Audi admite limitações no motor, destaca desafio técnico e aposta em evolução contínua

Em início discreto na Fórmula 1, a Audi aposta em evolução gradual para superar limitações no motor e nas largadas, mirando competitividade até 2030

01 abr, 2026
Carro de Fórmula 1 da Audi | Reprodução/Instagram/@audif1
Carro de Fórmula 1 da Audi | Reprodução/Instagram/@audif1

Em sua estreia na Fórmula 1 após assumir a Sauber, a Audi vive um início aquém do esperado, com apenas dois pontos somados em 2026. O chefe interino, Mattia Binotto, admite que o principal fator que afasta a equipe das concorrentes de ponta é o motor, mas reforça que qualquer evolução nesse aspecto dependerá de tempo e desenvolvimento contínuo. Motivada pelo novo regulamento de unidades de potência — que amplia o papel da eletrificação, a montadora optou por criar seu próprio motor desde o início do projeto. Ainda assim, o desempenho em corrida tem ficado atrás de rivais como Haas e Alpine, que utilizam propulsores Mercedes e Ferrari, além de enfrentar recorrentes problemas de confiabilidade.

Audi aponta motor como principal entrave e aposta no ADUO

Com a introdução do novo regulamento, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) passou a prever mecanismos para equilibrar a competitividade entre as equipes. Um deles é o ADUO (Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização, na sigla em inglês), que concede margem extra de evolução às escuderias cujo motor apresente desempenho pelo menos 2% inferior ao da referência atual — hoje ocupada pela Mercedes. Diante do caráter progressivo desse sistema, Mattia Binotto destacou que a Audi precisará adotar uma abordagem paciente para alcançar suas metas de longo prazo. O objetivo, traçado ainda antes da transição completa da Sauber, é colocar a equipe na briga por títulos até o fim da década.

”Os prazos de desenvolvimento dos motores são muito longos. Avaliamos, creio eu, que a maior parte da diferença em relação às equipes de ponta se deve à unidade de potência, o que não é surpreendente. Sabíamos que esse seria o maior desafio”, iniciou Binotto.

”E temos um plano para recuperar o atraso. Mas o desenvolvimento de motores, especialmente quando se trata de certos conceitos, pode demorar mais tempo. Não é por acaso que definimos 2030 como nosso objetivo, porque sabemos que vai demorar. E acho que o que precisamos agora é ser pacientes também”, acrescentou.


Gabriel Bortoleto e Mattia Binotto (Foto: reprodução/Jayce Illman/Getty Images Embed)


Largadas ruins se tornam obstáculo recorrente para a Audi

Apesar de ter na classificação seu principal ponto positivo — com Gabriel Bortoleto colocando a equipe entre os dez melhores nos GPs da Austrália e do Japão, a Audi tem enfrentado dificuldades nas largadas. O bom desempenho aos sábados não tem se repetido nas corridas, já que tanto Bortoleto quanto Nico Hulkenberg vêm perdendo posições logo na primeira volta. No Japão, por exemplo, o brasileiro caiu de nono para 13º, enquanto o alemão despencou de 11º para 19º.

A explicação para esse rendimento abaixo do esperado está no turbocompressor do motor da Audi, maior que o das concorrentes, o que faz o carro demorar mais a entregar potência na saída da inércia. Em contrapartida, equipes como a Ferrari se beneficiam de um turbo menor, conseguindo ganhar posições com mais facilidade nas largadas. A Fórmula 1 agora terá uma pausa de um mês, após os cancelamentos dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, e retorna apenas no dia 3 de maio, com o GP de Miami.

Diante desse cenário, a Audi encara uma temporada de aprendizado na Fórmula 1, em que o foco está mais na construção de bases sólidas do que em resultados imediatos. Entre limitações no motor, dificuldades nas largadas e a necessidade de amadurecer seu projeto próprio, a equipe aposta em um processo gradual de evolução para reduzir a diferença em relação às rivais e se tornar competitiva no longo prazo, mirando um salto consistente até o fim da década.

 

 

 

 

 

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