Irã soma cinco mil mortes em protestos e Khamenei ataca Trump

Crise no Irã se agrava e Khamenei ameaça insurgentes enquanto acusa os EUA; Teerã afirma que manifestantes provocaram confrontos armados

18 jan, 2026
Ali Khamenei | Reprodução/Instagram/@guardian
Ali Khamenei | Reprodução/Instagram/@guardian

Os protestos na República Islâmica do Irã já deixaram cerca de 5.000 mortos, segundo uma fonte do governo ouvida pela Reuters neste domingo (18). Sobretudo, as manifestações já duram mais de 20 dias. Desde o início, os atos começaram devido à crise econômica e rapidamente passaram a pedir o fim do regime dos aiatolás. Esses são líderes religiosos de alta patente, onde há uma autoridade máxima religiosa e política que controla o estado, o exército e a justiça.

Repressão eleva número de mortos e prisões

Segundo a mesma fonte, forças de segurança reagiram com violência crescente e manifestantes relataram tiros durante protestos em várias cidades. Apesar disso, o governo iraniano nega responsabilidade direta. Segundo a capital Teerã, os próprios manifestantes provocaram confrontos armados.

Ainda assim, organizações independentes apresentam números divergentes. A ONG HRANA contabiliza 3.308 mortos confirmados, além de 4.382 casos em análise.


Iranianos bloqueiam rua durante protesto em Teerã (Foto: reprodução/AHSA/Middle East Images/AFP/Getty Images Embed)


Enquanto isso, a Iran Human Rights aponta ao menos 3.428 manifestantes mortos, mas a entidade alerta que o número real pode ser maior. Por outro lado, o canal Iran International cita fontes governamentais e de segurança afirmando que 12.000 pessoas morreram. Além das mortes, a HRANA estima cerca de 24.000 prisões. Segundo a ONG, muitos detidos não tiveram acesso a advogados.

Khamenei ameaça insurgentes e acusa Estados Unidos

No último sábado, o líder supremo Ali Khamenei voltou a se pronunciar afirmando que autoridades devem “quebrar as costas dos insurgentes”. Durante seu discurso religioso, Khamenei culpou diretamente o americano Donald Trump pelas mortes. Segundo ele, os Estados Unidos incentivam a instabilidade interna. 

Além disso, o aiatolá acusou Israel e grupos armados externos. Para ele, esses atores financiam e equipam manifestantes. Khamenei, que governa o país desde 1989, afirmou que “o objetivo americano é submeter o Irã militarmente”.


Manifestantes queimam imagens de Ali Khamenei durante protesto (Foto: reprodução/CARLOS JASSO/AFP/Getty Images Embed)


Em resposta, Trump ameaçou adotar “medidas muito duras”. A declaração ocorreu após relatos de possíveis execuções de manifestantes. Enquanto isso, o procurador de Teerã, Ali Salehi, defendeu a repressão. Segundo ele, a resposta estatal foi “firme e dissuasiva”.

Isolamento digital dificulta dados

Nesse cenário, a repressão também inclui o bloqueio quase total da internet, já que o governo cortou o acesso nacional desde 8 de janeiro. Segundo a ONG Netblocks, a conectividade permanece em apenas 2%. Apesar disso, houve leve retomada recente.

Com isso, familiares no exterior recebem notícias limitadas. Além disso, muitos evitam contatos longos por medo de vigilância. Especialistas afirmam que o isolamento dificulta a checagem independente e, por isso, os balanços seguem imprecisos e conflitantes.

Repressão e escalada de tensão

Enquanto a repressão avançava internamente, os Estados Unidos lançaram ataques contra alvos do Estado Islâmico na Síria. A ofensiva ocorreu como represália a um ataque registrado em dezembro, que matou três americanos em Palmira. Segundo autoridades militares, os bombardeios responderam diretamente à ação contra um comboio com forças americanas e sírias na cidade histórica, situada na antiga Rota da Seda.


Mortos em protestos são enfileirados em frente a necrotério (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)


Recentemente, o caso de Erfan Soltani mostrou a repressão do regime iraniano. O jovem de 26 anos foi preso após participar de protestos e condenado à morte sem advogado e com contato restrito com a família. A execução estava prevista para 14 de janeiro, porém foi adiada sem explicações oficiais.

Organizações de direitos humanos denunciam pressão psicológica, ameaças e ausência de garantias legais. Consequentemente, o caso reafirma denúncias de violações sistemáticas cometidas pelo Estado iraniano.

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