O Sistema Cantareira, responsável por parte significativa do abastecimento da capital paulista e da Região Metropolitana de São Paulo, voltou ao centro das atenções após registrar um dos menores volumes dos últimos anos. Dados analisados pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontam que a combinação entre chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas em 2025 reduziu de forma expressiva a capacidade de recuperação dos reservatórios.
Segundo o levantamento, o total de chuvas acumuladas na bacia do Cantareira ficou abaixo de 900 milímetros ao longo do ano passado, índice inferior ao observado durante a crise hídrica de 2014 e 2015. Com isso, o volume útil do sistema chegou a patamares próximos de 20%, acendendo um alerta para os impactos no abastecimento ao longo de 2026, mesmo em cenários considerados climáticos favoráveis.
Cenários projetados indicam recuperação limitada
Simulações realizadas pelo Cemaden consideraram diferentes cenários de precipitação para 2026, incluindo volumes dentro da média histórica e reduções de até 50%. Em todos eles, o sistema apresentou dificuldade para retomar níveis considerados seguros. Mesmo com chuvas regulares, a recuperação seria lenta e insuficiente para afastar o risco de restrições no fornecimento de água.
O Sistema Cantareira é formado por sete reservatórios interligados e abastece cerca de 8 milhões de pessoas. Quando o volume total fica abaixo de 30%, entram em vigor regras operacionais mais restritivas. Atualmente, a vazão de retirada de água foi reduzida, o que representa centenas de milhões de litros a menos disponíveis diariamente para o abastecimento da população.
Impactos operacionais e reflexos no consumo
A redução na vazão afeta diretamente a pressão na rede de distribuição, principalmente em áreas mais altas e regiões periféricas da capital e de municípios vizinhos. Técnicos alertam que, caso o nível dos reservatórios continue em queda ou não se recupere de forma consistente, falhas pontuais no abastecimento tendem a se tornar mais frequentes ao longo do próximo ano.
Seca no reservatório cantareira provoca crise Hídrica em São Paulo (Vídeo: reprodução/Instagram/@sbtnews)
O cenário também amplia a possibilidade de adoção de medidas adicionais, como reforço em campanhas de uso consciente da água, ajustes operacionais e, em último caso, restrições mais severas. Embora não haja anúncio oficial de racionamento, especialistas destacam que o sistema opera em uma faixa de segurança cada vez mais estreita, isso faz com que algumas áreas acabem ficando desabastecidas, principalmente as mais altas e periféricas da cidade.
Seca prolongada e desafios estruturais
De acordo com pesquisadores, a situação atual é resultado de um período prolongado de chuvas abaixo da média desde 2024, aliado a fenômenos climáticos que dificultaram a formação de sistemas de chuva persistentes sobre o Sudeste. O padrão reforça a tendência de eventos extremos mais frequentes, com secas mais longas e intensas.
Infográfico compara nível da represa cantareira ao longo dos anos (Foto: reprodução/Instagram/@folhadespaulo)
Além dos fatores climáticos, o alerta reacende o debate sobre a necessidade de investimentos estruturais, redução de perdas na rede e diversificação das fontes de abastecimento. Para especialistas, o quadro observado no Cantareira indica que a segurança hídrica da maior metrópole do país segue vulnerável e exige planejamento contínuo diante de um cenário climático cada vez mais imprevisível.
