Bottega Veneta aposta em presença e estrutura em nova coleção
Em passarela de veludo vermelho, Louise Trotter explora volumes, texturas e memória, equilibrando rigor, expansão e artesania no inverno 2026
No novo desfile da Bottega Veneta, Louise Trotter aprofunda sua construção de identidade à frente da maison ao trabalhar volumes amplificados e texturas que convidam ao toque. A coleção apresentada em Milão transforma a alfaiataria feminina em ponto de partida para uma proposta que equilibra controle e expansão. A apresentação aconteceu no átrio do Palazzo San Fedele, nova sede da marca. Os convidados assistiram ao desfile dispostos em círculo, sentados em 421 cadeiras desenvolvidas por Max Lamb.
Linguagem própria em construção
Ao longo da apresentação, as silhuetas ganham complexidade por meio de sobreposições discretas e cintos longos que redesenham a proporção do corpo com sutileza. A alfaiataria mantém aparência contida, mas revela precisão no corte e na construção. O intrecciato, técnica emblemática da marca, reaparece reinterpretado em casacos e acessórios, reforçando o trabalho manual como parte essencial da narrativa.
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Desfile Bottega Veneta (Foto: reprodução/Instagram/@newbottega)
O desenvolvimento têxtil assume protagonismo e sustenta o que a diretora criativa define como um “brutalismo sensual”. Superfícies que lembram pele aparecem com lã desfiada e seda bordada, criando profundidade visual. Ao mesmo tempo, peças estruturadas ganham volumes maiores e mais orgânicos, misturando rigidez e leveza sem perder equilíbrio.
Textura, cor e memória
Franjas brilhantes introduzem movimento aos looks e trazem dinamismo à passarela. Tons intensos, como rosa e azul, ampliam a presença visual das produções e quebram a sobriedade inicial, construindo imagens que alternam impacto e delicadeza de forma calculada. Grandes volumes e texturas variadas foram utilizadas para reforçar um caráter mais sensorial da coleção, construindo imagens quase que irreais.
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Acessórios apresentados pela marca (Foto: reprodução/Instagram/@newbottega)
Os acessórios acompanham essa proposta ao incorporar humor e referências afetivas. Bolsas que relembram objetos cotidianos reinterpretados em couro, além de detalhes que remetem a memórias familiares, reforçam a ideia de um vestir contemporâneo que conecta passado e futuro, onde intimidade, técnica e presença caminham juntas.
