Projeto de Lei prevê aumento do salário mínimo para R$1.717 em 2027

Governo estima valores no projeto do próximo ano da Lei de Diretrizes Orçamentárias; se aprovada, nova remuneração só será atualizada em dezembro

16 abr, 2026
Reajuste do salário mínimo | Reprodução/Pixabay
Reajuste do salário mínimo | Reprodução/Pixabay

Uma projeção de um aumento no salário mínimo foi feita pelo governo federal no projeto da LDO, Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, enviado na última quarta-feira (15) ao Congresso Nacional.  A correção seria de 5,92%, ou seja, passando de R$1621 para R$1717 em janeiro do próximo ano, com utilização em fevereiro. O valor final pode ser alterado, com reconhecimento oficial só em dezembro deste ano, após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor.

Reajuste anual

Sob o governo Lula, o reajuste nos valores do salário mínimo mudou em relação a outros anos, utilizando a soma de dois fatores: a inflação dos últimos doze meses, medida pelo INPC e obrigatória pela Constituição, junto ao crescimento real do PIB dois anos antes, ou seja, em 2027, houve o crescimento de 2,3%, considerando os valores de 2025. Essa medida parou de ser usada durante o governo Bolsonaro, porém foi retomada pelo governo petista para garantir o ganho real do trabalhador. 

Vale lembrar que o salário mínimo, criado há 90 anos pelo governo Getúlio Vargas, não vem atendendo à população, como disse Luiz Marinho, ministro do Trabalho: […] “Ao longo dos anos, porém, seu valor veio sendo corroído, atendendo cada vez menos às necessidades básicas do trabalhador e da trabalhadora”. Em cálculo feito pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o salário mínimo mensal necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$7.425,99, mais de quatro vezes o atual. 


Explicação da criação do teto de crescimento do piso salarial (Vídeo: reprodução/ Instagram/ @jornalglobo)


Mesmo com estudos comprovando a ineficiência do salário mínimo, o governo aprovou, em 2024, um teto de 2,5% de reajuste visando controlar o crescimento das despesas públicas, o que já deu resultado, reduzindo os gastos públicos até 2030 em mais de R$ 110 bilhões. Esse controle se dá pelo alerta sobre o aumento dos salários, que elevam significativamente os gastos governamentais, pressionando os juros e o crescimento econômico. Com isso, parte dos economistas defende o reajuste utilizando o modelo sem ganho real, utilizado por Jair Bolsonaro. 

Desafio da mudança

Segundo a própria Dieese, o salário mínimo serve de referência para mais de 60 milhões de pessoas no Brasil, sendo importante uma margem para não prejudicar tanto o funcionário quanto o contratante. Além dos trabalhadores que recebem o valor por contrato, existem aposentadorias e benefícios que são vinculados à base.

O setor divulgou em janeiro que, de acordo com o Boletim Estatístico da Previdência, pouco mais de 70% dos beneficiários recebem até um salário mínimo, representando um gasto de 46% de todo o valor da Previdência, refletindo nas despesas totais que o governo faz a partir do salário mínimo. 

Apesar de o reajuste ser de apenas 96 reais, a utilização do sistema de cálculo envolvendo o produto interno bruto do país não é das melhores. Estudos revelam que a utilização do sistema somente pela inflação pode atingir mais de um trilhão de redução dos gastos, como exposto em pesquisa de Paulo Bijos, consultor de Orçamento da Câmara. 

A alteração dos valores finais pode ser feita após análise do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias, responsável por definir as metas e prioridades do governo para o ano seguinte, sendo aprovada pelo Congresso e usada para a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), que representa o Orçamento do ano.

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