Comissão do Senado aprova projeto de castração química para reincidentes em crimes sexuais

Condenados poderão optar voluntariamente pela medida

22 maio, 2024
Foto destaque: Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) realiza reunião com 16 itens (Foto/Divulgação/Saulo Cruz/Agência Senado)
Foto destaque: Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) realiza reunião com 16 itens (Foto/Divulgação/Saulo Cruz/Agência Senado)
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) realiza reunião com 16 itens

Nesta quarta-feira (22), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado votou a aprovação de um projeto que permite a castração química para aqueles condenados por crimes sexuais mais de uma vez.

Por 17 votos a favor e apenas 3 contra, o projeto, que corre na CCJ em caráter terminativo, deve ter continuidade e chegar à Câmara dos Deputados, caso não haja pedido de recurso (um pedido que solicite que um tribunal superior revise a decisão).

A castração química

Está especificado no documento jurídico que as castrações serão feitas por meios hormonais, de acordo com o relator do processo, o senador do PSD-BA, Angelo Coronel. A castração se “mostra meio adequado para que se evite a reincidência em crimes de natureza sexual, o tratamento reduz os níveis de testosterona no organismo do indivíduo e mitiga sua libido”.

“O condenado que apresente um perfil voltado à violência sexual, terá a oportunidade de reconhecer sua condição e optar pelo tratamento hormonal como forma de intervenção terapêutica e condição para seu livramento”, escreveu Coronel em seu relatório.

Efeitos colaterais

O documento deixa claro a existência de efeitos colaterais, mas reforça que, caso o criminoso voluntário opte pela pena, ele “será orientado sobre o tratamento e sobre suas próprias condições psicológicas, psiquiátricas e clínicas, e somente depois, inclusive com orientação de seu defensor, poderá tomar a decisão de se submeter ao tratamento oferecido”. A orientação será feita por uma Comissão Técnica de Avaliação.


Comissão do Senado aprova projeto de castração química para reincidentes em crimes sexuais
Senador Sergio Moro na reunião da CCJ em 22/05 (Foto/Divulgação/ Saulo Cruz/Agência Senado)

A castração é vista como alternativa ao cumprimento de pena, ou seja, cabe ao juiz decidir se o condenado está apto a transitar em sociedade sem oferecer riscos. Mesmo optando por essa pena, o detento deverá fazer o “tratamento”, no mínimo, pelo dobro do tempo da pena máxima prevista para o crime praticado, como sugeriu o Senador Sérgio Moro (União-PR), que teve sua emenda acatada por Angelo Coronel.

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