Nesta quinta-feira (15), o Banco Central do Brasil (BC) decretou a liquidação extrajudicial da Reag. A corretora e distribuidora foi citada pela primeira vez na Operação Carbono Oculto, que ligou a instituição ao caso Master.
Com o novo nome de CBSF — nova denominação da Reag —, a empresa passará por um processo de liquidação extrajudicial. Trata-se de um procedimento legal pelo qual o BC encerra as atividades da instituição forçadamente, sem necessidade de recorrer à Justiça, quando são identificados graves problemas de solvência, irregularidades ou riscos ao sistema financeiro.
A medida permite que o Banco Central assuma o controle da empresa e organize a quitação de débitos e ativos, evitando que a situação cause prejuízos ainda maiores a investidores e credores.
O Banco Central afirmou que a decretação da liquidação extrajudicial foi motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN). O BC interveio porque notou que era a melhor medida possível, após ficar evidente a necessidade para garantir a continuidade das investigações, o controle do mercado e a mitigação de prejuízos.
Banco Central, CBSF DTVM/Reag e Banco Master
A decisão do Banco Central de interromper as operações da corretora Reag foi motivada pela identificação de irregularidades graves. Entre os motivos para a decretação da liquidação, o BC apontou que, em um dos fundos administrados pela empresa, foram identificadas operações consideradas atípicas e sem fundamentação econômica, conduzidas pelo Banco Master entre 2023 e 2024, em violação às normas legais e estatutárias.
A corretora Reag, por meio de alguns fundos, realizava transações em alta velocidade que faziam circular valores provenientes de empréstimos do Banco Master a empresas de fachada. Os recursos acabavam retornando ao próprio banco, porém sobrevalorizados, por meio de aplicações em CDBs do Master, conforme apontado em peças enviadas ao Ministério Público Federal. Trata-se de um possível esquema de fraude e maquiagem contábil, com potencial de inflar artificialmente os valores de mercado.
Banco Central decreta Liquidação Extrajudicial de Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliárioshttps://t.co/Aq2uODu5ly
— Banco Central BR (@BancoCentralBR) January 15, 2026
Post do Banco Central sobre liquidação do Reag/CBSF (Foto: reprodução/X/@BancoCentralBR)
De acordo com o último balanço patrimonial da CBSF (antiga Reag), o patrimônio líquido da companhia somava R$ 45,2 milhões em 30 de setembro de 2025. No mesmo período, o balanço apontou prejuízo e um problema de liquidez de R$ 431,5 milhões no trimestre encerrado em setembro.
Com isso, a decretação da liquidação extrajudicial da Reag — hoje chamada de CBSF — pelo Banco Central suspende o funcionamento da empresa e os resgates de recursos dos fundos por ela administrados, até que uma nova administradora seja definida pelos cotistas desses fundos.
Com a interrupção das atividades, o liquidante nomeado pelo Banco Central passa a analisar os ativos classificados como APS (Ativos Problemáticos de Supervisão), uma classificação técnica do BC para ativos suspensos. Dessa forma, o Banco Central terá acesso a toda a documentação dos fundos, que também poderá ser compartilhada com outros órgãos de investigação, como o Ministério Público Federal.
Mudanças da Reag/CBSF
Após ser alvo das investigações das operações Carbono Oculto e Compliance Zero, a Reag passou por uma série de mudanças. A empresa alterou sua denominação social para CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.; anteriormente, chamava-se Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.
O controlador João Carlos Mansur deixou a companhia. Mansur já havia sido alvo da Operação Quasar, que apura o uso de fundos de investimento para ocultar e blindar patrimônio, além de lavagem de dinheiro por meio de operações irregulares na cadeia de combustíveis. As investigações apontam ainda ligações com esquemas de lavagem de dinheiro do crime organizado, como o PCC, que se utilizava de fintechs e de dezenas de fundos de investimento.
Post da Reag sobre mandados de busca e apreensão em suas respectivas sedes no âmbito da Operação Carbono Oculto (Foto: reprodução/Instagram/@reaginvestimentos)
Como parte do processo de reestruturação promovido pela Reag, a empresa vendeu a gestora Empírica Holding para a SRM Asset, holding da Smart Hub. Portanto, a Reag vendeu a empresa Empírico para a SRM Asset e a Smart Hub é dona da SRM Asset.
Além disso, uma parcela significativa da carteira do grupo — que já operava sob a denominação CBSF — teve seu controle transferido. Em uma transação iniciada em setembro do ano passado e concluída em 5 de janeiro deste ano, a B100, holding da Planner Corretora, adquiriu da Reag quase todas as operações da CBSF. No entanto, ficaram de fora do negócio as atividades da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, empresa cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central.
Resumo caso Master
Para concluir, o caso Master: o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial da instituição em 18 de novembro de 2025, encerrando suas atividades devido a uma crise de liquidez e sinais de irregularidades financeiras.
A Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraude bilionária, incluindo a emissão de títulos de crédito falsos, manipulação contábil e venda de carteiras de crédito fictícias. O controlador do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso preventivamente e, posteriormente, foi liberado com tornozeleira eletrônica, permanecendo sob investigação.
Mais de 1,6 milhão de clientes foram afetados, com dezenas de bilhões de reais em depósitos e títulos — muitos dos quais serão cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o caso pode ser a maior fraude bancária da história do Brasil.
