Brasil e Espanha firmam acordo sobre minerais críticos e ampliam diálogo estratégico

Memorando assinado por Lula e Pedro Sánchez reforça cooperação científica e sinaliza parceria, mas ainda não prevê impactos comerciais imediatos

17 abr, 2026
Lula e Sánchez | Reprodução/Ricardo Stuckert/PR
Lula e Sánchez | Reprodução/Ricardo Stuckert/PR

O Brasil e a Espanha assinaram, nesta sexta-feira (17), um memorando de entendimento no setor de minerais críticos, durante encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro Pedro Sánchez, em Barcelona.

O acordo integra a estratégia brasileira de fortalecer a chamada diplomacia mineral, ampliando parcerias internacionais e buscando maior participação nas etapas de valor agregado da cadeia produtiva.

Cooperação estratégica sem efeito comercial imediato

O memorando firmado entre Brasil e Espanha tem caráter predominantemente político e diplomático, segundo o governo brasileiro. Embora a íntegra do documento ainda não tenha sido divulgada, a expectativa é que ele fortaleça a colaboração ao longo de toda a cadeia de minerais críticos, além de incentivar a cooperação científico-tecnológica entre os países.


Brasil e Espanha formalizam acordos bilaterais durante cúpula em Barcelona (Foto: reprodução/Instagram/@metropolespolitica)


Apesar disso, o instrumento não estabelece, ao menos neste momento, compromissos comerciais concretos. Na prática, o acordo funciona como um sinal de aproximação em um setor considerado estratégico para a transição energética e para a indústria de alta tecnologia.

Estratégia brasileira busca diversificação de parcerias

A assinatura do memorando com a Espanha faz parte de uma política mais ampla do governo brasileiro de diversificar seus parceiros internacionais. A intenção é evitar alinhamentos exclusivos e ampliar o leque de negociações no setor mineral.

Nos últimos meses, o Brasil já firmou acordos semelhantes com países como Índia, Arábia Saudita e Coreia do Sul, reforçando sua presença global no debate sobre minerais críticos.


Lula afirma que países com reservas de minerais críticos devem controlar o valor agregado e não apenas exportar matéria-prima (Vídeo:Reprodução/YouTube/CNNBrasil)


Durante coletiva após o encontro, Lula afirmou que o país está aberto a negociar com todos os parceiros interessados. Segundo ele, o objetivo é atrair investimentos e desenvolver capacidades internas, especialmente nas etapas de refino e processamento, que agregam maior valor econômico.

Negociações com EUA e Canadá avançam

com os Estados Unidos e o Canadá para acordos mais robustos no setor. Diferentemente do memorando com a Espanha, essas tratativas podem resultar em impactos comerciais mais significativos.

A proposta americana, por exemplo, inclui discussões sobre preço mínimo e financiamento com capital estrangeiro para ampliar a capacidade de processamento mineral no Brasil. Caso avancem, esses acordos podem reposicionar o país em cadeias globais estratégicas.

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