Brasil amplia comércio com a Índia enquanto prepara negociação sobre tarifas dos EUA
Acordo comercial com a Índia prevê diversificar mercados e reduzir impactos das tarifas; Brasil prepara negociar tarifas e sobretaxas com EUA
O Brasil assinou um acordo para ampliar relações comerciais e investimentos com a Índia. A iniciativa busca diversificar mercados diante das sobretaxas impostas pelos Estados Unidos. Paralelamente, o governo federal prepara a retomada das negociações com a administração de Donald Trump. Na próxima segunda-feira (31), autoridades brasileiras participarão de uma reunião virtual com representantes americanos.
Acordo aproxima empresas brasileiras e indianas
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, a ApexBrasil, assinou um memorando com a Confederação das Indústrias Indianas. A princípio, o documento estabelece uma estrutura para ampliar a cooperação entre os setores produtivos dos dois países. O acordo prevê intercâmbio de informações sobre os mercados brasileiro e indiano.
Além disso, as instituições pretendem compartilhar boas práticas e promover feiras empresariais. A iniciativa também incentiva a internacionalização de pequenas e médias empresas. Assim, empresas brasileiras e indianas poderão encontrar novas oportunidades comerciais e ampliar parcerias. O memorando não possui caráter vinculante e não cria obrigações jurídicas para as partes. Entretanto, o documento oferece uma base institucional para futuros projetos conjuntos.
Narendra Modi e Lula da Silva em Nova Déli, em fevereiro de 2026 (Fotos: reprodução/Prakash Singh/Bloomberg/Getty Images Embed)
Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, a diversificação comercial representa uma diretriz do governo Lula. Por isso, o Brasil intensifica a busca por novos destinos para suas exportações. Rosa destacou o crescimento da relação bilateral com a Índia nos últimos anos e afirmou que o comércio entre os dois países registrou expansão de 82%.
Governo quer ampliar acordo tarifário com a Índia
O governo brasileiro também pretende ampliar o atual acordo de preferências tarifárias entre Mercosul e Índia. Atualmente, o entendimento abrange aproximadamente 450 linhas de produtos. Além disso, Brasil e Índia demonstram interesse em ampliar a cooperação em setores estratégicos, entre eles, a indústria farmacêutica, a bioenergia e os biocombustíveis. Fertilizantes e dispositivos médicos também aparecem entre as áreas consideradas prioritárias.
Paralelamente, o Brasil busca estabelecer parcerias relacionadas à exploração de minerais críticos.
Segundo Rosa, esses acordos devem estimular o desenvolvimento de tecnologia nacional. Portanto, o governo afirma que pretende negociar com diferentes países sem privilegiar parceiros específicos. A aproximação com a Índia ocorre enquanto Brasília tenta reduzir os efeitos das tarifas americanas. Assim, a estratégia combina a abertura de novos mercados com negociações diretas com Washington.
Brasil retoma diálogo com os Estados Unidos
Na próxima segunda-feira, Márcio Elias Rosa se reunirá virtualmente com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também participará do encontro. A reunião será a primeira após o telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Segundo Rosa, a conversa ajudou a reabrir a mesa de negociação.
Márcio Elias Rosa fez críticas às tarifas americanas (Vídeo: reprodução/YouTube/@jovempannews)
O ministro afirmou que o Brasil retomou o diálogo sem apresentar concessões unilaterais previamente. Entretanto, ele reconheceu que as conversas poderão enfrentar dificuldades. Entre os temas previstos estão possíveis listas de exceções tarifárias. Além disso, as autoridades poderão discutir uma eventual aplicação da Lei de Reciprocidade pelo Brasil. O governo também manterá medidas de apoio às empresas afetadas pelas sobretaxas. Entre elas está o programa Brasil Soberano, criado para reduzir impactos sobre setores atingidos.
Márcio Elias Rosa afirmou que o governo defenderá os interesses econômicos brasileiros durante as negociações. Segundo ele, Brasília não pretende aceitar propostas que possam prejudicar a economia nacional. Assim, o governo combina duas frentes para enfrentar o cenário comercial atual. Enquanto amplia parcerias internacionais, o Brasil tenta construir uma solução negociada para reduzir as tarifas americanas.
