a piada “Se você quer um amigo em Washington, adote um cachorro”. Biden voltou a condenar o uso de violência e a falta de controle das armas de fogo no país. Ele defendeu banir o modelo AR-15, que foi usado no atentado contra Trump. Vale lembrar que os EUA possuem um altíssimo número de mortes relacionadas à armas de fogo, incluindo a de crianças.

Biden declarou que baixou a temperatura de seu discurso político, mas que isso não o impediria de falar a verdade. O candidato aproveitou a oportunidade para tecer críticas ao Projeto 2025, que, se aprovado, aumenta o poder presidencial, extingue com o departamento de educação, restringe o acesso ao aborto e abandona todas as iniciativas contra a mudança climática.

Joe Biden também celebrou a diversidade do povo norte-americano, uma nação construída por imigrantes, e que com a idade adquiriu sabedoria e que tem competência para realizar o trabalho.

Trump causa polêmica ao sugerir que judeus americanos que votam em democratas nutrem ódio por Israel

Os recentes comentários de Donald Trump, o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, provocaram uma onda de indignação não apenas na Casa Branca, mas também entre os democratas e líderes de grupos judaicos. Em uma entrevista divulgada em seu site, Trump fez declarações controversas ao lado de seu ex-conselheiro Sebastian Gorka, sugerindo que qualquer judeu que vota nos democratas odeia a própria religião e tudo sobre Israel.

Grupos como a Liga Anti-Difamação e o Comitê Judaico Americano expressaram forte reprovação aos comentários de Trump, os quais tentaram conectar a religião às inclinações eleitorais. Em contrapartida, a Casa Branca, representada pelo porta-voz Andrew Bates, emitiu um comunicado enfatizando que não há desculpas para propagar estereótipos falsos e prejudiciais que colocam em risco a segurança dos cidadãos.

Equipe de Trump sai em defesa dele


Donald Trump causou indignação ao subentender que judeus americanos que apoiam os democratas odeiam a própria religião e Israel (Reprodução: David Becker/CNN)

Karoline Leavitt, porta-voz da campanha de Trump, defendeu suas declarações ao classificar o Partido Democrata como hostil a Israel, antissemita e simpático ao terrorismo. Apesar das críticas recebidas, a Coalizão Judaica Republicana endossou os comentários de Trump, destacando suas preocupações em relação às posições democratas.

A polêmica traz à tona críticas anteriores sobre a abordagem de Trump em questões delicadas, como sua postura diante dos protestos em Charlottesville em 2017 e suas medidas em relação a Israel durante sua gestão presidencial. À medida que as eleições presidenciais de 2024 se aproximam, a retórica de Trump continua dividindo opiniões, especialmente entre os membros da comunidade judaico-americana, que tradicionalmente tendem a se alinhar com o Partido Democrata.

Respostas políticas

Chuck Schumer, líder democrata no Senado, recorreu às plataformas digitais para criticar veementemente os comentários de Trump, os quais classificou como profundamente repugnantes, reafirmando seu compromisso com a cooperação bipartidária visando à manutenção dos laços sólidos entre os Estados Unidos e Israel. Por sua vez, Alex Floyd, porta-voz do Comitê Nacional Democrata, expressou que os judeus americanos merecem mais do que os ataques ofensivos e terríveis que Trump insiste em direcionar à comunidade judaica.