Comissão especial da escala 6×1 contará com a presença de Guilherme Boulos
Atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência irá defender o posicionamento do governo contra a redução salarial
Guilherme Boulos vai ser um dos participantes da audiência pública na comissão especial que analisa a Proposta de Emenda da Constituição pelo fim da escala 6×1. Marcada para começar às 14h, a audiência é voltada para os aspectos sociais e a importância do Diálogo Social para que haja a redução da jornada de trabalho no país. Outros ministros já chegaram a participar, porém o agora ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República será o responsável por reforçar a posição do governo de Lula.
Organização e prazos
A ida de Guilherme Boulos à comissão especial reforça a posição do governo Lula (PT) em defesa da proposta de fim da escala 6×1. O Planalto também se posiciona contra medidas como a compensação às empresas, a redução de salários e a adoção de um longo período de transição. Antes do deputado licenciado, os ministros Luiz Marinho, do Trabalho e Emprego, e Dario Durigan, da Fazenda, já haviam participado de audiências do colegiado. Boulos, no entanto, é um dos principais defensores do fim da escala 6×1.
A participação do parlamentar na audiência desta quarta-feira ocorre uma semana antes da entrega do relatório final da comissão. Embora o colegiado funcione até 26 de maio, o relator, deputado Leo Prates, deve apresentar o documento no próximo dia 20. O cronograma está alinhado à estratégia do presidente da Câmara, Hugo Motta, de votar a PEC em dois turnos até o fim deste mês. Na semana passada, o deputado afirmou que pretende permitir ao Senado analisar a proposta antes do recesso parlamentar de julho.
Defesa da causa
A fim de falar um pouco da escala 6×1, nesta terça-feira, um dia antes da comissão, Boulos deu uma entrevista ao programa Bom dia, Ministro, do CanalGov, em que reforçou que o Executivo não irá aceitar que haja uma transição longa, enquanto a oposição fala em pelo menos 12 anos para a implementação completa da mudança da jornada de trabalho.
“A gente não aceita uma transição dessa natureza. Uma coisa é você botar 60 dias. Bem, tem o tempo para se adaptar, para reorganizar as escalas, ok. Toda lei tem uma transição de um mês, dois meses, para passar a valer para os setores se organizarem. Outra coisa é você querer empurrar com a barriga, usar essa ideia de transição para jogar para frente. Isso o governo do presidente Lula não aceita e nós vamos lutar para que não seja aprovado dessa forma”, declarou o ministro.
Entrevista na íntegra de Boulos ao CanalGov (Vídeo: reprodução/YouTube/CanalGov)
Além disso, Boulos completou dizendo que o uso da escala com mais de um dia de descanso seria benéfico, já que iria melhorar o rendimento dos trabalhadores, aumentando a produtividade com menos riscos. Ele argumentou que o fim da escala não significa a redução de produtividade, usando a seguinte frase: “Não é segredo para ninguém que um trabalhador mais cansado vai render menos no trabalho”.
Apesar do compromisso com a comissão, entende-se que a decisão será ainda mais analisada, enquanto outros tópicos vêm sendo trabalhados. Ainda nesta quarta-feira (13), a comissão especial realizou outra audiência com o tema “Impactos sobre a Vida das Mulheres e dos Pequenos Negócios”. A sessão teve início às 10h.
