“Ainda Estou Aqui”, com Fernanda Torres, é ovacionado no Festival de Veneza

O filme brasileiro “Ainda Estou Aqui”, concorrente ao Oscar, estreou no último domingo, 1º de setembro, durante a competição do 81º Festival de Veneza, na Sala Grande, com direito a exibição em uma sessão de gala. Grandes nomes no cinema nacional marcaram presença, entre eles Selton Mello, Fernanda Torres e o diretor Walter Salles.

Segundo a jornalista Raquel Carneiro, da revista Veja, os aplausos rendidos após o término da exibição do filme duraram 9 minutos e 46 segundos, além de algumas pessoas chorando e outras emocionadas.

Sobre o filme

A obra é baseada no livro de Marcelo Rubens Paiva, que carrega o mesmo nome “Ainda Estou Aqui”, e narra a história de vida da mãe do autor. Dona Eunice é uma mãe de cinco filhos e será interpretada por duas atrizes de peso no cinema nacional: Fernanda Torres, que aparecerá durante a maioria das cenas, e Fernanda Montenegro, que encarnará a personagem nos momentos finais. 



A história narra o desaparecimento em 1971 de Rubens Paiva, marido de Eunice, interpretado por Selton Mello, um engenheiro e ex-deputado que foi levado por agentes militares para depor durante o período da ditadura. Agora ela terá que lidar com a perda e seguirá se dedicando aos estudos, se tornando uma advogada e especialista em direitos indígenas. 

Com Fernanda Torres no papel de uma mulher que se recusa a ser vista como vítima da ditadura e que busca proteger os filhos da dor, ela exerce o papel com maestria, em uma atuação contida, porém cheia de emoção. Sua performance faz com ela entre para a lista de favoritas a uma Coppa Volpi de melhor atriz no Festival de Veneza, concorrendo com grandes atrizes do cenário internacional como Nicole Kidman.

Uma manhã emocionante  

Durante a exibição para a imprensa, que aconteceu na manhã do último domingo, “Ainda Estou Aqui”, foi recepcionado de forma calorosa e era nítido alguns jornalistas segurando as lágrimas. Walter Salles, que não filmava desde uma obra de ficção desde o ano de 2012, também se emocionou e claro que essa reação é compreensível. Adaptar um livro emocionante e fazer com que as pessoas também sintam as emoções através do filme é o que promete o longa brasileiro. O filme ainda não tem previsão de estreia no Brasil e o que se sabe até o momento é que ficará disponível na plataforma de streaming Globoplay.






Longa com Fernanda Torres e Montenegro é confirmado em festivais nos Eua e Espanha 

Nesta quarta (14), o novo longa do diretor Walter Salles, ‘’Ainda Estou Aqui’’, foi anunciado para mais festivais internacionais, anteriormente anunciado para a mostra competitiva no festival de Veneza, o filme também estará no 62º Festival de Nova York e na 72ª edição do Festival de San Sebastián, na Espanha. A produção é protagonizada por Fernanda Torres (“Tapas e Beijos”) e Selton Mello (“Meu Nome Não é Johnny”), além de contar com a participação de Fernanda Montenegro (“Central do Brasil”).  

Novas exibições

O Cineasta, que faz seu retorno a direção desde 2008 com o lançamento de “Linha de Passe”, demostrou bastante alegria com o alcance de seu longa-metragem. 

‘’Voltar a um Festival tão importante quanto o NYFF é um presente para todos nós que fizemos ‘Ainda Estou Aqui’, San Sebastián foi onde tudo começou, com ‘Terra Estrangeira’, escrito e codirigido com Daniela Thomas, e com Fernanda Torres como protagonista”, comentou Walter. 

Sinopse

A produção se trata de uma adaptação do livro de Marcelo Rubens Paiva, de mesmo nome, que conta sobre a vida de sua família durante a ditadura militar no Brasil. Focando no ponto de vista de sua mãe, Eunice – interpretada por Fernanda Torres – que enfrenta uma jornada para descobrir o que aconteceu com seu marido, o deputado Rubens Paiva, que após seu desparecimento em 1971, foi torturado, assassinado e teve seus restos mortais jogados no mar. Seu falecimento, porém, só foi confirmado depois de 40 anos de investigação. 


Cena de ”Ainda estou aqui ” (Foto: Reprodução/Sony Pictures)

Walter também elogiou a performance de Torres e de Montenegro e a honra de poder colaborar com as duas novamente. Ele mencionou a importância narrativa do longa, colocando a figura feminina com símbolo de resistência no centro da ditadura militar. 

‘’O livro e o filme podem ser vistos como um relato sobre a reconstrução de uma memória individual conduzida por essa mulher, que se sobrepõe à busca pela reconstrução da memória de um país, o Brasil” , continuou o diretor. 

O longa, uma produção original Globoplay, ainda não tem data de estreia confirmada nos cinemas brasileiros.