Faixa de Gaza: ONG dos EUA continua operações humanitárias após ataques

Nesta última quinta-feira (11), o projeto humanitário American Near East Refugee Aid (Anera) retomou as suas operações na Faixa de Gaza. Isso ocorre apesar do ataque de Israel que matou trabalhadores da World Central Kitchen (WCK) no dia 1ª de abril, a razão pela qual as operações foram inicialmente pausadas.

Como sabem, a decisão de interromper temporariamente nossas operações não foi fácil”, afirmou Sean Carrol, presidente e CEO da Anera. “Com o total apoio de nossa equipe de Gaza, determinamos que as circunstâncias mudaram o suficiente para retomar nosso trabalho humanitário vital em Gaza”.

De acordo com Carrol, as autoridades israelenses garantiram maior segurança está sendo estabelecida a partir de medidas que vão proteger os trabalhadores de ajuda humanitária – incluindo os da Anera. Em grande parte, tais concessões podem ser traçadas como conclusões do ataque de 1º de abril, que despertou maior pressão do cenário internacional.


Veículo de ajuda humanitária atingido por ataque israelense (Foto:Reprodução/Mohammed Saber/IstoE)

World Central Kitchen

O incidente, que repercutiu na mídia por todo o mundo, resultou na morte de trabalhadores humanitários do Reino Unido, Polônia, Austrália, Canadá, e Estados Unidos por ataque de drone das Forças de Defesa de Israel (IDF) contra o veículo demarcado onde se encontravam.

Após a confirmação do ataque, várias ONGs optaram por interromper seus esforços na região, uma vez sinalizada a hostilidade de Israel à ajuda humanitária. Mas agora, o evento parece ter sido superado, com a retomada parcial das iniciativas de pacotes de alimentos, kits de higiene, tratamentos médicos, e tendas, entre outras coisas.

Seguimos a direção de nossa equipe em Gaza, que enfrentou morte, perda e destruição desde o início da guerra,” disse Sean Carroll.

Ajuda Humanitária

Desde o início do conflito, Israel tem demonstrado uma atitude quase completamente focada em seus objetivos militares, optando por prosseguir com bombardeios na Faixa de Gaza mesmo com a presença de civis, e aprovando operações na cidade de Rafah, que era para ser um local seguro para refugiados.

Também esse ano, ao final de fevereiro, ocorreu o incidente em que soldados israelenses atiraram contra caminhões que carregavam mantimentos e ajuda humanitária, matando mais de 100 palestinos que se encontravam no local. Apesar da pressão da ONU para um cessar-fogo, Israel deu continuidade ao conflito, priorizando os seus próprios objetivos nacionais.

Durante todo o período do conflito, também foram mortos mais de 175 trabalhadores humanitários da UNRWA, agência das Nações Unidas.

Corpos de trabalhadores mortos em ataque de Israel são entregues aos seus países

Os corpos de seis trabalhadores humanitários, mortos em ataque israelense, estão retornando aos seus países de origem. Entre eles está o australiano Lalzawmi (Zomi) Frankcom, o polonês Damian Sobol, o americano-canadense Jacob Flickinger, e os britânicos John Chapman, James (Jim) Henderson e James Kirby. Os restos mortais foram entregues no Egito aos respectivos representantes do seu país. Todos eram funcionários da World Central Kitchen (WCK).

Uma sétima vítima, o palestino identificado como Saifeddine Issam Ayad Abutaha, foi enterrado em Rafah, no sul da faixa de Gaza. Ele também fazia parte da WCK.

O ataque


Veículo da WCK fortemente danificado após bombardeio (Foto: reprodução/Ashraf Amra/Anadolu/ Embed from Getty Images)


Os trabalhadores foram atingidos por um bombardeio enquanto supervisionavam 100 toneladas de alimentos trazidos pelo mar. 

O fundador da WCK, José Andrés afirmou que tinha uma comunicação clara com os militares israelenses e que eles conheciam os movimentos dos seus trabalhadores. Segundo relatos, os transportes da organização estavam devidamente adesivados.

“Mesmo que não estivéssemos em coordenação com (as Forças de Defesa de Israel), nenhum país democrático e nenhum militar pode ter como alvo civis e trabalhadores humanitários.” disse ele à Reuters. Vale lembrar a reincidência de Israel em censuras, principalmente contra a imprensa.

O que diz Israel

O Estado de Israel admitiu o erro grave, e o chefe das Forças Armadas, o general Herzi Halevi, disse que “foi um erro que ocorreu após um erro de identificação durante a noite, durante uma guerra, em condições muito complexas. Isto não deveria ter acontecido”.

Segundo o comunicado emitido pelo governo israelense, Isaac Herzog, presidente do país, conversou com José Andrés e “expressou sua própria tristeza e suas sinceras desculpas pela morte trágica da equipe da WCK”, informou o comunicado, afirmando que o presidente “dirigiu suas condolências às famílias e amigos” das vítimas.

Em nota oficial, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden cobrou uma investigação rápida do ocorrido “Israel prometeu conduzir uma investigação minuciosa sobre o motivo pelo qual os veículos dos trabalhadores de ajuda humanitária foram atingidos por ataques aéreos”, reforçou Biden, “Essa investigação precisa ser rápida, deve trazer responsabilização e seus resultados devem ser divulgados ao público.”

World Central Kitchen

A WCK é uma organização não-governamental dedicada a prover alimentos a vítimas de desastres naturais. Após a tragédia, encerrou suas operações na região, “Em breve tomaremos decisões sobre o futuro do nosso trabalho.”, escreveu a ONG no seu site oficial.