Tebet não descarta uso de dinheiro público para ressarcir lesados pelo INSS

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, anunciou nesta quinta-feira (8) que o governo federal está trabalhando para compensar aposentados e pensionistas afetados por descontos irregulares no INSS. Ela explicou que, na próxima semana, sua pasta definirá a origem dos recursos para a devolução dos valores.

Inicialmente, o plano prevê a utilização de bens apreendidos para viabilizar o ressarcimento. Entretanto, caso o montante não cubra totalmente os prejuízos, o governo federal poderá complementar a quantia necessária para garantir o pagamento aos beneficiários.

Tebet detalha plano de compensação

Ainda, de acordo com a ministra, o governo está na segunda fase do processo de identificação dos prejudicados por descontos indevidos. Neste momento, está sendo aberto um prazo para que as vítimas possam se manifestar e comprovar que foram lesadas. A partir da próxima semana, as equipes do Orçamento e da Fazenda assumirão a condução da solução para o ressarcimento.

Ressarciremos todos os prejudicados. No entanto, devemos considerar que os recursos não virão apenas da apreensão de bens, pois podem ser insuficientes. Se for necessário, a União complementará o valor, utilizando dinheiro público”, afirmou Tebet.


Simone Tebet garantiu o ressarcimento, mesmo que a União cubra uma parte (Foto: reprodução/Instagram/@simonetebet)


Operação “sem desconto”

Além disso, Tebet também comentou sobre a “Operação Sem Desconto”, da Polícia Federal. Segundo ela, a investigação só foi possível graças à cooperação do governo federal, que incentiva a punição dos responsáveis.

A força-tarefa da Polícia Federal, em parceria com a Controladoria-Geral da União, apura um esquema de descontos indevidos no INSS. As investigações indicam que, entre 2019 e 2024, diversas entidades realizaram cobranças sem autorização dos beneficiários, causando um prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões.

Consignados liberados em 2023 estão sob suspeita

À medida que as investigações avançam, a Polícia Federal questiona a legitimidade dos empréstimos consignados, que totalizaram quase R$ 90 bilhões só em 2023. É importante frisar, mais uma vez, que o montante de quase R$ 90 bi refere-se a todo valor liberado em consignados pelo INSS em 2023, e não que essa seja a quantia desviada.

Contudo, Tebet — que participo do leilão de concessão da Rota da Celulose, na sede da Bolsa de Valores de São Paulo, comentou sobre a polêmica entorno desse valor. Ela disse que a PF apura um possível vínculo entre as cobranças indevidas realizadas por associações e a contratação irregular de empréstimos sem autorização de aposentados.

Entretanto, a principal hipótese é que essas práticas fraudulentas estejam interligadas, permitindo que as empresas ampliassem o número de vítimas. Estima-se que cerca de 4,1 milhões de aposentados e pensionistas podem ter sido vítimas do esquema de fraudes no INSS.

Dólar cai com aprovação de Pacote Fiscal e leilões do Banco Central

Após uma inclusão de US$ 8 bilhões no financeiro na última sexta-feira (20), o dólar decaiu no mesmo dia e, de modo a garantir que o valor da moeda aumente, neste sábado o Banco Central leiloou US$ 7 bilhões.

Na manhã deste sábado (21), o Banco Central vendeu por volta de US$ 3 bilhões, tendo realizado em seguida um leilão no valor de US$ 4 bilhões. Desde que o BC interviu por meio de leilões, que se iniciou na quinta-feira passada (12), a autarquia inseriu US$ 27,7 bilhões no financeiro.

O dólar fechou o dia com uma baixa de 0,87%, com uma cotação de R$ 0,6710. Somando o acúmulo da semana marcada pela alta oscilação do mercado, o dólar fechou em R$ 6,30, seu recorde, com a divisa tendo subido 0,69%. O IBOVESPA avançou 0,75%, com 122.102 pontos, e a queda da semana foi de 2,01%.

Presidente sobre as ações do Banco Central para queda do dólar

Os comentários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram bem recebidos sobre o Banco Central e a área fiscal, o que consolidou a diminuição convicta das cotações.

Lula afirmou que seu governo está atento às demandas e necessidades de novas medidas para a área fiscal, depois das ações efetuadas para proteção do arcabouço.

Os comentários do presidente foram acompanhados no vídeo pela presença de Fernando Haddad, ministro da Fazendo, Simone Tebet, ministra do Planejamento e Orçamento, e Gabriel Galípolo, futuro presidente do Banco Central.

O pacote fiscal que auxiliou no recuo da moeda estadunidense

Investidores também foram muito auxiliados com o pacote fiscal aprovado no Congresso, mesmo com algumas demandas não tendo sido atendidas pelo governo, como, por exemplo, o limite de renda para o benefício de prestação continuada.

Dois aspectos do pacote fiscal já haviam sido aprovados antes de sua plena aprovação: a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz despesas obrigatórias do Executivo, que foi promulgada pelo Congresso no início da tarde da última sexta-feira, bem como um projeto de lei complementar que funciona como uma trava para a despesa pública.


Lula fala sobre a autonomia do Banco Central (Reprodução: Vídeo/Instagram/@lulaoficial)


Após a difusão da PEC, no meio da tarde, o movimento de câmbio intensificou-se após o presidente publicar um vídeo no Instagram informando que Galípolo, que atuará como presidente do Banco Central no futuro, possui o apoio e confiança de toda a equipe da presidência.