Oposição tenta adiar PEC da jornada 6×1
Parlamentares articulam ampliar prazos da proposta sobre escala de trabalho alterando decisão para o segundo semestre ou até mesmo 2027
A ala contrária à proposta que altera a jornada de trabalho 6×1 atua nos bastidores para retardar o andamento da matéria no Congresso Nacional. A estratégia é aproveitar um período com menos votações e o calendário eleitoral para transferir as etapas decisivas para o segundo semestre. Com isso, o grupo pretende evitar uma definição imediata e, se houver condições políticas, deixar a conclusão da análise para o próximo mandato presidencial.
Articulação entre lideranças
Nos bastidores, senadores relatam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tenta convencer o presidente da Câmara, Hugo Motta, a reduzir o ritmo de apreciação do texto. A intenção é fazer com que a proposta seja enviada à Casa revisora apenas entre o fim de junho e o início de julho.
Caso esse cronograma se confirme, os debates efetivos ficariam para agosto. O mês de junho costuma registrar poucas sessões deliberativas em razão das festas juninas, eventos partidários e outras atividades que diminuem o ritmo das votações em Brasília.
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Davi Alcolumbre nos bastidores do Senado (Vídeo: reprodução/Instagram/@davialcolumbre)
Segundo interlocutores ouvidos pela imprensa, Motta informou a aliados que mantém compromisso com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para concluir a votação na Câmara ainda em maio. Mesmo assim, Alcolumbre teria sinalizado que pretende insistir em uma nova conversa sobre o tema.
Objetivo e mudança de decisão
A oposição considera difícil votar abertamente contra a proposta, já que o tema possui forte apelo popular. Por esse motivo, a principal estratégia é estender a tramitação até depois da eleição presidencial. Dependendo do resultado das urnas, o debate poderá ser retomado somente em 2027.
Outro caminho analisado é permitir que o texto chegue ao Senado no prazo previsto, mas promover um andamento mais lento nas comissões. Essa alternativa, porém, é vista com cautela por integrantes do próprio grupo.
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Proposta avança dentro da Câmara dos Deputados (Foto: reprodução/Instagram/@bandnewstv)
A primeira etapa de análise ocorreria na Comissão de Constituição e Justiça, presidida por Otto Alencar, parlamentar alinhado ao Palácio do Planalto. Por isso, senadores avaliam que as chances de retardar o processo nessa fase são menores. Ainda assim, líderes contrários à medida acreditam que o cenário político e o calendário legislativo podem contribuir para adiar a decisão final por vários meses, mantendo indefinido o futuro da PEC da jornada 6×1.
