Toque de recolher: prefeita de Los Angeles dá ordem após escalada de protestos contra o ICE 

A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, ordenou toque de recolher para parte do centro da cidade nesta terça-feira (10), após cinco dias consecutivos de protestos da população contra as incursões de agentes do Serviço de Imigração dos Estados Unidos (ICE, em inglês). O objetivo das operações é cumprir as cotas impostas pela Casa Branca para as prisões de imigrantes.

As manifestações começaram na última sexta-feira (6), após a administração Trump determinar uma série de operações migratórias em todo o território dos Estados Unidos. O ICE fez invasões em diversos lugares, incluindo locais de trabalho, e prendeu dezenas de pessoas.

Bass afirmou nesta segunda-feira (9) que a polícia e as autoridades locais têm sido mantidas no escuro quanto às batidas do ICE e não recebem notificações antes delas ocorrerem. Por isso, nunca sabem o que vai acontecer. 

O toque de recolher entrou em vigor às 20h desta terça-feira (0h de quarta-feira, horário de Brasília) e dura até as 6h. A circulação nas ruas ficou restrita para o pessoal autorizado e pessoas em situação emergencial. A medida deverá permanecer por alguns dias. 

O decreto abrange uma área aproximada de 2,5 km2 e afeta menos de 100 mil dos quatro milhões de habitantes de Los Angeles.

Intervenção federal

O presidente Donald Trump enviou aproximadamente 700 fuzileiros da Marinha dos EUA para reforçar a segurança na região. Os militares aguardam por ordens em uma base militar a 50 km de Los Angeles. 

Além dos fuzileiros navais, 4 mil integrantes da Guarda Nacional foram enviados com a mesma função, contra a vontade do governador da Califórnia, Gavin Newsom. 


Correspondente da Globo em Washington repercute fala do governador da Califórnia (Reprodução/X/@Rkrahenbuhl)

Newsom alertou que o presidente americano estava promovendo deportações em massa indiscriminadas e que mobilizar a Guarda Nacional coloca a segurança pública em risco. O governador da Califórnia afirmou que a democracia estava sob ataque do governo Trump. 

Donald Trump afirmou durante um discurso em uma base militar na Carolina do Norte que os protestos são uma ameaça à soberania nacional. O presidente norte-americano defendeu a operação militar na região e fez a promessa de “libertar Los Angeles”. 

Ilegalidade da operação

Desde sábado, mais de 180 prisões foram realizadas. Helicópteros da polícia sobrevoaram a cidade e oficiais de polícia intensificaram a segurança do centro de detenção onde os imigrantes estão presos. 


Los Angeles vira campo de batalha após Trump enviar tropas federais para conter manifestações (Reprodução/YouTube/Band Jornalismo)

A decisão de Trump de enviar a Guarda Nacional para Los Angeles despertou críticas das autoridades locais e estaduais. Os protestos são pacíficos em sua maioria e não justificam o envio de força militar para a cidade. 

Os protestos acontecem com mais intensidade à noite e durante a madrugada, com confrontos com a polícia, vandalismo e saques. Contudo, a prefeita Karen Bass afirma que atos violentos são casos pontuais em um pequeno grupo. 

Os senadores da Califórnia, Adam Schiff e Alex Padilla, publicaram uma nota conjunta que informa que as tropas em serviço ativo só deverão ser mobilizadas em casos de extrema necessidade, o que não é o cenário do momento. 

A Procuradoria da Califórnia protocolou uma ação na Justiça no intuito de impedir a operação militar na região. O procurador-geral Rob Bonta entende que proteger o patrimônio federal é compreensível, porém lembra que o uso das Forças Armadas para a aplicação da lei civil nas operações dos agentes do ICE é violação da lei.

Protestos em todo o país

Além de Los Angeles, outras manifestações aconteceram em outras cidades americanas, como Nova York, Chicago, Seattle, Denver, São Francisco, Atlanta, entre outras. Cartazes dos manifestantes traziam mensagens como “O povo diz: fora ICE” e “Imigrantes construíram os EUA”. 

Mesmo que mandem a polícia, cachorros ou o que for, a gente vai continuar aqui.

Marquise Howard, manifestante

Segundo o governador do Texas, Greg Abbott, membros da Guarda Nacional também foram mobilizados para vários lugares do estado nesta terça-feira (9), em resposta aos atos de protesto anunciados para esta semana. Dentre elas, o protesto “No Kings”, programado para o próximo sábado (14), em San Antonio.