Alta em gastos administrativos leva máquina pública ao maior custo em nove anos
Gastos somaram R$ 72,7 bilhões em 2025; aumento de despesas da máquina pública reduz espaço para investir em programas sociais e bolsas de estudos
Na terça-feira (3), foi publicada uma matéria no site g1 com dados da Secretaria do Tesouro Nacional sobre a alta dos gastos da máquina pública. Os gastos administrativos para manter a máquina funcionando somaram R$ 72,7 bilhões em 2025, atingindo o maior patamar dos últimos nove anos.
A série de análises do Tesouro iniciou-se em 2011 e atingiu seu pico histórico no ano passado, em 2025. Os números foram corrigidos pela inflação para permitir a comparação entre os gastos administrativos dos governos de Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (Lula).
Alta de gastos administrativos
Os dados, atualizados periodicamente pelo Tesouro Nacional na área de transparência, mostram que as despesas para manter o funcionamento da máquina pública ficaram acima de R$ 70 bilhões por ano durante as gestões da ex-presidente Dilma Rousseff, entre 2011 e meados de 2016 — período que terminou com seu impeachment.
O então vice-presidente Michel Temer assumiu o cargo após o impeachment de Dilma e governou de meados de 2016 até 2018, mantendo os gastos da máquina pública abaixo de R$ 70 bilhões.
<
Ver essa foto no Instagram
Tesouro Nacional comenta alta dos gastos públicos e outras despesas (Foto: Reprodução/Instagram/@tesouronacional)
Seu sucessor, o ex-presidente Jair Bolsonaro, também manteve os gastos administrativos da máquina pública abaixo de R$ 70 bilhões durante seu governo, entre 2019 e 2022.
Já no terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, atual presidente, os gastos administrativos permaneceram abaixo de R$ 70 bilhões entre 2023 e 2024. No entanto, em 2025, o governo encerrou o ano com a maior alta de gastos da máquina pública entre os períodos analisados pelo Tesouro, ultrapassando a marca de R$ 70 bilhões. Ao todo, foram gastos R$ 72,7 bilhões em 2025.
Diferenças de gastos administrativos
A alta dos gastos da máquina pública está concentrada nas despesas administrativas com água, energia elétrica, telefone, serviços de limpeza, vigilância, apoio administrativo e operacional, combustíveis, tecnologia da informação, aluguel de imóveis e veículos, diárias e passagens, além de serviços bancários.
Essas despesas estão relacionadas ao que o governo classifica como gastos livres. Há, no entanto, outros tipos de despesas consideradas obrigatórias.
O custeio da máquina pública está incluído nos chamados gastos livres do governo, limitados pelo arcabouço fiscal. Pela regra das contas públicas, esse tipo de despesa não pode crescer mais do que 2,5% ao ano, já corrigido pela inflação.
Ver essa foto no Instagram
Lula sobre o Gás do Povo, que entra como exemplo de gasto livre (Foto: Reprodução/Instagram/@lulaoficial)
Dados do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão indicam que o governo dispõe de uma margem de R$ 129,2 bilhões para os chamados gastos livres dos ministérios em 2026. Esse montante envolve despesas administrativas de custeio da máquina pública, investimentos e outros gastos discricionários dos ministérios.
Ao destinar uma parcela significativa desses recursos — mais de R$ 70 bilhões — para despesas administrativas da máquina pública, o governo reduz o espaço disponível para os demais gastos livres. Essa elevação das despesas limita recursos para programas sociais, bolsas e universidades federais, além de áreas como investimentos em infraestrutura, defesa agropecuária, bolsas do CNPq e da Capes, emissão de passaportes, fiscalização ambiental e do trabalho escravo, Farmácia Popular e recursos para agências reguladoras.
Já os chamados gastos obrigatórios, como benefícios previdenciários, pensões e salários dos servidores públicos, vêm crescendo acima de 2,5% ao ano e, por isso, comprimem ainda mais o espaço fiscal para os investimentos citados acima. Esse avanço das despesas obrigatórias e do custeio da máquina pública reduz progressivamente a margem disponível para os gastos livres do governo.
