Erika Hilton é destaque em desfile que homenageia mulheres negras e o Instituto Geledés
Deputada levou à avenida um figurino simbólico e reforçou, em entrevista, o papel do Carnaval como espaço de memória, identidade e expressão política acessível ao público
Nesta sexta-feira (13), aconteceu o primeiro desfile de Carnaval no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo. Erika Hilton, marcou presença ao desfilar pela escola de samba Mocidade Unida da Mooca. Ela ocupou posição de destaque no terceiro carro alegórico, que apresentou com o tema Trincheiras Brasileiras – Mulheres Negras e Revoluções. O enredo prestou homenagem ao Instituto Geledés.
Celebrando a causa das mulheres negras, a deputada declarou, em conversa à Harper’s Bazaar: “Sou o sonho das minhas ancestrais”. A fala reforça a trajetória de luta e representatividade que marca sua presença na avenida, simbolizando as transformações promovidas por ela e por outras mulheres negras em diferentes espaços da sociedade brasileira.
Moda como linguagem política
No desfile, Erika Hilton apostou em um look que dialogava diretamente com o enredo, combinando impacto visual e simbolismo político. O vestido ajustado, com saia branca, criava contraste com a capa volumosa e com a parte superior em estampa verde, preta e dourada, elementos que acrescentavam movimento e força visual à composição. A faixa presidencial estilizada reforçava a leitura política do figurino, enquanto o recorte no busto e a modelagem estruturada traziam sofisticação contemporânea. O styling foi finalizado com cabelo longo ondulado, maquiagem marcante e adereço floral na cabeça, compondo um visual que mistura elegância, poder e narrativa simbólica.
A produção valorizava referências afro-brasileiras e elementos que remetiam à força e à ancestralidade das mulheres negras, com materiais luminosos, estrutura marcante e acabamento que destacava sua presença no carro alegórico. Mais do que um recurso estético, o figurino reforçou a narrativa do samba ao transformar a moda em linguagem de afirmação identitária, unindo estética, representatividade e discurso.
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Erika Hilton desfilando pela Mocidade Unida da Mooca (Foto: reprodução/Instagram/@hilton_erika)
A construção visual do desfile evidenciou o Carnaval como vitrine de memória e resistência, traduzindo em figurinos, alegorias e performances a força das mulheres negras na formação social do país. Nesse cenário, a moda carnavalesca surge como linguagem política capaz de converter referências históricas em imagens de impacto coletivo. Hilton também ressaltou o papel da festa como ferramenta de comunicação popular: para ela, o Carnaval transmite mensagens sociais e políticas de forma acessível, combinando beleza, espetáculo e consciência histórica, e transformando a estética em instrumento de educação simbólica e reconhecimento cultural.
Cultura, política e representatividade na avenida
A presença da deputada Erika Hilton reforça a conexão entre a moda carnavalesca e sua trajetória política. Primeira deputada federal negra e trans do Brasil, ela levou para a avenida uma história que dialoga diretamente com o enredo do samba, articulando ancestralidade, identidade e representatividade.
Fundado em 1988, o Instituto Geledés tornou-se uma das principais organizações brasileiras na defesa dos direitos das mulheres negras. Ao longo dos anos, a instituição ampliou o debate público sobre igualdade racial e de gênero, influenciando políticas, discursos e também manifestações culturais, inclusive o Carnaval, onde pautas sociais ganham tradução estética por meio de fantasias, alegorias e narrativas visuais.
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Erika Hilton destaca a representatividade no Carnaval (Foto: reprodução/Instagram/@bazaarbr)
Nesse contexto, Hilton destacou que a cultura funciona como instrumento de transformação e apontou o Carnaval como espaço onde estética, memória e denúncia social se encontram em uma celebração coletiva. Ao relacionar cultura e atuação política, afirmou que valorizar manifestações culturais também integra seu mandato. Segundo ela, o desfile dialoga com suas pautas ao colocar no centro temas como ancestralidade, diversidade e justiça social, transformando a passarela do samba em extensão da arena pública.
