Auditoria do BC apura decisões da gestão Campos Neto no caso Banco Master

Banco Central apura se liquidação do Master atrasou e ampliou prejuízos bilionários ao sistema financeiro; Toffoli prorrogou investigações por 60 dias

29 jan, 2026
Banco Master | Reprodução/Rovena Rosa/Agência Brasil
Banco Master | Reprodução/Rovena Rosa/Agência Brasil

A investigação interna aberta pelo Banco Central (BC) passou a examinar decisões tomadas no caso do Banco Master desde 2019. Nesse sentido, o foco recai sobre atos adotados durante a gestão do então presidente Roberto Campos Neto. Ainda segundo apurações, a principal hipótese é que a liquidação do banco poderia ter ocorrido mais cedo. Assim, a auditoria analisa se havia elementos suficientes para antecipar a intervenção e reduzir os prejuízos.

Auditoria analisa decisões e omissões do BC

Apesar de questionamentos das defesas de ex-gestores do Master, a investigação segue essa linha prioritária. Sendo assim, para os auditores, sinais de deterioração financeira surgiram antes da decisão final. Além disso, a liquidação extrajudicial é considerada medida extrema, porém prevista para conter riscos maiores. Nesse caso, a demora teria ampliado o impacto financeiro sobre o sistema.


Entenda o caso Banco Master (Vídeo: reprodução/YouTube/@g1)


O prejuízo estimado ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) se aproxima de R$ 50 bilhões. Enquanto isso, fundos de pensão e investidores não cobertos pelo FGC também registraram perdas relevantes. Ainda de acordo com fontes, a auditoria acompanha todo o histórico regulatório do banco. Portanto, o trabalho inclui a autorização da transferência do controle do banco Máxima para o Master. O processo de consolidação durou cerca de dois anos e envolveu diversas etapas. Depois disso, o BC identificou problemas de liquidez mais evidentes ao longo de 2024.

Apurações externas reafirmam suspeitas do caso Master

Paralelamente, o Ministério Público Federal conduz investigações próprias sobre o caso. Logo, essas apurações apontam indícios de vendas de carteiras fictícias ainda em 2024. Além disso, os investigadores destacam sinais de insolvência que já preocupavam técnicos do setor. Assim, o avanço das apurações externas impulsionou a abertura da sindicância no BC.

Em entrevista concedida em outubro, Campos Neto comentou o tema publicamente e afirmou que não participou das tratativas entre o Master e o BRB. Segundo ele, a negociação vetada pelo Banco Central não chegou à sua mesa. Ainda assim, declarou que o Master representava risco de imagem, não sistêmico.

Afastamentos e sigilo marcam investigação interna

Durante o cenário, a sindicância foi determinada pelo atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, em novembro e, desde então, o processo segue de forma independente e sob sigilo institucional. Por isso, a existência da auditoria só veio a público nesta quinta-feira (29). 


CPMI do INSS tem plano B caso Vorcaro não compareça a depoimento (Vídeo: reprodução/YouTube/@TV Senado)


Na ocasião, a informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada posteriormente. Após a abertura da investigação, dois chefes do Departamento de Supervisão Bancária foram afastados. Até o momento, entretanto, não há acusações formais contra os servidores. Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal (STF) também acompanha desdobramentos do caso.

Recentemente, o ministro Dias Toffoli prorrogou por sessenta dias investigações sobre o BRB. Por vez, a decisão afirma que os órgãos precisam de mais tempo para analisar documentos reunidos. Assim, o caso Master segue sob múltiplas frentes de apuração.

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