Primeiro trimestre de 2026 fecha com aumento de 6,1% na taxa de desemprego

Apesar da marca positiva em relação a anos anteriores, o número de desocupados no início do ano subiu; renda e ocupação registram ótimo desempenho

30 abr, 2026
Carteira de trabalho | Reprodução/ Unsplash/ jornaldacidade
Carteira de trabalho | Reprodução/ Unsplash/ jornaldacidade

O IBGE divulgou nesta quinta-feira alguns dados referentes ao último trimestre, encerrado em março de 2026. A partir do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), foi constatado um aumento de 6,1% da taxa de desocupação e desemprego, que, mesmo subindo, ainda é o menor nível já registrado para o começo do ano desde o início da pesquisa, em 2012. Enquanto isso, sinais dentro do mercado de trabalho são positivos para o ano.

Motivos para desocupação

No curto prazo, o número de pessoas sem trabalho aumentou em 19,6% em relação ao trimestre anterior, chegando a 6,6 milhões de desocupados, que equivalem a 1,1 milhão de brasileiros. De acordo com a coordenadora de pesquisas do IBGE, Adriana Beringuy, esses valores são comuns nesse período, quando as empresas passam por ajustes visando o início de um novo ano, podendo ter desligamento de funcionários. 


Procura de emprego (Foto: reprodução/Getty Images Embed/David McNew)


“No comércio, por exemplo, a perda de pessoal se concentrou principalmente em ocupações como vendedores, balconistas e atendentes. Houve também um movimento na educação fundamental, especialmente na rede pública municipal, ligado ao ciclo de contratos temporários”, disse. Comparando ano após ano, esse nível de desemprego ainda melhorou em 1,5%. 

Com esse padrão de primeiro trimestre, segundo Adriana, esses e outros dados podem ser explicados, como o nível de ocupação, medido de acordo com a idade, indicando queda de 0,7% em relação ao fim de 2025 e 0,4% de crescimento quanto ao mesmo momento do ano anterior. Abaixo, estão alguns dos números pesquisados pelo IBGE:

  • Taxa de desocupação: 6,1%
  • População desocupada: 6,6 milhões de pessoas
  • População ocupada: 102 milhões
  • População fora da força de trabalho: 66,5 milhões
  • População desalentada: 2,7 milhões
  • Empregados com carteira assinada: 39,2 milhões
  • Empregados sem carteira assinada: 13,3 milhões
  • Trabalhadores por conta própria: 26 milhões
  • Trabalhadores informais: 38,1 milhões
  • Taxa de informalidade: 37,3%

A principal mudança observada foi no número de pessoas desalentadas, aquelas que gostariam de trabalhar, mas desistiram por algum motivo, seja a falta de oportunidade ou qualificação. Cerca de 2,7 milhões se encaixam nesse modelo, valor que baixou em 15,9% na comparação anual.

Variação trimestral e anual

Com análise de setores específicos, o trimestre encerrado em março, mostra que a parte privada reuniu 52,4 milhões de trabalhadores, registrando queda de 1,0% em relação ao trimestre anterior (menos 527 mil pessoas), mas crescimento de 1,1% na comparação anual (mais 583 mil). Divididos entre empregados com carteira, que passam de 39 milhões e os sem carteira, que diminuíram em 2,1% neste trimestre.

Em outras áreas, a variação permanece a mesma, com queda no trimestre mas aumento em comparação ao ano anterior. O setor público, com 12,7 milhões de ocupados, teve queda de 2,5% no trimestre e aumento de 3,7% em um ano, enquanto os independentes tiveram aumento anual. Por fim, houve redução total da informalidade.


Taxa de desemprego no Brasil (Vídeo: reprodução/ YouTube/ @g1)


Com a mudança na quantidade de trabalhadores, o rendimento médio também se alterou, atingindo R$3.722, com alta de 1,6% no trimestre e de 5,5% em um ano, alcançando o maior valor da série. O total de rendimento no país aumentou 7,1% na comparação anual, totalizando R$374,8 bilhões. 

Se olharmos para cada serviço, houveram poucos avanços, com crescimento concentrado apenas no comércio, com alta de 3%, e em atividades ligadas ao setor público, com 2,5%, enquanto os demais segmentos permaneceram praticamente estáveis. Já na comparação com o mesmo período do ano anterior, o crescimento da renda foi mais amplo, alcançando diferentes áreas da economia, com seis setores em alta, como construção, com 4%, comunicação e financeiro com 3,9% e serviços domésticos com 4,9% de aumento de renda.

Sintomas do mercado

Apesar da alta do desemprego no trimestre, economistas apontam sinais de perda de fôlego no mercado de trabalho, ainda que o cenário permaneça relativamente positivo. André Valério, economista do Inter, avalia que o resultado deve ser visto com cautela por refletir fatores sazonais, mas indica uma desaceleração gradual: “Vemos a continuidade da tendência de moderação do mercado de trabalho, com a taxa alcançando 5,7% em março, o maior valor desde setembro de 2025 nessa métrica”. Ele destaca um quadro misto, com a renda em alta e em nível recorde, enquanto o desemprego cresce e a ocupação recua. 

Já Maykon Douglas ressalta que o aumento do desemprego no início do ano é comum devido ao fim de contratos temporários, mas observa que a ocupação ainda cresce e a renda segue consistente, afirmando que “a massa salarial voltou a se acelerar, com crescimento real próximo de 6,4% em base anual”. Para os próximos meses, a expectativa é de desaceleração gradual, sem queda brusca, mantendo um mercado de trabalho resiliente, porém em ritmo mais moderado.

Mais notícias