Após 31 óbitos, São Paulo decreta estado de emergência contra a dengue

Na manhã desta terça-feira (05) o estado de São Paulo teve, por meio do decreto, estado de emergência para a dengue confirmado. As informações e também a decisão foram tomadas pelo Centro de Operações de Emergências (COE), órgão coordenado pela Secretaria Estadual da Saúde. O Diário Oficial deve oficializar o decreto ainda nesta terça-feira. 

Conforme informações do painel de monitoramento da Secretaria de saúde de São Paulo, são 300 casos confirmados da doença para cada 100 mil habitantes. Regiane de Paula, coordenadora de Controle de Doenças do Estado de São Paulo, afirmou que o estado enfrenta uma epidemia. “A gente trabalhou com os dados do painel de monitoramento: 311 casos por 100 mil habitantes. A gente está em epidemia, segundo o que a OMS (Organização Mundial da Saúde) determina dos casos confirmados.” 

Sobre o decreto

Com o decreto, a autonomia dos gestores públicos para o combate à dengue aumenta, conseguindo dispor de recursos e destiná-los para o combate à doença com maior agilidade e sem a necessidade de licitação, assim como subsídio do Ministério da Saúde. O decreto, conforme o COE, ainda prevê uma distribuição de recursos do governo federal para estados e municípios. 

“O que muda agora com decreto é que a gente pode ter um pouco mais de agilidade para adquirir insumos, contratar pessoas, aumentar a nossa rede de atenção. E os municípios podem usar o nosso decreto como justificativa para decretar estado de emergência também nos seus municípios”, disse a secretária da Saúde em exercício, Priscilla Perdicaris. Ela também explicou a cerca da liberação de recursos por parte do governo federal para o combate à dengue e afirmou não saber a estimativa do valor global e que o recurso será limitado. 

O Governo ainda pretende aumentar o número de equipamentos fumacê – pulverizador de inseticida por meio de veículos, pulverizando ruas e áreas abertas públicas. Comum para contenção de epidemias arboviroses. Atualmente são cerca de 600 equipamentos de pulverização de inseticidas. Para seguir com o plano de ação supracitado é necessário aprovação do Ministério da Saúde, que já está em negociação. 

Em meio aos 645 municípios do estado de São Paulo, 22 já acataram o decreto e confirmaram estado de emergência: Bariri, Bertioga, Boracéia, Botucatu, Getulina, Guararema, Guaratinguetá, Jacareí, Jandira, Mairiporã, Marília, Mauá, Pederneiras, Pindamonhangaba, Registro, Santa Branca, São Manuel, Sorocaba, Suzano, Taubaté, Votorantim e Votuporanga.

Incidências de casos e mortes

A circulação dos sorotipos da dengue é monitorada pelo estado de São Paulo. Conforme a coordenadora de Controle de Doenças, a incidência é maior de dengue 1 e 2, a qual a taxa de positividade está em 40%. O aquecimento global e as chuvas constantes se tornaram a conjuntura perfeita para a proliferação do mosquito da dengue, assim como o aumento dos casos, isso de acordo com o diretor técnico do Instituto Butantã e também Membro do COE, Esper Georges Kallás. 

“Os casos continuam crescendo, a gente ainda não sabe quando será o pico. Não dá para dar a previsão exata (…). Como existem estados que estão em uma situação bem pior que São Paulo, a gente tem que se preparar”

Kallás

Entretanto, as mortes pela doença no estado continuam crescendo. 31 óbitos já eram confirmados nesta segunda-feira (4), conforme dados do painel de controle da doença da Secretaria Estadual de Saúde (SES). De acordo com os dados, outras 122 mortes estão sendo investigadas. Já o número de casos chegou a 138.259, 169 considerados em estado grave. 

21 municípios registraram óbitos entre 1° de janeiro e 4 de março (segunda-feira):

  1. Bebedouro: 1 morte
  2. Bariri: 2 mortes
  3. Bauru: 1 morte
  4. Pederneiras: 2 mortes
  5. Bragança Paulista: 1 morte
  6. Campinas: 1 morte
  7. São Paulo: 2 mortes
  8. Franca: 1 morte
  9. Restinga: 1 morte
  10. Marília: 3 mortes
  11. Guarulhos: 3 mortes
  12. Suzano: 1 morte
  13. Batatais: 1 morte
  14. Ribeirão Preto: 2 mortes
  15. Serrana: 1 morte
  16. Mauá: 1 morte
  17. Parisi: 1 morte
  18. Votuporanga: 1 morte
  19. Pindamonhangaba: 2 mortes
  20. Taubaté: 2 mortes
  21. Tremembé: 1 morte

Ministério da Saúde já disponibilizou doses de imunizantes contra a dengue para 500 municípios (reprodução/Freepik)

Imunização

Uma lista do Ministério da Saúde foi divulgada em 25 de janeiro com cerca dos 500 municípios que receberam a vacina contra a dengue. Primeiramente, o público alvo seriam jovens entre dez e 14 anos. 

Entre os municípios citados na lista, onze pertencem ao estado paulista Arujá, Biritiba-Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema,Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano. A capital de São Paulo não foi incluída. A vacinação nos municípios da terra da garoa deu-se início a partir de 19 de fevereiro.

Ministério da Saúde antecipa campanha de vacinação contra a gripe em 2024

Neste ano, o Ministério da Saúde optou por antecipar a campanha de vacinação contra a gripe. Costumeiramente realizada entre abril e maio, neste ano, ela começará em 25 de março. Essa decisão é uma resposta ao aumento da circulação de vírus respiratórios no país, uma preocupação contínua das autoridades de saúde, especialmente em meio aos desafios apresentados pela pandemia de COVID-19 e suas variantes.

Segundo o Ministro da Saúde, a antecipação é uma medida preventiva para proteger a população, especialmente os grupos mais vulneráveis, como os idosos, gestantes, profissionais de saúde e educação, diante do inverno que se aproxima. Desde o ano anterior, tem sido observada uma antecipação da circulação de vírus respiratórios em geral, justificando a necessidade de agir com celeridade para garantir a imunização adequada.

Imunização de 75 milhões de pessoas

Durante a campanha de vacinação contra a gripe em 2024, estima-se que 75 milhões de pessoas receberão imunização. A vacina empregada é trivalente, o que significa que oferece proteção contra três cepas de vírus em combinação, proporcionando uma cobertura ampla contra os principais vírus em circulação no Brasil.

O público-alvo da campanha inclui uma ampla gama de grupos prioritários, tais como crianças de seis meses a menores de seis anos, trabalhadores da saúde, gestantes, idosos com 60 anos ou mais, pessoas com doenças crônicas não transmissíveis, profissionais das forças de segurança e de salvamento, entre outros.

A inclusão de diversos segmentos da população visa garantir uma proteção eficaz contra a gripe e suas complicações, contribuindo para a redução da morbidade e mortalidade associadas à doença.

Distribuição e calendário


A vacina da gripe começará a ser aplicada no dia 25 de março (reprodução/Portal Sul)

A distribuição das doses da vacina contra a gripe terá início em 25 de março nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Porém, no Norte do país, a campanha será realizada no segundo semestre. Essa abordagem tem sido adotada desde 2023 para considerar as particularidades climáticas da região, em vista do início do Inverno Amazônico, período de maior circulação viral e transmissão da gripe.

Além disso, é importante ressaltar que a vacina contra a gripe também estará disponível em clínicas particulares para aqueles que não se enquadram nos grupos prioritários da campanha e desejam se proteger contra a doença.

Estratégias de vacinação

A vacinação contra a gripe demanda um planejamento detalhado e amplo para assegurar uma cobertura vacinal adequada em todo o território nacional. Por essa razão, o Ministério da Saúde adota o microplanejamento, uma estratégia colaborativa com os estados e municípios visando fortalecer e ampliar o acesso à vacinação, considerando as particularidades de cada região.

Dentre as estratégias passíveis de serem adotadas por meio do microplanejamento pelos municípios, destacam-se a realização do Dia D de vacinação, a busca ativa por não vacinados, a vacinação em escolas, a ampliação dos pontos de vacinação para além das unidades de saúde, a verificação da caderneta de vacinação e a intensificação da vacinação em áreas indígenas, entre outras medidas.

A execução eficiente dessas estratégias é crucial para garantir que a vacinação contra a gripe alcance os grupos prioritários de maneira abrangente e eficaz, contribuindo para a redução dos casos graves e óbitos associados à doença, além de promover a saúde pública em todo o país.