Era um duelo que, no papel, parecia desequilibrado: o líder isolado da Premier League contra o lanterna que ainda não havia vencido na competição. No entanto, dentro de campo, o confronto entregou muito mais emoção do que o esperado. No Emirates Stadium, em Londres, o Arsenal precisou lidar com resistência, tensão até os minutos finais e uma boa dose de drama para sair com a vitória por 2 a 1 sobre o Wolverhampton, neste sábado (13), pela 16ª rodada do campeonato.
Mais líder do que nunca, o time comandado por Mikel Arteta chegou aos 36 pontos e abriu cinco de vantagem sobre o Manchester City, vice-líder com 31, que ainda entra em campo na rodada diante do Crystal Palace. Do outro lado, o Wolves segue vivendo um verdadeiro calvário na temporada: com apenas dois pontos somados em 16 partidas, a equipe permanece na última colocação e ainda não sabe o que é vencer na Premier League.
Domínio territorial e paciência no primeiro tempo
Desde os primeiros minutos, o Arsenal assumiu o controle das ações e empurrou o Wolverhampton para o próprio campo. Com ampla posse de bola, troca constante de passes e presença ofensiva, os Gunners rondaram a área adversária durante quase toda a etapa inicial. Apesar disso, o volume não se transformou em grandes chances claras, muito em função da boa organização defensiva do time visitante, que se postou com três zagueiros e fechou bem os espaços pelo alto e em jogadas de bola parada.
Mesmo com dificuldades para infiltrar, os donos da casa chegaram perto de abrir o placar em lances esporádicos. Em três oportunidades, cruzamentos encontraram sobras na área, mas Martinelli não conseguiu acertar o alvo e finalizou para fora. Faltou precisão, sobretudo nos momentos decisivos, para transformar o domínio territorial em vantagem no marcador, o que aumentou a ansiedade das arquibancadas londrinas.
O Wolverhampton, por sua vez, apostou exclusivamente nos contra-ataques e teve uma única chance realmente perigosa na primeira etapa. Em jogada rápida, Hwang Hee-Chan apareceu livre e obrigou Raya a trabalhar em dois tempos, evitando o que seria um balde de água fria no Emirates. No mais, o goleiro espanhol foi pouco exigido antes do intervalo, que terminou sem gols e com sensação de frustração para o líder do campeonato.
Melhores momentos da vitória dos Gunner (Vídeo: reprodução/YouTube/ESPN)
Gols contra, emoção e protagonismo nos acréscimos
O segundo tempo manteve o mesmo roteiro, com o Arsenal ditando o ritmo e o Wolves se defendendo com linhas baixas, tentando explorar eventuais espaços deixados pelos mandantes. Logo nos minutos iniciais, Martinelli quase marcou um golaço em jogada individual pela direita, mas parou na defesa. A pressão era constante, embora ainda faltasse efetividade no último passe ou na finalização.
Aos 22 minutos, o primeiro chute mais perigoso dos Gunners saiu dos pés de Declan Rice, que só não marcou porque Johnstone espalmou. Dois minutos depois, porém, o azar bateu à porta do goleiro do Wolverhampton. Após cobrança de escanteio de Saka, a bola bateu na segunda trave e voltou nas costas de Johnstone, que acabou marcando contra e abrindo o placar para o Arsenal em um lance inusitado.
Gabriel Jesus garantiu a vitória do Arsenal (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Catherine Ivill – AMA)
Com o jogo em aberto, Arteta decidiu mexer no time e promoveu a entrada de Gabriel Jesus no lugar de Gyökeres. O brasileiro voltou a atuar na Premier League após 11 meses afastado por conta de uma grave lesão no joelho, depois de já ter retornado no meio da semana pela Champions League. A presença do atacante deu mais mobilidade ao setor ofensivo nos minutos finais.
O que parecia controlado ganhou contornos dramáticos nos acréscimos. Aos 45 minutos, o Wolverhampton cresceu no jogo e conseguiu o empate com Arokodare, que marcou de cabeça e silenciou momentaneamente o estádio. No entanto, a resposta do Arsenal foi imediata. Aos 48, após cruzamento de Saka e participação direta de Gabriel Jesus no lance, o zagueiro Mosquera acabou desviando contra o próprio gol, decretando a vitória dos Gunners.
O resultado reforça a consistência do Arsenal na liderança da Premier League, mesmo em partidas em que o desempenho não é brilhante. Já o Wolverhampton segue afundado na última posição, com atuações competitivas, mas sem conseguir transformar esforço em pontos, acumulando frustrações rodada após rodada.
